{"id":2614,"date":"2012-04-28T20:00:28","date_gmt":"2012-04-28T17:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/lawadv.com\/?p=2614"},"modified":"2012-04-28T20:00:28","modified_gmt":"2012-04-28T17:00:28","slug":"segundos-casamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/segundos-casamentos\/","title":{"rendered":"Segundos casamentos: aspectos jur\u00eddicos e psicol\u00f3gicos a serem levados em conta"},"content":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o:<br \/>\nEsta n\u00e3o \u00e9 uma disserta\u00e7\u00e3o acad\u00eamica nem pretende ser um alarme para evitar segundos casamentos, mas sim um texto apresentando os fatos que circundam os aspectos jur\u00eddicos e psicol\u00f3gicos de um segundo casamento. Isto poder\u00e1 parecer pol\u00eamico, mas trata-se de um documento baseado em informa\u00e7\u00f5es coletadas de fatos reais.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas a seguir apresentadas n\u00e3o dep\u00f5em em favor dos segundos casamentos. Em geral estes acabam gerando mais conflitos do que os primeiros casamentos, tanto no que diz respeito a complica\u00e7\u00f5es legais quanto relativamente a conflitos em \u00e2mbito criminal. Al\u00e9m do mais, a taxa de Div\u00f3rcios nos segundos casamentos \u00e9 muito mais elevada do que nos primeiros casamentos.<\/p>\n<p>No final das contas caber\u00e1 a cada indiv\u00edduo decidir como agir, ressaltando-se que, racionalmente, estas decis\u00f5es devem ser tomadas com plena consci\u00eancia acerca dos poss\u00edveis desdobramentos. Esta \u00e9 a quest\u00e3o que estarei abordando aqui.<\/p>\n<p>Todos os exemplos apresentados a seguir (sejam os relativos ao casamento &#8220;tradicional&#8221; ou as uni\u00f5es est\u00e1veis) envolvem crian\u00e7as menores de 18 anos (menores de idade, segundo a lei israelense) que vivem com apenas um dos progenitores.<\/p>\n<p>Duas categorias de segundos casamentos:<\/p>\n<p>1. O pai divorciado e os seus filhos:<br \/>\nNa maioria dos casos se confere \u00e0s m\u00e3es a cust\u00f3dia dos filhos e n\u00e3o ao pai. Portanto, se as crian\u00e7as est\u00e3o com o pai em geral h\u00e1 circunst\u00e2ncias que justificaram esta varia\u00e7\u00e3o da norma:<br \/>\na) Uma m\u00e3e inapta (por raz\u00f5es m\u00e9dicas)<br \/>\nb) Uma m\u00e3e que optou por emigrar (ou retornar ao seu pa\u00eds de origem)<br \/>\nc) Uma m\u00e3e que foi considerada inapta pelos tribunais (ap\u00f3s uma avalia\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica)<br \/>\nd) Uma mulher viciada em drogas ou \u00e1lcool, que n\u00e3o tem capacidade de criar seus filhos, etc<br \/>\ne) Outros motivos n\u00e3o espec\u00edficos baseados na decis\u00e3o de um magistrado, j\u00e1 que eles podem decidir sobre a aptid\u00e3o da m\u00e3e ou do pai, dependendo do caso em quest\u00e3o. Embora boa parte destas senten\u00e7as sejam objetos de recursos e de pondera\u00e7\u00e3o nos tribunais superiores, n\u00e3o se d\u00e1 provimento \u00e0 maioria deles.<\/p>\n<p>2. A mulher divorciada com seus filhos, e o marido &#8220;ausente&#8221;:<br \/>\nEsta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito bem conhecida no mundo dos pais divorciados. Nesta situa\u00e7\u00e3o a m\u00e3e \u00e9 abandonada pelo seu marido ou ex-marido, o pai de seus filhos, durante ou ap\u00f3s os procedimentos do Div\u00f3rcio. Consequentemente ela se torna a \u00fanica provedora da fam\u00edlia, a \u00fanica que na pr\u00e1tica se responsabiliza pelos filhos.