Esse artigo irá tratar dos diversos tipos de dores físicas, um assunto conhecido por muitos de nós. Não tratarei somente das dores alheias, mas dessa vez, também tratarei de algumas dores pessoais e profissionais.

Quem como eu, já passou por diversos tipos “dores agudas”, entende que a dor seja qual for sua intensidade na escala de 1 a 10, nos leva ao extremo das nossas sensações e muitas vezes nos leva aos nossos limites ocasionando decisões erradas e equivocadas.

A lista a seguir, é considerada pela medicina, como a lista das dores “mais extremas” (não necessariamente nessa ordem). Obviamente não sabemos como cada pessoa irá reagir a dores causadas por diferentes doenças, por isso é uma lista subjetiva.

A lista

Pedra nos rins, obstrução UPJ (junção ureteropélvica), neuralgia do trigêmeo, fratura óssea, ataque cardíaco, dor pós-cirúrgica, enxaqueca, dor de parto, Câncer nos ossos, endometriose, herpes zoster, ombro congelado (capsulite adesiva), síndrome de dor regional complexa, fibromialgia, gota Cefaleias em salvas ou cefaleia suicida, dor ciática, abscesso dentário, queimaduras graves e outras mais.

 Um toque pessoal

Eu pessoalmente, fui muito “honrado” com as cinco primeiras da lista. Minha experiência pessoal vem se acumulando nos oito últimos anos quando sofri um acidente de moto com várias fraturas e cirurgias. A seguir, neuralgia do trigêmeo, linfoma e ataque do miocárdio entre outras.

Felizmente, minha experiência tratando de dores alheias como advogado e especialista em primeiros socorros em emergências de hospitais e ambulâncias é muito maior do que minha experiência pessoal com as dores.

Eu aprendi que a dor alheia pode ser tão forte quanto as dores pessoais, especialmente quando quem está sofrendo é uma criança.

Propositalmente deixei fora do âmbito do artigo, as dores emocionais como a dor da perda de um filho ou de um ente querido.

Uma dor diferente

Como advogado, aprendi a conviver com uma dor distinta; a dor da impossibilidade de ser indiferente ao sofrimento alheio especialmente quando eu sinto que talvez, de alguma forma poderia ter feito mais e melhor para evitar o sofrimento de uma pessoa ou mesmo de uma família.

O exemplo abaixo é verídico, mas obviamente sem detalhes reveladores das verdadeiras identidades.

O preço da teimosia

Um casal procura o advogado para chegar a um acordo de divórcio amigável. A tensão entre os cônjuges é clara e apesar da tentativa em manter um acordo aceitável entre as partes fica evidente que os dois trazem dentro de si uma verdadeira bomba emocional prestes a explodir.

Mesmo depois de horas de tentativas e explicações, o casal decidiu não chegar a um acordo comum e cada um resolveu procurar a sua “justiça” e o que acreditavam ser “uma briga justa”. Eles queriam uma solução que imaginavam ser correta para cada um a qualquer preço e cada cônjuge acreditava que sairia vencedor nessa batalha judicial.

Eu fui representante da esposa nesse caso e quando ele terminou, tive oportunidade de conversar com o juiz que foi o mediador (mediação não litigiosa) antes da entrada do processo.

O juiz me relatou sem entrar em detalhes, que tentou todos os caminhos possíveis e usou de toda sua experiencia que adquiriu nos 35 anos do seu exercício na profissão, mas infelizmente não conseguiu que o casal chegasse a um acordo.

Do meu lado eu também tentei de tudo com a esposa, explicando que não haveria vencedores e nem mesmo os advogados sairiam satisfeitos ou vitoriosos apesar de serem bem pagos; esse seria um caso em que só haveria perdedores.

Passaram-se cinco anos. O pai raramente pode ver os filhos e quando os vê, é somente sob guarda da assistente social; a mãe perdeu maior parte do imóvel com gastos exorbitantes de especialistas jurídicos, advogados, taxas tributárias e venda do imóvel em leilão.

No final, matematicamente falando, ela perdeu a mesma soma que poderia ter ganho em um acordo.

Os dois cônjuges perderam o bom emprego que tinham e hoje ganham muito menos em trabalhos temporários porque estão muito ocupados em sua pequena guerra para poder se dedicar a carreira.

Os filhos têm rancor imenso dos pais a quem culpam pelo desastre familiar e são elas, as crianças, as maiores perdedoras – as verdadeiras vítimas. A obsessão dos pais não os deixa enxergar os filhos como vítimas, mas sim como armas a serem usadas na interminável guerra pessoal.

Nós, os representantes jurídicos dos clientes, não somos responsáveis pelos erros alheios, mas tampouco conseguimos ficar indiferentes ao sofrimento de pessoas de bem, especialmente quando acontece o que denominamos de “destruição mútua e sistemática”.

O sentimento de frustração e perda são imensos, e são eles que causam a dor que sentimos como advogados. A frustração é tangente e acabamos vivenciando a dor dos clientes.

Em breve iremos publicar outros casos em que vamos detalhar sobre a dor; o mesmo tipo de dor pela perda e frustação de não conseguirmos mudar a realidade para nossos clientes que acabaram tornando sonhos em pesadelos.