Antes de entrar nos detalhes do caso, eu gostaria de enfatizar a importância da independência financeira em Israel ou em qualquer outro lugar do mundo. Os nomes e dados pessoais dos envolvidos foram alterados em respeito à sua privacidade.
Os fatos
Esta é a história de um casal brasileiro (nós já vimos pessoas de outras nacionalidades em situações semelhantes), que eram novos imigrantes em Israel.
Rose, 22 anos, finalmente encontrou seu “príncipe”, Richard, de 24 anos. Em um clima de romance decidiram viver juntos “para sempre”, em São Paulo.
Após 12 meses, o casal, cujos pais eram judeus mas as mães não eram (portanto não eram considerados judeus), decidiu se converter ao Judaísmo e fazer Aliá no ano de 2004.
Neste interregno o relacionamento se deteriorou consideravelmente, com gritos se tornando ameaças, até que finalmente as ameaças se tornaram agressões físicas contra Rose.
O casal, desesperado por encontrar uma solução, frequentou sessões de terapia de casal, e como resultado o relacionamento se tornou menos tenso. Rose deu à luz a um menino no final de 2008.
Ela tinha um emprego de meio período até a descoberta da gravidez, quando decidiu, por conta própria, parar de trabalhar e se dedicar à gestação e ao bebê que estava esperando.
No entanto, as finanças se tornaram um grande fardo para Richard, que passou a pressionar Rose constantemente a trabalhar em algo que pudesse ajudar a equilibrar as despesas. A pressão e a agressão física novamente se revelaram uma opção para Richard, que retomou o uso da violência física contra Rose com certa frequência.
Rose nunca se preocupou com aspectos técnicos, não tinha um cartão de crédito próprio e tinha pouco ou nenhum controle sobre o saldo da conta bancária, além de sempre assinar os documentos necessários ao aluguel, eletricidade, etc, assumindo toda a responsabilidade. Já Richard, ao que parecia, vinha planejando os movimentos a serem feitos posteriormente.
O menino nasceu em Israel, foi registrado no Ministério do Interior e também no Consulado Brasileiro, mas os pais jamais pediram um passaporte para ele, fosse brasileiro ou israelense.
Certo dia Richard passou dos limites, agredindo Rose com muita intensidade na face. Ela correu então de sua casa até a Delegacia de Polícia próxima, e Richard foi preso imediatamente, tendo passado 48 horas encarcerado. Depois deste período ele foi liberado, porém proibido de se aproximar da residência pelas próximas duas semanas.
Para ele esta medida não consistia em um grande problema já que ele tinha dinheiro, alguns bons amigos em Israel e também ajuda da sua família do Brasil. Já para Rose foi um verdadeiro pesadelo, já que ela não tinha dinheiro nem emprego, tinha poucos conhecidos em Israel e a sua família no Brasil também não tinha meios de ajudá-la financeiramente.
Passados dois dias, Rose não tinha dinheiro para comprar comida ou se sustentar e a seu filho. Em desespero pediu que a Polícia cancelasse a proibição quanto à aproximação de Richard, pedido este que foi atendido, mas que não interessou a Richard. Ao invés de retornar à sua casa, ele deu à mulher um pouco de dinheiro para alguns dias, e no final da primeira semana Rose recebeu uma carta do advogado de Richard.
A proposta era simples: Rose deveria renunciar à guarda da criança em favor de Richard e voltar ao Brasil imediatamente. Ela receberia a passagem aérea, mil dólares por mês durante o período de três meses, e depois disto estaria por conta própria.
Ela tentou sair do país com o auxílio de uma instituição sem fins lucrativos, mas a falta de um passaporte israelense impossibilitou a criança de viajar. Ela retornou à sua casa com o coração partido, e em desespero.
Após alguns dias procurando ajuda e sem obter sucesso ela assinou o contrato, sentindo que seria o melhor para a criança sob aquelas circunstâncias, e voltou ao Brasil. A partir de então nada mais se soube dela.
Já Richard está à beira de um colapso. Ele não pode trabalhar em tempo integral e criar o filho. Os amigos estão ajudando, mas esta não é uma solução permanente. Se os assistentes sociais souberem que a criança está sendo mantida na casa de pessoas diferentes a cada 2 dias, e que não tem uma residência fixa nem alguma estabilidade, poderão retirá-la da guarda do pai.
Rose foi muito ingênua e nunca planejou bem a sua vida. Ela nunca pensou que passaria por uma situação de “separação complicada”, e se permitiu ser uma mulher totalmente dependente sem nenhuma “carta na manga”.
A parte mais triste é que a criança pagará o preço mais alto por esta sucessão de erros e de irresponsabilidade.
Conclusão:
Desta narrativa, portanto, podemos concluir que não devemos nos permitir entrar em uma situação sobre a qual não temos algum controle. É preciso se preparar antecipadamente, legalmente, emocionalmente e tecnicamente, afinal de contas, é perfeitamente possível estar junto com outra pessoa e ainda ter uma certa independência.