<\/p>\n<p>Na maioria destes casos a guarda compartilhada pode ter sido determinada, mas De Facto ela \u00e9 a \u00fanica que est\u00e1 presente na vida dos filhos. Muitas vezes o pai n\u00e3o desapareceu completamente. Ele ainda est\u00e1 est\u00e1 circundando a \u00e1rea mas n\u00e3o est\u00e1 participando no cotidiano das crian\u00e7as, e geralmente tamb\u00e9m n\u00e3o presta um suporte financeiro.<\/p>\n<p>Tipicamente, este tipo de pai tende a aparecer esporadicamente quando sente que \u00e9 a oportunidade certa, de modo que possa mostrar aos filhos como &#8220;eles s\u00e3o verdadeiramente importantes para ele&#8221; e como &#8220;ele \u00e9 carinhoso e dedicado&#8221;! Infelizmente estes tipos de pais t\u00eam o seu pr\u00f3prio interesse como objetivo e n\u00e3o o bem estar das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es relacionadas a uma mulher divorciada com um &#8220;marido\/ex-marido ausente&#8221;:<br \/>\n\u00c9 injusto esperar que um pai ou uma m\u00e3e sejam sempre flex\u00edveis, compreensivos ou sensatos diante da sua nova situa\u00e7\u00e3o. No entanto h\u00e1 que se tra\u00e7ar objetivos em conjunto e ter a inten\u00e7\u00e3o de se trabalhar juntos no sentido de possibilitar a todos uma boa conviv\u00eancia, bem como aprender a lidar com as adversidades de forma mais flex\u00edvel. Quando se procura uma opini\u00e3o profissional e assist\u00eancia antes de esta nova c\u00e9lula familiar se formar, haver\u00e1 mais chances de se alcan\u00e7ar um equil\u00edbrio e uma conviv\u00eancia harmoniosa.<\/p>\n<p>Entretanto n\u00e3o h\u00e1 garantias de que estas medidas levar\u00e3o a um final feliz. Em muitos casos nem todos os \u00e2nimos poder\u00e3o ser apaziguados, e a maioria dos envolvidos n\u00e3o ter\u00e3o sucesso em deixar de esperar que as suas necessidades e desejos sejam servidos em uma bandeja de prata. Esta conduta mais se assemelha a uma batalha fadada ao fracasso desde o in\u00edcio, e apenas se ambos os lados estiverem dispostos a renunciar ao seu desejo de estarem certos e sa\u00edrem vitoriosos, existir\u00e1 uma boa chance para que as coisas d\u00eaem certo. N\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3rias ou fracassos absolutos \u2013 sempre se perde ou ganha alguma coisa!<\/p>\n<p>Tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es que exigem aten\u00e7\u00e3o:<br \/>\n1. Se\/quando o pai biol\u00f3gico \u00e9 envolvido no conflito \u2013 h\u00e1 que se evitar esta ocorr\u00eancia de todas as formas poss\u00edveis, j\u00e1 que \u00e9 extremamente prejudicial para qualquer novo casal quando a figura do pai ausente \u00e9 trazida ao conflito pelos filhos, uma t\u00e1tica que eles provavelmente tentar\u00e3o fazer uso.<\/p>\n<p>2. Quando as crian\u00e7as entendem que podem ter um novo parceiro para dirigir as suas queixas e insatisfa\u00e7\u00e3o: a pol\u00edcia e o sistema \u2013 uma vez que uma destas for\u00e7as exteriores passa a fazer parte dos fatos, isto em geral leva ao final do casamento. Recomenda-se fortemente a consulta a um bom advogado criminal no momento em que houver o mais leve sinal de suspeita de que os menores podem estar usando esta arma ou pretendendo faz\u00ea-lo, tendo em vista o seu pr\u00f3prio benef\u00edcio.<\/p>\n<p>3. O envolvimento dos servi\u00e7os sociais \u2013 outra carta especialmente perigosa que pode ser jogada e poder\u00e1, na maioria dos casos, levar ao envolvimento com a pol\u00edcia. Isto deve ser evitado a todo o custo!