O vídeo a seguir me foi enviado através de mídia social e achei que seria apropriado usá-lo no segundo da série de artigos que denominei A DOR.
Eu não tenho palavras para agradecer o dia em que decidi, aos 19 anos deixar tudo para trás e me mudar para Israel. Não fiz essa mudança por razões religiosas e nem por razões financeiras, mas simplesmente por ter me aficionado por Israel quando dois anos antes de minha imigração estive no programa “das laranjas” por um período de 2 meses.
Eu agradeço por cada momento em que tive a oportunidade de ingressar na universidade de Jerusalém, grato por terminar os estudos em duas faculdades diferentes e a seguir ingressar no exército israelense; grato por ter sido soldado raso e ter comandantes excepcionais e muito mais grato por ter sob o meu comando centenas de soldados em quem eu podia confiar a minha própria vida.
Quando eu cheguei a Israel não recebi quase nada da Agência Judaica, mas o pouco que recebi me permitiu vencer todos os desafios que muitos chamam de dificuldades.
Estou grato por não ter perdido nenhum soldado sob o meu comando, de ter tido a chance de visitar meus soldados feridos e suas famílias. Aprendi que a camaradagem vale ouro e eu estou grato por todo o ouro que recebi.
Estou grato em ter sido acolhido como soldado solitário por muita gente que não poupava esforços em me ajudar de várias maneiras. Muitas dessas pessoas são parte de uma grande família que guardo no coração até hoje.
Estou grato por ter filhos israelenses que não entendem uma palavra de português, nunca estiveram no Brasil e não compreendem por que eu as vezes, ainda me chamo sem perceber de OLEH CHADASH.
Estou grato pela comunidade israelense, pela amizade israelense, pelo país que me acolheu e que por ele eu dei o que tinha e o que pensei que não tinha. Eu não esperava receber muita coisa, mas, sempre quis de alguma maneira doar meu conhecimento e experiência a comunidade.
Estou grato por ter tido uma educação de primeiro mundo, falar diferentes idiomas, ter recebido minha vida numa bandeja de ouro depois de estar algumas vezes em perigo de vida eminente e nunca ter precisado me preocupar com os honorários médicos e hospitalares.
Estou grato pela oportunidade de ter salvado vidas quando me voluntariei para trabalhar em hospitais e em ambulância como paramédico. Estou grato por ver que a minha volta posso encontrar pessoas melhores e mais habilitadas do que eu que para mim são um exemplo de cidadania.
Infelizmente nem todos são gratos e a ingratidão que encontrei pelo meu caminho foi sempre algo que me causou uma DOR imensa.
A ingratidão daqueles que vieram para Israel somente para receber e não para doar absolutamente nada. A ingratidão daqueles que se acham com o direito e até mesmo com o dever de reclamar sem nunca tentar concertar o que está errado.
A ingratidão de muitos que por 13 anos receberam da minha organização voluntária ajuda jurídica gratuita e nunca acharam necessário dizer um simples obrigado. Dói ainda mais ver a ingratidão dos mesmos que depois de terem recebido ajuda se acham no direito de “cuspir no prato em que comeram”.
A beleza da gratidão é a mesma que a feiura da ingratidão e eu sou grato por ter na minha vida muito mais gratidão do que ingratidão.

