Infelizmente este é apenas um exemplo entre muitos outros semelhantes, que se verificam atualmente em Israel. Alguns dados foram alterados para preservar a identidade real dos personagens e a sua privacidade.
A história da Sra. White:
Durante os 10 anos decorridos desde a chegada a Israel, a Sra. White se viu obrigada a enfrentar alguns obstáculos. Ela veio a Israel com seu marido e três filhos. Todos se adaptaram muito bem, mas “havia algo de errado”, como ela me disse quando nos encontramos pela primeira vez.
Alan, seu marido, parecia distante e desinteressado da vida. Com o passar dos meses passou a se comportar de forma taciturna e impaciente, muitas manhãs ele simplesmente desaparecia, alegando que tinha que trabalhar ou compromissos urgentes. A Sra. White convenceu-o a se consultar com um médico, que não detectou problema algum, conforme Alan disse a ela quando saíram os resultados dos exames.
As finanças não estavam ruins, e as crianças estavam felizes. Mas ainda… havia algo no ar.
No entanto, há seis anos atrás Alan não retornou à sua residência. Ele sofrera uma deterioração física, tendo perdido muito peso, e se parecia praticamente incapaz de se concentrar em qualquer coisa. A Sra. White ficou muito preocupada, portanto fez de tudo para localizá-lo, e como resultado das buscas descobriu que Alan estava internado em um hospital.
Ele estava doente há algum tempo, mas omitiu isto de todos; ninguém sabia que, na verdade, ele estava morrendo. O falecimento se deu após algumas semanas, deixando três filhos menores de idade e sua esposa. Ele não tinha outros irmãos.
A Sra. White levou um bom tempo para se recuperar do choque, e teve que lidar o “lado burocrático da vida” pela primeira vez. As finanças estavam agora em ruínas porque a família dependia principalmente do salário de Alan. Seu seguro era em um valor quase irrisório, e após um ano o dinheiro acabou.
A Sra. White começou a se desesperar. Ela não tinha uma família com a qual pudesse contar, as crianças tinham muitas necessidades e ela se sentia muito solitária ao conhecer o Sr. Chon, um gentil “trabalhador estrangeiro” oriundo da Tailândia. Ele veio a Israel com uma espécie de delegação para aprender sobre as novas técnicas no ramo da agricultura, e tinha uma posição legal de um ano na empresa na qual havia sido treinado.
Eles tinham um bom relacionamento, então por que não se mudarem para o mesmo apartamento? Ao final do primeiro ano de relacionamento o Sr. Chon foi viver com ela – esta foi a pior decisão que poderiam ter tomado. As crianças estavam revoltadas; eles não podiam aceitar “aquele cara”.
O tempo passou e a Sra. White veio a romper com o Sr. Chon quando ele perdeu a sua posição na empresa. Ele teria que deixar o país já que o seu visto havia expirado após a perda do emprego, mas ele não queria voltar à Tailândia.
Alguns dias após o rompimento, Sra. White descobriu que estava grávida! Ela ficou desnorteada, soluçando horas a fio durante dias, jamais tendo considerado a possibilidade de um abortamento. Finalmente decidiu procurar Chon, e ele pôde ter uma esperança de poder permanecer em Israel, em se casando com a Sra. White.
Chon se comprometeu a cuidar dela (tinha uma boa remuneração), que tentaria se acertar com os seus filhos e muitas outras promessas. Ela aceitou o acordo e os dois se casaram em Chipre.
Eles estavam casados há poucos meses quando Chon novamente perdeu seu emprego, desta vez para sempre, de modo que seria obrigado a retornar à Tailândia por não ter meios de sobreviver aqui sem um salário decente ou um bom emprego. Ele sabia muito bem que a Sra. White não pretendia jamais ir viver na Tailândia e supôs de forma correta que, ainda que conseguisse um visto permanente, não haveria a certeza de que ele poderia encontrar um emprego com boa remuneração.
O tempo passava e Chon estava em Israel ilegalmente por estar sempre adiando o processo junto ao Ministério do Interior. O bebê foi uma bênção mas estava consumindo as economias da família. Chon estava recebendo um salário baixo embora aceitável, como funcionário de uma cozinha de restaurante, mas o trabalho era muito duro, e as longas horas de trabalho não estavam contribuindo em nada com o já comprometido equilíbrio familiar.
A nova realidade:
A família já não era mais unida, a Sra. White não teve mais uma vida normal, Chon quase nunca estava em casa, e quando estava, já não era gentil como antes.
A Sra. White tomou uma decisão – Chon tinha que partir. Ela encontraria um emprego de meio período e recomeçaria do zero. Mas e quanto ao sustento dos filhos? Chon sabia que estava em apuros, mas alegou que não podia sustentar o filho por estar vivendo sozinho e com uma renda baixa.
Procedimentos judiciais:
No Tribunal de Família a Sra. White foi representada por um jovem advogado, muito inteligente mas um pouco inexperiente. Ele aconselhou a Sra. White a não aceitar a proposta de Chon que consistia no seguinte: ele mandaria a ela 1.000 dólares a cada 3 meses da Tailândia; a criança poderia visitá-lo uma vez por ano (ele até mesmo concordou em pagar a passagem da mãe), e nada além disto.
Chon perdeu no tribunal, mas antes que uma ordem de proibição de saída do país fosse emitida, apenas alguns dias antes da decisão judicial, ele desapareceu.
Sra. White descobriu que ele havia retornado a Tailândia, deixando-a com um enorme débito decorrente das despesas judiciais.
Hoje em dia:
Chon está em local ignorado, tendo cortado todas as conexões com a criança e sua mãe. Acredito que ele vá retornar no futuro.
A Sra. White é batalhadora; está trabalhando em dois empregos para sustentar a sua família. Ela está se consultando com um psicólogo dos serviços sociais e enfrentando bem a situação. Já os seus filhos não são muito piedosos e sim – estão magoados e dificultando tudo alegando que ela “sempre toma as piores decisões”.
A vida como ela é:
Tome as suas decisões de forma ponderada, porque cada decisão que tomar terá uma influência considerável no decorrer de toda a sua vida.

