Este é o segundo artigo da série, sobre este assunto tão intrincado – o processo de imigração.
Israel tem uma grande diversidade de pessoas que vieram de boa parte dos países ao redor do mundo. Uma Aliá bem sucedida varia para cada pessoa, e como tudo na vida, tem coisas boas e ruins. Para aqueles que tiveram sucesso na sua adaptação é fácil dizer que a imigração deve ser incentivada para que se consiga que cada vez mais pessoas façam Aliá.
Eu concordo que nós não devemos tentar parar de incentivar nas pessoas fazer Aliá, porém, atualmente as táticas utilizadas são equivocadas. Assim sendo se presta um desserviço ao processo de imigração e se prejudica os novos imigrantes que chegam a Israel acreditando em um sucesso rápido, quando rapidamente se dão conta de que as coisas não são bem assim.
Consequentemente um grande número de novos imigrantes acaba retornando ao seu país de origem já nos primeiros anos chegada a Israel. Outros se esforçam muito para enfrentar os obstáculos inesperados, como forma de fazer do processo de adaptação algo mais possível.
O número de histórias tristes que acumulamos durante estes anos é gritante. Muitos destes casos foram resultado de uma Aliá mal informada ou um simples mal entendido devido a pessoas que trabalham nestas organizações.
Este é apenas um entre muitos exemplos:
Idioma:
Depois de dois semestres de curso noturno de Hebraico em uma faculdade nos EUA, Sally o largou porque alguém de uma destas organizações disse a ela que “não havia porque aprender Hebraico de americanos, já que os israelenses falavam de forma diferente e ela poderia aprender em Israel gratuitamente quando chegasse a Israel.”
Assim sendo ela chegou a Israel sem saber os conceitos básicos em Hebraico, e por alguns motivos não pôde receber o Ulpan gratuito até mais de um ano de sua chegada. Isto foi o suficiente para causar a ela muitas dificuldades, inclusive porque no ulpan se ensinava a ler e escrever, mas não uma conversação em Hebraico. O fato é que ela teria muito mais facilidade se tivesse concluído o curso, e depois fosse estudar em um ulpan.
Encontrando um emprego:
Na minha opinião, além de se aprender o idioma, a procura de um emprego é uma das formas mais simples de se abreviar uma assimilação mais simples à sociedade israelense.
Nenhuma das organizações que lida com Aliá prepara os novos imigrantes com os fatos verdadeiros de se encontrar emprego em Israel depois de sua chegada, e as dificuldades são enormes, principalmente em se tratando de pessoas com idade superior a 40 anos. Na verdade estas organizações vêm omitindo ou negligenciando quanto a determinados fatos essenciais ao futuro do novo imigrante. O fato de ser americano, sul-americano ou europeu não faz com que ninguém seja o candidato ideal; saibam que na verdade a maioria dos empregadores não vê isto. Tenha em mente que o seu currículo não vale a ouro só porque você vem de outro país.
Outra coisa: o mercado de trabalho israelense é muito discriminatório. É muito difícil encontrar um emprego para uma pessoa maior de 45 anos e que não prestou serviço militar ou serviço nacional, e muitos bons profissionais retornam ao seu país de origem devido ao fato de não terem conseguido juntar dinheiro para sustentar suas famílias em Israel apenas com empregos temporários ou de baixa remuneração.
Eu acredito que se tivessem ouvido a verdade sobre estas dificuldades talvez pudessem se preparar melhor, ajustando melhor à realidade as suas expectativas e suas buscas por um emprego.
Muitos imigrantes vieram a Israel sem se planejarem adequadamente no que se refere a finanças, para tempos mais difíceis. Eles não tinham meios de sobreviver entre a busca por um emprego ou empregos com baixa remuneração. Nunca lhes foi dito que eles teriam que aceitar os empregos disponíveis, inclusive com uma grande possibilidade de terem que mudar de ramo.
Sejamos sensatos:
É imprescindível que se disponibilize algum meio de comunicação a imigrantes potenciais que de fato reflitam as dificuldades da vida em Israel.
Este pode ser o lar de muitos de nós, mas isto não garante que a Aliá seja bem sucedida para todos. Os imigrantes em potencial devem se se basear em dados concretos, refletindo a realidade do que podem vir a enfrentar quando de sua Aliá.
Em suma: a ênfase das organizações que tratam deste assunto deve ser em como manter os novos imigrantes em Israel, e não em atrair aleatoriamente o maior número de pessoas possível esperando que todos se adaptem perfeitamente.


