Quantos de nós precisam de um toque de despertar? Quantas vezes já não ouvimos “você está cego” ou “será que não enxerga o que está errado”?
Encontrando seu “príncipe encantado”
O famoso artista Michelangelo di Ludovico Buonarroti Simoni (1475 – 1564), um pintor italiano, escultor, arquiteto e engenheiro, foi o criador da estátua de David, esculpida na sua juventude, juntamente com a estátua de Moisés (1544) remanescente das principais esculturas até hoje.
O Moisés de Michelangelo consiste em uma descrição inerte da frustração e o desapontamento que Moisés sentiu quando de seu retorno do recebimento dos Dez Mandamentos no Monte Sinai, ao descobrir que seu povo idolatrava a estátua do bezerro de ouro.
Há quem afirme que, após ter concluído esta obra, Michelangelo sentiu ter alcançado tal excelência na sua arte que jogou as suas ferramentas, caiu de joelhos e ameaçou atacar a estátua com seu martelo gritando “Agora fale! “(“Parla“), por considerar que a vida era a última coisa que faltava na sua obra prima.
Como nesta história, você pode estar extremamente desapontado ao descobrir que, mesmo após “encontrar seu príncipe encantado”, ele pode não ser capaz de corresponder às expectativas – seu “príncipe” não é perfeito, portanto pare de buscar algo inexistente no seu parceiro, especialmente levando em conta que você, provavelmente, também tem seus defeitos.
Perdendo seu “príncipe” no casamento
Se insistir em encontrar um príncipe no seu parceiro, você pode acabar vivendo em frustração e desânimo, ou divorciado e solitário. Ceder é a palavra chave, a única solução. Reconheça as suas imperfeições, e desta forma poderá salvar seu relacionamento.
O problema é que a maioria dos casais divorciados não estão dispostos a isto e preferem responsabilizar um ao outro, excluindo-se da equação como se fosse possível culpar apenas a outra parte quando as coisas se tornam difíceis ou desagradáveis. Tenha em mente que você não pode controlar totalmente as reações alheias, mas tem a capacidade de dominar os seus atos e instintos, o que pode influenciar decisivamente o desenrolar de eventos futuros.
Às vezes é preciso renunciar
Dean encontrou Sally há 11 anos atrás, ambos eram divorciados e tinham filhos. Os filhos de Dean viviam com sua mãe, a ex-mulher de Dean. Sally, porém, tinha quatro filhos que viviam com ela e todos eram jovens, sendo que alguns estavam entrando na complexa fase da adolescência.
Dean era uma pessoa de cabeça quente, mas um excelente marido e pessoa, bem como Sally. Apesar de toda a sua benevolência, a combinação se tornou um tremendo desastre, tendo como consequência um feio duelo financeiro.
Dean tentou convencer Sally (a “rica”) a ceder e a não brigar pelo dinheiro, levando em conta as circunstâncias singulares nas quais os honorários advocatícios custariam mais do que “as diferenças” entre eles
Durante todos os anos de união Sally confiou em seu marido de forma plena, jamais suspeitando que ele estivesse roubando dela ou omitindo alguma propriedade ou rendimento.
Na faixa dos 50 anos Sally “se encontrou”. Ela enfrentava uma crise de meia idade, como contou a Dean, e seu desejo de se divorciar era tão intenso que a impediu de pensar claramente. Se isto não bastasse os seus filhos apoiavam esta decisão. Dean agia de forma a valorizar muito a disciplina, enquanto que Sally era muito permissiva, de modo que as crianças estavam muito satisfeitas ao se livrar da presença do padrasto.
Sally estava sob pressão de alguns “aconselhadores” (como já disse antes, o primeiro passo para se finalizar um casamento é ouvi-los). Todos sabiam o que era melhor para ela, e Sally não era uma pessoa forte, de modo que sucumbiu aos conselhos dos filhos, sentindo que devia dar a eles toda a atenção. Na verdade, porém, ela não compreendia que estava permitindo que os filhos decidissem com quem ela deveria ou não se casar.
Alguns meses após a separação e alguns dias antes da apreciação do Divórcio no Tribunal, Sally passou a acusar Dean de todos o tipo de coisas negativas. A lista se alongava até incluir “a questão financeira”. Aos olhos de Sally, Dean estava “interessado no seu dinheiro”. A partir deste ponto, obviamente, as coisas não poderiam tomar um rumo positivo.
Após dez anos de união a pessoa na qual ela confiava se tornou, aos seus olhos, um ladrão; não porque de fato ele tenha feito algo de errado, mas sim pelo simples fato de ela realmente pretender que as coisas se complicassem, como forma de comprovar que “ela estava controlando a situação”.
Dean ficou muito magoado. Ele não entendia de onde vinha tamanha raiva e suspeita, nem conseguia digerir todo o ódio exalado, quando apenas há alguns meses eles eram companheiros e o relacionamento era de plena confiança. Dean não entendia por que o dinheiro se tornara um problema.
Quando se deu conta da realidade, ele decidiu ceder, aceitou seus prejuízos e deixou o casamento com muito pouco. Dean compreendeu que jamais conhecera Sally verdadeiramente, e que desconhecia o seu vício pelo dinheiro, reconhecendo então o erro cometido ao se casar com ela
De fato, o dinheiro é uma bênção, um presente do Todo Poderoso, mas se uma pessoa não for cautelosa, pode se tornar uma maldição.
Encontrando o equilíbrio na sua nova vida em Israel:
Como em um casamento, você aprenderá rapidamente como a realidade israelense é diferente do que lhe foi passado antes de fazer Aliá. Isto não significa, porém que você foi enganado, mas sim que a realidade pode divergir das suas expectativas.
A sua percepção de Israel na vida cotidiana certamente se difere dos demais. As coisas que não lhe parecem importantes podem ser muito relevantes para outras pessoas, e vice-versa. O que você vê como um mau serviço ou uma resposta rude pode ser facilmente desconsiderada por outras pessoas, apenas pelo fato de estas “estarem acostumadas” com isto.
Israel está longe de ser um país perfeito, nem os israelenses o são, mas agora você é um deles, um de NÓS – portanto procure se acostumar com a ideia e trabalhe com as ferramentas que tiver à sua disposição para tornar este país um local melhor para se viver.
Tenha ainda em mente que você pode ajudar a sua família, e a si mesmo, a lidar com as dificuldades de adaptação, ao ensiná-los como escolher as suas prioridades, e sem esperar que a estátua de Moisés adquira vida própria.

