Caso 1 – um homem de princípios:
O Sr. Doe estava conduzindo seu novo veículo em Ramle (na periferia da cidade), quando subitamente duas cabras apareceram na frente de seu carro. O Sr. Doe acionou os freios o mais forte que pôde, mas era tarde demais. O carro bateu em uma das cabras com o espelho lateral do carro. A cabra foi pega de surpresa mas não sofreu ferimentos sérios, porém o espelho do Sr. Doe ficou seriamente danificado.

O Sr. Doe ainda se recorda do pastor correndo na sua direção e esbravejando por ele ter atingido a sua cabra, mas ao se certificar que o animal se encontrava em bom estado rapidamente “desapareceu”. O Sr. Doe correu atrás dele e tentou obter seu nome e outros dados, mas esta atitude não passou de uma grande perda de tempo, e também não obteve êxito em chamar a Polícia.

O automóvel era um BMW novo, e o valor do espelho era estimado em $ 1,000, o qual agora havia sido irremediavelmente danificado, como Sr. Doe soube depois.

Tentativas em vão e a ausência de resultados positivos:
O Sr. Doe tentou de tudo, desperdiçou dias perguntando sobre o pastor, tentou falar com o Ministério do Transporte e até mesmo com o jornal local. Ele estava decidido a “resolver o caso”. Quanto maiores são as expectativas, maior será a frustração.

O Sr. Doe teve alternativa a não ser investir em um novo espelho lateral; e ainda acabou recebendo uma multa de trânsito por conduzir o veículo sem esta parte do carro!

Ele era um homem de princípios, que acreditava na justiça e na lei, e por isto pagou um alto preço: não pelas suas convicções, mas por não saber escolher as suas prioridades.

Há ocasiões nas quais precisamos “ceder” – não podemos vencer. Este não é um ato de constrangimento, mas sim uma realidade. Se quisermos ser pessoas de princípios com expectativas irreais, isto nos levará a ultrapassar a fronteira do mundo real com o mundo fictício.

Sejamos sensatos:
Eu sugiro que você não ultrapasse esta linha e que se mantenha na realidade! Saiba que é impossível vencer batalhas perdidas; é surreal esperar que um pastor, morador de uma aldeia árabe, espere por você na porta da Delegacia de Polícia para se dar abertura a um inquérito policial, ou que este lhe apresente de bom grado a sua carteira de identidade.

O oposto seria mais possível. Se o Sr. Doe tivesse matado a cabra, sem dúvida o pastor teria chamado a polícia. Ele se certificaria de anotar o número da placa do carro do Sr. Doe, e ao final de tudo provavelmente iria processá-lo pelos danos causados.

Sim, este é o mundo real!

Caso 2 – um homem corajoso:
O Sr. Brown estava dirigindo há cerca de 20 minutos procurando por uma vaga de estacionamento em Telaviv, quando, de uma curta distância, viu uma vaga disponível. Ele se dirigiu ao local do estacionamento (no seu lado esquerdo) e lentamente começou a entrar na vaga entre outros dois automóveis, quando subitamente uma pessoa pulou na frente do seu carro bloqueando a sua passagem.

O Sr. Brown parou o carro, saiu e pediu educadamente que o sujeito se movesse (notando que ele não estava barbeado, que era alto e musculoso, parecendo assim uma pessoa nada amigável). Certamente o Sr. Brown entendeu que o sujeito estava esperando pelo seu amigo para ocupar a vaga, e não se surpreendeu em ouvir que o outro havia encontrado o local primeiro, mas ignorava a existência do direito de uma pessoa esperar por outra para estacionar, ocupando ao mesmo tempo a vaga pretendida.

O Sr. Brown estava certo – é ilegal, é injusto, mas é um fato que ocorre rotineiramente – principalmente em Israel. O Sr. Brown defendia rigidamente princípios próprios, e fez um discurso sobre o respeito ao direito do próximo de estacionar em uma vaga vazia, etc.

Ele se sentia bem educando aquele homem, mas infelizmente o sujeito não estava nem um pouco satisfeito. Ele respondeu com algumas expressões grosseiras! Agora Sr. Brown estava chateado bem como o outro sujeito, e sem qualquer pretensão de abdicar à vaga. Neste interregno o amigo chegou, mas o carro do Sr. Brown estava obstruindo a sua passagem. Após mais uma troca de palavras desagráveis, o Sr. Brown entrou com seu carro na vaga “à força”.

O Sr. Brown estava zangado mas nada disse. Ele se sentiu satisfeito por não ter sido um “frier”, como se diz em Israel, e saiu do local deixando atrás de si dois sujeitos jovens, mal educados e hostis. Esta era a sua vaga, ele tinha o direito de tê-la e não tinha medo destes dois valentões! Bom para ele.

Ter razão?
Sr. Brown voltou algumas horas depois ao seu carro. Ele ainda estava lá, mas havia algo de diferente. Na lateral do carro havia uma linha profunda, um arranhão profundo de uma extremidade a outra.

Para reparar o dano, Sr. Brown não pôde usar o seu seguro porque o valor para consertar o arranhão era um pouco mais alto do que o valor dedutível de $ 500. Consequentemente ele teve que pagar a despesa do seu bolso, e usar transporte público por dois dias até que o conserto fosse efetuado.

Se isto não bastasse, Sr. Brown perderá ainda mais dinheiro no futuro quando vender seu carro devido à desvalorização decorrente da pintura! Eu estimaria um total de $ 1000 em prejuízos, por uma vaga de estacionamento e alguns princípios.

Ter razão nem sempre é uma vantagem:
Certamente o Sr. Brown estava certo, mas ele não foi esperto. Ele pensava que ser corajoso era um privilégio – mas acabou sendo bastante dispendioso.

Sendo assim, devemos aprender que mais vale agir com sabedoria do que simplesmente “ter razão”. Não procure criar uma nova realidade se não estiver disposto a pagar o preço; e mesmo quando estiver disposto a isto, o ideal é ser mais sensato ao compôr a sua ordem de prioridades.