<\/p>\n<p>a. Os padrastos s\u00e3o as figuras mais vulner\u00e1veis sujeitas a persegui\u00e7\u00f5es em um segundo casamento, e se h\u00e1 enteadas envolvidas as coisas se complicam ainda mais. Israel n\u00e3o \u00e9 uma democracia completa, e o sistema legal \u00e9 ainda menos democr\u00e1tico. N\u00f3s somos uma das poucas democracias na qual uma pessoa pode ser considerada culpada at\u00e9 prova em contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>b. Se surgir em um segundo casamento uma situa\u00e7\u00e3o na qual um caso criminal foi aberto contra o padrasto (ou seja, molesta\u00e7\u00e3o, abuso sexual, comportamento inadequado, etc), as chances de se salvar o casamento se aproximam de zero (tal qual as chances de se encerrar o caso com uma decis\u00e3o favor\u00e1vel ao padrasto).<\/p>\n<p>4. Uma outra hip\u00f3tese comumente encontrada \u00e9 quando a m\u00e3e se torna extremamente super-protetora dos seus filhos. \u00c9 quase imposs\u00edvel salvar um casamento quando a m\u00e3e age emocionalmente, procurando &#8220;proteger&#8221; os seus filhos. Para que isto aconte\u00e7a basta que ela sinta que os filhos correm algum risco, o que consequentemente levar\u00e1 ao despertar do seu instinto materno.<\/p>\n<p>Uma mulher que se sente &#8220;atacada&#8221; defender\u00e1 os seus filhos em quase todas as situa\u00e7\u00f5es, mesmo as desprovidas de l\u00f3gica. Muitas vezes este \u00e9 o resultado dos sentimentos exacerbados de responsabilidade pelas crian\u00e7as, quando se v\u00ea como \u00fanica provedora, e frequentemente a emo\u00e7\u00e3o prevalecer\u00e1 sobre a raz\u00e3o. Uma m\u00e3e superprotetora pode ser o pior pesadelo de um padrasto, deixando-o sem qualquer chance de argumentar, restando a ele apenas se afastar de modo que poder\u00e1 se sentir como um intruso. Por experi\u00eancia pr\u00f3pria posso afirmar que esta \u00e9 a principal motiva\u00e7\u00e3o dos Div\u00f3rcios, dentro dos segundos casamentos.<\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es relacionadas ao pai divorciado e seus filhos:<br \/>\nComo deve imaginar, tamb\u00e9m h\u00e1 muitos conflitos quando tratamos do processo de aceita\u00e7\u00e3o de uma nova madrasta. As crian\u00e7as tendem a ser mais reservadas, menos amig\u00e1veis e menos flex\u00edveis do que quando estavam com a sua m\u00e3e biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A nova m\u00e3e tende a se tornar uma &#8220;advers\u00e1ria inconsciente&#8221; da sua m\u00e3e biol\u00f3gica, gerando-se assim muitos conflitos internos e acarretando menos empatia e simpatia de todos, inclusive por parte da fam\u00edlia do pai. Este \u00e9 um erro comum e uma conduta desagrad\u00e1vel, mas infelizmente acontece com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>O pai n\u00e3o se diferencia da m\u00e3e neste aspecto, e poder\u00e1 se tornar superprotetor quanto aos seus filhos, de modo a gerar um relacionamento desequilibrado onde as crian\u00e7as poder\u00e3o vir a contribuir com o ato de jogar um dos respons\u00e1veis contra o outro.