{"id":5216,"date":"2014-07-13T09:04:00","date_gmt":"2014-07-13T06:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/lawadv.com\/?p=5216"},"modified":"2014-07-13T09:04:00","modified_gmt":"2014-07-13T06:04:00","slug":"reescrevendo-historia-sentir-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/reescrevendo-historia-sentir-melhor\/","title":{"rendered":"Reescrevendo a hist\u00f3ria para parecer ou se sentir melhor"},"content":{"rendered":"<p>Neste artigo estaremos lidando com o ato de se reescrever uma hist\u00f3ria no caso de um Div\u00f3rcio.<\/p>\n<p><b>Defini\u00e7\u00e3o:<\/b><\/p>\n<p>No site de Defini\u00e7\u00f5es, o conceito de &#8220;reescrever hist\u00f3rias&#8221; \u00e9 definido pelos termos a seguir: &#8220;Se voc\u00ea reescreve uma hist\u00f3ria, voc\u00ea troca a sua vers\u00e3o de eventos passados de modo a parecerem melhor do que pareceriam se a verdade fosse dita.&#8221;<\/p>\n<p><b>Reescrevendo a hist\u00f3ria:<\/b><\/p>\n<p>Eu sempre sou surpreendido e fico perplexo com as pessoas que tentam faz\u00ea-lo, embora muitas vezes possa saber, pela narrativa dos fatos, que a sua vers\u00e3o \u00e9 completamente inveross\u00edmil e que h\u00e1 algo de errado com ela. Estas pessoas s\u00e3o chamadas de revisionistas ou &#8220;reeditoras de hist\u00f3rias&#8221;. Alguns revisionistas reescrevem a hist\u00f3ria de suas pr\u00f3prias vidas, e neste processo eliminam lembran\u00e7as que n\u00e3o batem com a \u00faltima vers\u00e3o. Consequentemente, as suas experi\u00eancias passadas n\u00e3o fazem qualquer sentido.<\/p>\n<p>Como Dan Brown afirmou: &#8220;Pela sua pr\u00f3pria natureza, a hist\u00f3ria \u00e9 sempre uma narrativa unilateral, e o que pode ser mais c\u00f4modo do que se ter uma \u00fanica vers\u00e3o que n\u00e3o pode ser contrariada.&#8221;<\/p>\n<p>Algumas pessoas podem afirmar que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado com o ato de se reescrever uma hist\u00f3ria porque esta em geral \u00e9 uma est\u00f3ria sobre aqueles que perderam, editada pelos vencedores. <i>No final das contas a realidade pode ser equiparada \u00e0 morte; \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel: isto s\u00f3 pode ser negado, n\u00e3o evitado. Ent\u00e3o, por que n\u00e3o negar os fatos e reescrever a hist\u00f3ria de modo que ela se ajuste aos nossos prop\u00f3sitos?<\/i><\/p>\n<p><b>Seja verdadeiro consigo mesmo:<\/b><\/p>\n<p>Evagrius (Um monge eg\u00edpcio, 399) escreveu sobre o que chamou de &#8220;logismos&#8221; \u2013 <i>pensamentos que confundem e obscurecem a mente de modo que, lentamente, vamos adentrando no mundo de uma fantasia auto-destrutiva<\/i>.<\/p>\n<p><i>Ceder aos logismos \u00e9 escolher ver o mal, o irreal, o que n\u00e3o corresponder \u00e0 realidade. Os logismos s\u00e3o os arqui-inimigos da alma, os dem\u00f4nios a partir dos quais se constr\u00f3i uma perspectiva pr\u00f3pria no mundo e que impede de nos concentrarmos na nossa realidade de vida, afastando-nos mais e mais da nossa condi\u00e7\u00e3o atual, fazendo com que tentemos resolver problemas que ainda n\u00e3o surgiram ou talvez jamais existam.<\/i><\/p>\n<p><b>Reescrevendo a hist\u00f3ria em um div\u00f3rcio:<\/b><\/p>\n<p>Dr. Tom Merril e Geoff Hamilton, Esq, afirmaram em sua pesquisa: &#8220;<i>Tipicamente este est\u00e1gio \u00e9 aquele no qual o fato de que o relacionamento passa por uma crise n\u00e3o \u00e9 verbalizado, mas sim \u00e9 caracterizado por indiretas e comportamentos destrutivos por parte de um ou ambos os c\u00f4njuges. Em geral aquele que inicia tudo, conscientemente ou n\u00e3o, come\u00e7a a reescrever a hist\u00f3ria do casamento ou a imagem do outro c\u00f4njuge com o objetivo de construir um caso que justifique um eventual estouro. Reescrever simplesmente envolve selecionar, colorir e enfatizar os &#8220;aspectos negativos&#8221;: &#8220;feridas&#8221; que n\u00e3o cicatrizaram ou condutas que n\u00e3o foram eficazes. Isto tamb\u00e9m inclui passar por cima e ignorar os &#8220;aspectos positivos&#8221;, e portanto se chegando \u00e0 conclus\u00e3o de que o div\u00f3rcio \u00e9 o mais apropriado.