Quando me inscrevi na Faculdade de Direito eu tinha apenas uma profissão em mente: ser Promotor de Justiça. Desde então muita coisa mudou.
Eu queria ser um homem da Justiça, fazer com que criminosos pagassem o preço pelo cometimento de seus crimes resultando assim em uma modificação da sociedade, bem como ensinar aos criminosos que, na verdade, “o crime não compensa”.
Desde aqueles longínquos dias muita coisa mudou na minha abordagem pessoal e a minha opinião sofreu uma alteração drástica. A primeira coisa foi quando voltei dos USA e decidi me dedicar à nova organização. Logo descobri que de fato nunca tive vocação para trabalhar na Promotoria – eu sou um defensor nato (ainda que nunca tenha exercido qualquer função na Defensoria Pública).
Rabbi Elimelech Lizensk nos ensina: “Pelo contrário, Permita que nossos corações possam enxergar as boas qualidades dos demais e não as suas falhas, permitindo que todos falemos (e nos relacionemos) um com o outro de forma respeitosa diante de TI, livrando os nossos corações do ódio quanto aos nossos semelhantes…” É obviamente mais simples para nós julgarmos as outras pessoas e ver apenas os seus defeitos e más qualidades, do que procurar o lado bom e positivo dos que nos circundam, e por este motivo precisamos nos esforçar para fazê-lo, por não ser algo “simples e natural”.
Eu sinto que a parte mais difícil do trabalho é trazer as pessoas de volta à realidade, especialmente em um caso de Divórcio ou quando sou mediador. Henrik Ibsen escreveu: “Casamento! Nada exige mais de um homem” e acrescentou “Castelos no ar – eles são tão fáceis de se refugiar e sua construção é igualmente muito simples.” Eu aprendi que tirar boas pessoas de seu refúgio imaginário é a tarefa mais árdua no meu trabalho diário como advogado.
Eu não me excluo desta lista, e como advogado procuro sempre fazer uma checagem pessoal no sentido de assegurar que as emoções não predominem sobre a abordagem profissional. Não é fácil quando estou lidando com novos imigrantes que esperam que Israel vá realizar os seus sonhos pessoais, atender às suas aspirações religiosas, sua visão de um Estado Judaico ou seja lá o que fôr que sonham quando fazem Aliá – Quanto maiores as expectativas, maiores são as decepções.
O sistema legal é, por natureza, algo que não comporta emoções, o que por via de consequência permite que compreendamos facilmente porque pessoas emocionais são as mais vulneráveis e precisam de “um guia racional” na pessoa de um bom advogado, que saiba distinguir as emoções dos fatos concretos, as chances das esperanças, bem como que seja realista o suficiente para saber quando recuar, podendo-se salvar o que fôr possível.
Quando abordar a mim ou qualquer outro profissional do Direito, um cliente deve saber separar as emoções da questão em pauta. A primeira pergunta que se deve fazer é “Qual é o meu objetivo?” ou “O que eu realmente pretendo?”. O resto deve ser colocado a cargo do advogado, que sabe como alcançar os seus objetivos. Lembre-se que você determina a meta, mas o advogado indicará o caminho para concretizá-la.
Os israelenses podem ser muito rudes, e advogados e magistrados em geral se comportam desta forma, sendo pessoas altamente focadas em um único objetivo: Eles querem encerrar o caso o mais breve possível e da forma mais satisfatória possível. O problema é o conflito de interesses: enquanto o magistrado pretende encontrar a melhor solução para ambos os lados e de forma rápida, os advogados lutam pelos interesses pessoais de seu cliente, e inevitavelmente os interesses acabam colidindo entre si.
Como novo imigrante você deverá aprender a confiar nas pessoas
Você terá que permitir aos profissionais que desempenhem as suas funções da forma que acharem mais adequada, para que se alcance os objetivos. É impossível sempre atender aos desejos dos clientes, e como advogado eu nunca devo fazer promessas! A minha função é guiar as pessoas no sistema e encontrar as soluções mais viáveis para o problema existente, combinando experiência e conhecimento.
Eu compreendo que não seja fácil confiar nos outros, especialmente quando não se conhece bem o sistema, ou se existe uma dificuldade quanto ao Hebraico, mas é imprescindível que se confie na pessoa à qual você pede ajuda ou paga para receber orientação, caso contrário seu advogado terá que procurar resolver os seus problemas com base na sua abordagem de uma “vida tranquila” – e esta é a melhor receita para um desastre.