<\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es relativas ao envolvimento de conselheiros:<br \/>\nQuanto mais complicadas as coisas forem, mais &#8220;conselheiros&#8221;, (amigos, fam\u00edlia, etc) conhecer\u00e1 e mais conselhos voc\u00ea ir\u00e1 receber! D\u00ea a eles um pequeno espa\u00e7o e a invas\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 fim. Tenha a certeza de que quanto mais permitir interfer\u00eancias na sua fam\u00edlia, menor ser\u00e1 a possibilidade de resolver os conflitos de forma aut\u00f4noma. Tenha em mente que eles estar\u00e3o expressando as suas opini\u00f5es, e n\u00e3o falando de verdades absolutas. Voc\u00ea deve saber o que \u00e9 melhor para a sua fam\u00edlia, ent\u00e3o certifique-se de deter o poder de decis\u00e3o nas m\u00e3os, apenas recebendo aux\u00edlio de um terceiro cuja assist\u00eancia deseje de fato receber.<\/p>\n<p>Duas abordagens equivocadas envolvendo padrastos\/madrastas:<br \/>\n\u00b7 O padrasto\/a madrasta pode ver o seu relacionamento com o progenitor biol\u00f3gico como algo pr\u00f3prio deles e deseja receber total aten\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o do seu novo c\u00f4njuge, sem considerar que \u00e9 natural que ele aja como parte da fam\u00edlia como um todo, o que inclui as crian\u00e7as tamb\u00e9m!<\/p>\n<p>\u00b7 Outro comportamento equivocado neste assunto \u00e9 o ato de ser um padrasto\/madrasta invis\u00edvel, algu\u00e9m que sempre se mostra am\u00e1vel com as crian\u00e7as, sem se envolver nos conflitos di\u00e1rios. Quanto mais jovens as crian\u00e7as forem, mais il\u00f3gico \u00e9 esperar ser bem sucedido ao se comportar como um padrasto\/madrasta que n\u00e3o interfere na conviv\u00eancia familiar. Quanto mais problem\u00e1ticos os menores forem, al\u00e9m das novas quest\u00f5es com as quais ter\u00e3o que lidar com o Div\u00f3rcio dos pais, mais dif\u00edcil ser\u00e1 permanecer como um espectador neutro, sem qualquer envolvimento.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o:<br \/>\nAp\u00f3s o Div\u00f3rcio, em geral as pessoas querem reconstruir as suas vidas. Quando uma pessoa decide dar in\u00edcio a uma nova vida, dever\u00e1 entender que h\u00e1 um pre\u00e7o a ser pago. Nada ser\u00e1 como antes do Div\u00f3rcio ou mesmo ap\u00f3s este evento, antes de contrair as novas n\u00fapcias. Se uma nova c\u00e9lula familiar tiver que ser criada, esta dever\u00e1 levar em conta a necessidade do uso das ferramentas adequadas para que se obtenha sucesso.<\/p>\n<p>Fique atento:<br \/>\n\u00b7 Planeje as coisas e esteja preparado. Voc\u00ea n\u00e3o pode prever o futuro ou evitar eventuais complica\u00e7\u00f5es que venham a aparecer.<br \/>\n\u00b7 N\u00e3o se precipite; use todo o tempo necess\u00e1rio para a tomada de uma decis\u00e3o consciente.<br \/>\n\u00b7 Esteja ciente dos desafios que poder\u00e1 vir a enfrentar.<br \/>\n\u00b7 Tenha um plano alternativo para p\u00f4r em pr\u00e1tica, em caso de necessidade.<br \/>\n\u00b7 N\u00e3o se deixe levar pelas emo\u00e7\u00f5es por mais intensas que elas sejam. Voc\u00ea deve ser racional e realista.<br \/>\n\u00b7 Se porventura alguma coisa &#8220;ruim&#8221; acontecer, \u00e9 melhor recuar do que esperar que seja tarde demais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o: Esta n\u00e3o \u00e9 uma disserta\u00e7\u00e3o acad\u00eamica nem pretende ser um alarme para evitar segundos casamentos, mas sim um texto apresentando os fatos que circundam os aspectos jur\u00eddicos e psicol\u00f3gicos de um segundo casamento. Isto poder\u00e1 parecer pol\u00eamico, mas trata-se de um documento baseado em informa\u00e7\u00f5es coletadas de fatos reais. 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