O Sr. Doe estava conduzindo seu carro em Tel Aviv em velocidade não superior a 50 km por hora. Era tarde da noite e as estradas estavam quase vazias. Atrás do carro do Sr. Doe havia outro automóvel, o seu único companheiro naquela estrada.
O Sr. Doe estava completamente sóbrio e tranquilo, sua esposa e filho também o acompanhavam na viagem, no banco de trás. Como se verificou depois a esposa não havia afivelado o cinto de segurança, e apenas o filho estava atendendo às normas de segurança exigidas nas estradas.
De repente, vindo do nada, um gato apareceu e atravessou a rua pelo lado direito do Sr. Doe, bem na frente do carro; e ele, em uma fração de segundo, virou o volante para evitar de ferir o animal. Como poderemos concluir esta foi uma decisão equivocada, já que o carro desviou para a calçada, batendo diretamente contra um poste de luz.
Como resultado do acidente, a esposa do Sr. Doe quebrou alguns ossos da face e da cabeça. Ela foi rapidamente transferida a um hospital, e após dez dias recebeu alta.
A Polícia chegou ao local; um especialista fotografou e redigiu um relatório detalhado quanto ao caso. A Polícia apreendeu a licença do Sr. Doe e ele foi compelido a comparecer no dia seguinte à Delegacia de Polícia.
No dia seguinte o Sr. Doe obedeceu à ordem, e após uma breve conversa com o Delegado em exercício, decidiu-se pela restituição da licença de motorista.
Três meses depois, Dr. Doe recebeu foi indiciado por três acusações: lesão corporal, direção negligente e uma outra acusação de menor potencial ofensivo.
O caso seria ouvido em três meses, como em geral acontece nestes casos, mas o advogado do Sr. Doe acabou criando uma “predisposição” com a Polícia.
A Polícia pediu uma suspensão da licença de 18 meses, além de um termo de prisão suspensa de três meses, e multa. Após 20 minutos de conversa, a Polícia ofereceu “apenas” seis meses de suspensão da licença.
Os advogados se esforçaram ao máximo, mas a Polícia manteve a opinião de que há dezenas de milhares de gatos nas ruas de Israel, e cabe aos motoristas se adaptarem a esta realidade.
O advogado do Sr. Doe achou que este seria um bom caso a ser levado ao Supremo Tribunal, alegando que o Estado deveria pôr fim ao fenômeno de animais perambularem pelas estradas. Fizeram até uma pesquisa das estatísticas de acidentes envolvendo animais, mas em desalento, verificaram que o número de acidentes consistia em centenas; alguns envolviam até mortes (a maioria no sul, quando um carro colide com camelos ou burros). Rapidamente mudou-se de idéia – não havia fundamento suficiente para se enfrentar uma batalha judicial no Tribunal de Apelações.
Já o Sr. Doe recusou um “novo experimento” no Tribunal, apesar do conselho de seu advogado em aceitar os seis meses de suspensão da carteira de motorista. Ele decidiu “revidar”, e nós bem sabemos que os Juízes de Direito têm o hábito de punir severamente os “maus motoristas” (como Sr. Doe); o magistrado já havia sentenciado antes contra outros motoristas, em casos que envolveram gatos e cachorros.
Na verdade o meu palpite é que o Sr. Doe não teve sorte no tribunal, e que ele pode ter perdido sua licença para dirigir por um período mais longo do que os seis meses anteriormente oferecidos.
Sejamos sensatos:
Assim sendo, se um gato atravessar na frente do seu carro pense bem antes de acionar fortemente os freios ou fazer algum outro movimento que possa eventualmente colocar alguém em risco, ou a si mesmo. Tudo o que poderá dispôr será de uma fração de segundos, seguida de anos de arrependimento.
E acima de tudo, esteja sempre alerta e dirija com cuidado! A vida é preciosa e não temos mais de uma!