<\/i><\/p>\n<p><i>Este processo \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de deliberada e subjetiva escolha, em oposi\u00e7\u00e3o a um &#8220;hist\u00f3rico acurado&#8221; ou busca pela verdade, j\u00e1 que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 justificar a escolha que j\u00e1 foi feita. Este \u00e9 um per\u00edodo no qual se v\u00ea o desenvolvimento do que se denomina &#8220;caminho conjugal sem volta&#8221;. Deste ponto em diante, em n\u00e3o havendo uma interven\u00e7\u00e3o positiva, comportamentos e a\u00e7\u00f5es mover\u00e3o o relacionamento ao inevit\u00e1vel ponto do div\u00f3rcio.&#8221;<\/i><\/p>\n<p><b>Reconstru\u00e7\u00e3o negativa da identidade do c\u00f4njuge:<\/b><\/p>\n<p><i>H\u00e1 dois fen\u00f4menos intrigantes os quais, em graus variados, podem ocorrer durante o est\u00e1gio litigioso do div\u00f3rcio. Um foi denominado a &#8220;reconstru\u00e7\u00e3o negativa da identidade do c\u00f4njuge&#8221; (Johnston &amp; Campbell, 1988). Este \u00e9 caracterizado pela tend\u00eancia por parte de um c\u00f4njuge de atribuir ao outro uma imagem de vil\u00e3o, por exemplo: &#8220;Ele \u00e9 um fraco e b\u00eabado violento&#8221; ou &#8220;Ela \u00e9 uma dissimulada, ego\u00edsta e mentirosa patol\u00f3gica que n\u00e3o merece confian\u00e7a.&#8221; Estes adjetivos intensamente negativos que dominam os conflitos entre casais que est\u00e3o se divorciando se tornam imut\u00e1veis com o passar do tempo. O c\u00f4njuge, basicamente reescreve a hist\u00f3ria conjugal e seletivamente admite apenas os eventos ocorridos durantes os anos que se ajustam \u00e0 nova caracteriza\u00e7\u00e3o negativa. Assim sendo, \u00e9 como se o c\u00f4njuge criasse uma profunda impress\u00e3o (embora distorcida) a qual \u00e9 racionalizada e admitida como verdadeira.<\/i><\/p>\n<p><b>Aten\u00e7\u00e3o seletiva (by Cathy Meyer)<\/b><\/p>\n<p><i>Existe um fen\u00f4meno psicol\u00f3gico humano chamado Aten\u00e7\u00e3o Seletiva.<\/i><\/p>\n<p><i>Os seres humanos t\u00eam uma tend\u00eancia natural de prestar aten\u00e7\u00e3o apenas aos dados que ap\u00f3iam seu ponto de vista pr\u00e9-existente ou seu desejo. Uma informa\u00e7\u00e3o que contradiz suas cren\u00e7as ou desejos \u00e9 filtrada para fora de sua mente. Obviamente esta pr\u00e1tica pode levar a no\u00e7\u00f5es distorcidas de pessoas e eventos, e a escolhas e decis\u00f5es ruins.<\/i><\/p>\n<p><i>Eu vejo isto com muitos clientes divorciados com os quais trabalho. Uma vez que se decide por um div\u00f3rcio, um ou outro dos c\u00f4njuges come\u00e7ar\u00e1 a reescrever a hist\u00f3ria do casamento e especialmente a biografia da pessoa com quem esteve casado.<\/i><\/p>\n<p><i>O ex se torna um vil\u00e3o e este tipo de pensamento \u00e9 mais comum naquele que opta pelo div\u00f3rcio. Por que? Culpa, uma procura para justificar as suas a\u00e7\u00f5es. N\u00f3s nos sentimos melhor se o ex f\u00f4r um vil\u00e3o de modo que n\u00e3o tenhamos alternativa a n\u00e3o ser deix\u00e1-lo.<\/i><\/p>\n<p><i>Qual \u00e9 o problema de se pensar desta forma? Isto anula qualquer possibilidade de um div\u00f3rcio civilizado. Isto prejudica qualquer crian\u00e7a que esteja envolvida e D`s o livre, um envolvimento do advogado advers\u00e1rio com aquele que manipula a hist\u00f3ria toda. Nesta hip\u00f3tese voc\u00ea poder\u00e1 se despedir de boa parte do seu patrim\u00f4nio.<\/i><\/p>\n<p><i>Eu lembro do meu ex como uma pessoa gentil e amorosa. Ele era um excelente pai e todo momento que estava conosco n\u00e3o pod\u00edamos desejar mais nada al\u00e9m disto. Ele tinha seus problemas assim como eu. Ele podia me magoar, mas de forma alguma era cruel. Lembrar dele desta forma me permite v\u00ea-lo como um ser humano&#8230; uma pessoa que comete erros, mas n\u00e3o \u00e9 um vil\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><i>Isto me ajuda a continuar uma rela\u00e7\u00e3o civilizada com ele, algo que devemos nos esfor\u00e7ar para ter com um ex-c\u00f4njuge.