O Sr. Doe, imigrante dos EUA teve bons anos em Israel. Depois de um breve período ele abriu seu próprio negócio e rapidamente foi bem sucedido.

Com isto ele achou que poderia pagar um imóvel em Israel, e a sua boa renda garantiu um bom empréstimo de um banco local. O imóvel que ele comprou era muito caro e os pagamentos mensais altos, mas suas condições permitiam este luxo. Assim sendo, ele se tornou dono de um imóvel, o banco fez um bom lucro e os seus dois fiadores se sentiam seguros já que o Sr. Doe era não apenas um amigo mas também um bem sucedido homem de negócios.

No entanto depois de um ano ele adoeceu e não pôde mais trabalhar diariamente, de modo que contratou um gerente que ficou responsável por toda a burocracia. Isto foi o suficiente para causar uma tragédia no negócio, já que este ainda era muito recente para ser gerenciado por qualquer outra pessoa.

As dívidas aumentavam a cada dia, mas os lucros não seguiam a mesma tendência. Quando o Sr. Doe voltou em tempo integral ao negócio descobriu que os juros incidentes sobre os empréstimos tomados na sua ausência para manter o negócio estavam muito além dos possíveis rendimentos da empresa.

Neste momento ele decidiu que chegara o momento de fugir para os EUA, e não havia nada que o impedisse pelo fato de não ter sido ajuizada ainda nenhuma ação contra ele, e portanto nenhuma restrição de saída do país (Tsav Ikuv Yetsiá Min Haaretz) havia sido emitida.

Os amigos começaram a se preocupar quando começaram a receber cartas de aviso de diferentes bancos. Os fiadores ficaram especialmente preocupados e decidiram falar com o Sr. Doe, que imediatamente os tranquilizou alegando que, se algo acontecesse, a garantia seria o próprio imóvel; ele pagara por 20% do imóvel, pegando empréstimo para quitar apenas 80% do mesmo, o que teoricamente teria coberto eventuais prejuízos.

Após mais alguns meses o Sr. Doe deixou o país, deixando para trás uma enorme quantia em dívidas, e o banco que lhe concedeu o empréstimo para compra do imóvel foi o primeiro a agir, processando os fiadores pela quantia integral que faltava para quitar o valor emprestado.

Para desespero dos fiadores eles descobriram, após ter contratado um advogado, que os 20% pagos pelo Sr. Doe não eram suficientes para cobrir todas as despesas que o banco exigia.

O banco tentou cobrar a dívida do Sr. Doe, mas isto se revelou impossível por uma série de motivos, de modo que o banco pôde passar a cobrar o valor dos fiadores.

O imóvel foi alienado em um leilão público, e após todas as deduções (tais como honorários advocatícios e despesas processuais), os fiadores, por meio de seu advogado, acabaram pagando o equivalente a 2% do valor da propriedade, que chegou a aproximadamente $12,000 ($24,000 no total).

Por que os fiadores ainda tiveram que pagar se o Sr. Doe pagou em espécie 20% do valor?

Porque ele pegou um empréstimo com um período de carência de um ano (sem pagamentos mensais no primeiro ano). Depois que este período chegou ao fim ele deixou de pagar o que devia por pelo menos 6 meses, durante o tempo em que esteve doente. Quando o caso finalmente foi concluído, haviam se passado 2 anos desde que um pagamento havia sido feito. Além do mais, quando um banco recebe a autorização do tribunal para alienar um imóvel em leilão público, o preço nunca corresponde ao real valor de mercado.

Quando um imóvel é vendido desta forma, o valor perde cerca de 10 a 15% do valor. Em se acrescentando os juros ao banco, despesas do tribunal e honorários advocatícios, a perda por superar os 20%.

O que os fiadores poderiam ter feito para minimizar seus danos?

Da nossa experiência chegamos à conclusão de que, quanto mais rápido se age, menos danos se terá. Assim que o fiador nota que problemas estão acontecendo (o que pode ser por meio de uma carta ou conhecimento pessoal sobre a situação do devedor) ele não deve hesitar em se comunicar diretamente com o devedor e falar com a família se necessário. Mas primeiro deverá procurar um advogado especializado no ramo.

No final das contas sempre existe um risco de que o fiador tenha que pagar parte do débito, mas se um acordo puder ser alcançado com o banco, de preferência antes de qualquer procedimento judicial, há mais chances de o prejuízo financeiro ser menor.

Todos podemos ser fiadores ou precisar de fiadores algum dia, e a chave para mininizar o potencial de perdas nestas situações é estar ciente quando algum problema estiver sinalizando, e contatar um advogado qualificado no assunto imediatamente.