Resumo
Venha porque você sobreviverá a guerras, mas continuará convencido de que é a burocracia israelense que acabará matando você
Durante os meus 18 anos em Israel, precisei me reinventar inúmeras vezes. Não vou mentir: foi difícil.
Deixamos para trás pais envelhecendo, irmãos e, o mais doloroso de tudo, uma filha, um genro e cinco netos que nasceram nos Estados Unidos depois de nossa partida.
É extremamente difícil reconstruir a vida longe da cultura, dos hábitos e dos sistemas que conhecemos instintivamente e nos quais sabemos como agir.
Por isso, fiquei surpresa ao ver influenciadores que realmente admiro apresentando o novo benefício fiscal de milhares de shekels como um motivo para fazer Aliá.
Sim, é um incentivo. Mas, como todo adoçante, é temporário e, às vezes, deixa um gosto amargo depois.
Nenhuma quantia em dinheiro é capaz de eliminar o peso e as dificuldades de viver aqui — mesmo quando você está tentando fugir do antissemitismo.
Portanto, por favor, não venha porque o governo está oferecendo dinheiro.
Não venha porque o sistema de saúde é mais acessível.
Não venha porque a educação custa menos do que muitos acampamentos de férias judaicos no exterior.
Não venha apenas porque existem benefícios esperando por você no aeroporto.
Venha porque, um dia, você ouvirá seus filhos falando a língua dos nossos antepassados — discutindo em hebraico, cochichando sobre você em hebraico e, sim, até reclamando e xingando em hebraico.
Venha porque seus filhos poderão crescer e se tornar pessoas capazes de colocar este país acima de seus próprios interesses — mesmo quando discordarem de seus governantes e mesmo quando o preço dessa responsabilidade for dolorosamente alto.
Venha porque pessoas desconhecidas chamam umas às outras de “achi” — meu irmão — mesmo sem qualquer parentesco.
Venha porque, em Israel, o luto é coletivo — e a alegria também.
Venha porque, um dia, quando você estiver travando uma luta pessoal com Deus, talvez seja justamente um amigo secular que o ajude a reencontrar a fé.
Venha porque você poderá encontrar, na academia, um ex-prisioneiro da Guerra de Yom Kipur, e ele lhe entregará suas lembranças como quem transmite uma herança.
Venha porque você sobreviverá a guerras, mas continuará convencido de que é a burocracia israelense que acabará matando você.
Venha porque este país ainda está sendo construído. Porque é imperfeito, intenso e exaustivo.
Venha porque este lugar partirá o seu coração de maneiras que você jamais imaginou que um país pudesse partir.
Mas, pelo amor de tudo o que é sagrado, não venha pelo dinheiro.
Aliá não é uma parceria comercial entre uma marca e um influenciador.
Por isso, peço aos influenciadores: utilizem suas vozes — como sei que muitos de vocês já fazem — para falar sobre a Aliá de maneira equilibrada, responsável e verdadeira.
A Aliá não é uma promessa de vida fácil.
É uma escolha de pertencimento.
É assumir a responsabilidade de participar da construção do Estado de Israel, com suas alegrias, suas dificuldades, suas contradições e sua grandeza.
Nota: Este texto não foi escrito por mim. Trata-se de uma tradução e adaptação para os leitores brasileiros de uma publicação originalmente escrita, em inglês, por Ariella Bernstein.
Publicação original:
https://www.instagram.com/p/DYUNjc7N3Nl/
Perfil da autora:
https://www.instagram.com/ariella_bernstein/
A publicação original aparece vinculada ao perfil de Ariella Bernstein e contém a frase central “Aliya is not a brand partnership”.

