Para entender melhor esse artigo seria aconselhável ler dois outros anteriores (no link abaixo) a esse e ler esse até o fim.

É pessoal, mas não somente  e É um assunto de âmbito pessoal e eu gostaria de agradecer a todos!

Dando continuidade aos eventos dos artigos anteriores, em junho de 2019 fui parar na emergência do hospital vítima de um infarto agudo no miocárdio, e como disse o médico que me atendeu, “se eu tivesse chegado meia hora depois teria sido enviado para o médico legista e não para o cardiologista” e obviamente não estaria escrevendo esse artigo.

Como diz o ditado: “Vaso ruim não quebra com facilidade!”

Fui obrigado a me afastar parcialmente por alguns meses do trabalho e retomei as atividades integrais há três meses atrás após ter sido seriamente advertido pelo meu médico de que não poderia me aborrecer em nenhuma circunstância assim como deveria ter outros tantos cuidados com a saúde daqui para frente.

Nesse ponto, a vontade de seguir à risca esses conselhos se misturaram com a realidade e na verdade eu não passei nesse quesito e acabei me aborrecendo muito mais do que deveria ou poderia como vou descrever a seguir.

O cliente e o advogado:

Por mais de duas semanas trabalhei numa difícil negociação de compra de um imóvel para um cliente meu. Esse imóvel estava com problemas jurídicos e técnicos que foram agravados por problemas emocionais por parte dos clientes que acabariam por sabotar as negociações sem nenhuma necessidade.

Depois de eu ter resolvido vários itens complicados no contrato (jurídicos e burocráticos), o meu cliente desistiu em prosseguir com a compra do imóvel; isso poderia ter acarretado em um processo contra o cliente, movido pelo vendedor porque a lei em Israel demanda total “boa fé” (cláusula 12 da lei contratual de Israel) em qualquer transação imobiliária o que não o foi o caso da parte de meu cliente.

Somente após ter me desculpado muito pelo comportamento do meu cliente consegui terminar essa “negociação” sem que meu cliente sofresse danos materiais e o único que sofreu perdas monetárias fui eu que não tive meus honorários pagos pelo serviço e pelo tempo que reservei a esse caso.

Novamente como diz o ditado: “vivendo e aprendendo”.

Encurtando a longa narrativa dos fatos, eu me excedi, com o meu cliente por me fazer passar por esse desgaste desnecessário e colocar em xeque a minha credibilidade e profissionalismo perante o advogado da outra parte.

Obviamente que o único que saiu lesado foi o advogado que perdeu a compostura e acabou novamente na emergência do hospital. Por isso vocês podem entender que nesse caso, o advogado e o bobo são na verdade a mesma personagem – EU

O advogado foi um bobo em se aborrecer em demasia pelos atos do cliente que nós advogados os chamamos de “autodestrutivos”, desistindo da compra de um bom imóvel apenas por motivos emocionais, quando na verdade poderia ter terminado as negociações com facilidade e assinado o contrato.

Depois de ter que passar várias horas na emergência e ter um descanso forçado em casa resolvi me distrair vendo um filme escolhido “ao acaso” cujo nome em inglês é: “Richard Jewell”.

Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir eu recomendo por ser um excelente filme, baseado em um caso verídico onde mostra com clareza como um cliente pode se tornar seu maior inimigo quase ao ponto de ser “juridicamente suicida” – para entender precisará ver o filme e garanto que vai apreciar cada minuto.

O advogado nesse filme é a antítese do “advogado bobo”. Em vez de perder a cabeça com o cliente, ele consegue superar suas decepções com a atitude incorreta do cliente. Com paciência e profissionalismo, o advogado consegue convencer o cliente a não dar ouvidos as suas emoções, as quais eventualmente colocariam o cliente em uma posição irreversível.

Esse é um desempenho profissional que qualquer advogado gostaria de aperfeiçoar.

Moral da história:

O advogado não pode e não deve fazer mais do que é possível para mudar o modo de agir do cliente – a decisão é do cliente e geralmente ele vai arcar com as consequências de seus erros.

O advogado é um profissional que entende de advocacia, mas lida também com psicologia queira ou não queira, mas isso ainda não o torna em responsável pelas decisões errôneas dos seus clientes.

Quando o advogado se deixa envolver emocionalmente ao ponto de se sentir responsável pelos atos de seus clientes  – ele deixa de ser o advogado profissional e passa a ser o advogado bobo.

 

Como diz um outro ditado (autoria ignorada): “People who create their own drama deserve their own Karma”