<\/i><\/p>\n<p><i>Ele, por outro lado, lembra de mim como a causadora de suas desgra\u00e7as. Uma pessoa abusiva que o impediu que viver como queria. Esta imagem do que eu fui no casamento e o que eu sou como pessoa, impede de me ver como ser humano. Eu sou vista como uma vil\u00e3 para que ele possa se sentir bem com ele mesmo e as decis\u00f5es destrutivas que tomou desde que o casamento chegou ao fim.<\/i><\/p>\n<p><i>Por este motivo ele nunca poder\u00e1 ter uma rela\u00e7\u00e3o civilizada comigo.<\/i><\/p>\n<p><i>Assim como o nosso casamento falhou, o mesmo se deu com o nosso div\u00f3rcio. A chave para um div\u00f3rcio bem sucedido \u00e9 a habilidade de ambos os c\u00f4njuges de v\u00ea-los como seres humanos fal\u00edveis, e n\u00e3o como maldosos.&#8221;<\/i><\/p>\n<p><b>N\u00e3o fa\u00e7a isto:<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Div\u00f3rcio voc\u00ea ter\u00e1 que encarar alguns anos de relacionamento com seu ex-c\u00f4njuge e mais ainda com os seus filhos. Se a sua mensagem aos filhos f\u00f4r a de que o seu pai \u00e9 um vil\u00e3o, voc\u00ea estar\u00e1 prejudicando seriamente o futuro deles \u2013 n\u00e3o fa\u00e7a isto!<\/p>\n<p>Assim sendo, procure afastar as m\u00e1goas e tente lembrar que tudo acabou, que \u00e9 passado e n\u00e3o retornar\u00e1 mais.<\/p>\n<p><b>Um toque pessoal:<\/b><\/p>\n<p>Eu j\u00e1 trabalhei com div\u00f3rcios e casais que se divorciam por muitos anos. A minha vasta experi\u00eancia diz que, apesar de toda a raiva que estas pessoas nutrem e demonstram durante e ap\u00f3s todo o processo, eles n\u00e3o acreditam completamente nas vers\u00f5es da hist\u00f3ria que criam. No fundo eles sabem que houve bons e maus momentos, e que seus ex-c\u00f4njuges t\u00eam qualidades e defeitos.<\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 uma pena que a nossa sociedade ainda n\u00e3o tenha encontrado um modo de trazer boas pessoas em rela\u00e7\u00f5es conjugais problem\u00e1ticas a procurar e receber ajuda profissional, no sentido de salvar o relacionamento, o casamento e evitar anos e anos de conflitos legais e emocionais que s\u00e3o praticamente inevit\u00e1veis em um caso de div\u00f3rcio.<\/p>\n<p>Em 2010 em Israel houve 42,000 casamentos e mais de 14,000 div\u00f3rcios. Considerando-se o apoio geral que o Estado d\u00e1 \u00e0s m\u00e3es divorciadas, bem como quanto a outras despesas, o \u00f4nus financeiro do Estado devido ao div\u00f3rcio foi muito superior ao que teria sido o custo de um programa nacional de fornecimento de aux\u00edlio profissional a casais que requerem o div\u00f3rcio.<\/p>\n<p>A unidade familiar \u00e9 essencial ao nosso pa\u00eds, bem como a seguran\u00e7a e a\u00a0 for\u00e7a das For\u00e7as Armadas. A triste realidade \u00e9 que a unidade familiar vem se deteriorando, e o nosso futuro n\u00e3o parece muito promissor. Podemos portanto afirmar que chegou o momento de se interromper o enorme fluxo de div\u00f3rcios desnecess\u00e1rios no pa\u00eds, e come\u00e7ar a se trabalhar por um plano nacional que possa salvar ao menos parte das fam\u00edlias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo estaremos lidando com o ato de se reescrever uma hist\u00f3ria no caso de um Div\u00f3rcio. Defini\u00e7\u00e3o: No site de Defini\u00e7\u00f5es, o conceito de &#8220;reescrever hist\u00f3rias&#8221; \u00e9 definido pelos termos a seguir: &#8220;Se voc\u00ea reescreve uma hist\u00f3ria, voc\u00ea troca a sua vers\u00e3o de eventos passados de modo a parecerem melhor do que pareceriam se&hellip; <a class=\"continue\" href=\"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/reescrevendo-historia-sentir-melhor\/\">Continue Reading<span> Reescrevendo a hist\u00f3ria para parecer ou se sentir melhor<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[32,33],"tags":[],"class_list":["post-5216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direito-de-familia","category-divorcio-separacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/voleh.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}