Você que está planejando sua mudança para Israel ou vocês recém-chegados que ainda não se ambientaram, esse artigo foi escrito para vocês com a intenção de “jogar um pouco de luz” no abismo cultural que existe entre as duas mentalidades: A do brasileiro e o Israelense, e evidentemente estamos falando de um modo geral e generalizando propositalmente, mas é claro que cada indivíduo pensa e age de acordo com sua percepção.

Na sauna:

Eu fiquei em um hotel em SP que tinha entre outras uma sauna muito boa. Quando uma conhecida (não íntima) me ligou me convidando para um café eu ofereci para nos encontrarmos no restaurante do hotel e ofereci que ela usasse a sauna e a resposta não tardou: “Espero que você tenha entendido que o convidei para um café, como gesto cordial, o que é comum no Brasil.

Responder com um convite pra sauna, aqui, é ofensivo para uma mulher”. Pois é, em Israel a resposta imediata (se fosse positiva) seria: “Legal, posso trazer uma amiga ou duas”?

Na farmácia:

Fui comprar um remédio em uma farmácia em SP, uma pomada que contem antibiótico –  claro que fui com uma receita de um médico, mas isso não é suficiente para se comprar uma pomada, não no Brasil. A farmacêutica, opsss, não a farmacêutica, mas a vendedora que não é como em Israel bacharel de farmacêutica, me pediu CPF, CEP, e ainda o número do RG!!! Se você fez o crime de ser turista, como se diz “está frito” porque não terá nada para apresentar.

O problema ou o absurdo da situação é que a 100 metros de onde estava, em uma área controlada pelo governo do estado e polícia, você pode comprar qualquer quantidade de drogas perigosas (cocaína, crack, lsd etc) em 1 minuto sem apresentar nenhum documento. É o absurdo da realidade separadas por 100 metros somente.

Em Israel, você compra até barbitúrico com uma receita médica e seu cartão do convênio, pagando 15 shekels e vai para casa sem ser interrogado.

No aeroporto:

Estava na fila comum para check-in quando percebi que do meu lado tinha uma fila para “prioritários”, sim, prioritários e eu me acho me prioritário por estar inválido e andar de bengala, mas a moça que me atendeu não concordou e perguntou se eu já fiz 60 anos! Sério? E porque você acha que é da sua conta eu perguntei como qualquer israelense desaforado. Ela com muita calma e segurança me explicou que a fila é somente para prioritários por lei!

Perguntei a ela se ela sabia que lei era ou se alguma vez ela olhou para o sinal enorme colado no balcão dela onde se vê um símbolo azul de cadeira de rodas significando: Necessários de ajuda!!

A menina não gostou, mas antes de eu dar um banho nela veio o responsável e explicou que eu tinha direito de estar na fila. Se acontecer com você em Israel não pense duas vezes, mande a funcionária chamar o chefe dela ou a polícia ou se mancar e te atender logo!

No teatro:

Chegando minha vez na fila a vendedora me perguntou se era meia ou inteira! Disse meia e ela (não vão acreditar) pediu minha identidade!! Eu não dei e disse que não tinha 60 anos, mas era inválido, aleijado…pronto, aí veio o “sermão da montanha” e me diz com voz bem baixa “senhor, aqui não se diz inválido ou aleijado, mas sim portador de necessidades especiais”.

Fazer o que? Sou israelense e respondi logo que eu sou inválido e me denomino como eu quiser quando eu quiser e não tenho necessidade especial, mas sim uma perna cheia de parafusos.

Infelizmente em Israel começamos com essa palhaçada de “politcal corect” mas mesmo assim, se alguém ousar a vier com essa conversa fiada, pode mandar ele catar milho.

Na fila:

Como em Israel, no Brasil também tem “fura-filas”, mas são menos “cara de pau” e mais educados. Você não caia nessa! Se alguém passar na sua frente em Israel, use os cotovelos e não seja educado ou vai esperar muito na fila.

Na pizza:

Essa é demais porque além de comer com garfo e faca, o brasileiro é servido (em restaurante) pelo garçom. Quando o pedaço de pizza no meu prato acabava, o garçom aparecia do nada e me servia outro pedaço.

Se você espera esse tipo de serviço em Israel vai ficar faminto! Outra coisa, em Israel a pizza é 20% queijo e 80% massa e no Brasil ao contrário (na minha opinião deixa a de Israel longe).

No banco:

O serviço é péssimo e demora, mas te recebem muito bem e em Israel ao contrário. Os gerentes são rabugentos e mal-educados, mas você resolve qualquer problema com eles (se souber hebraico).

Os SABRAS – Uma palavra de sabedoria:

Não adianta você tentar ser brasileiro em Israel ou Israelense no Brasil. Quanto mais “abrasileirado” vai querer ficar, mais tempo e mais dolorosa será sua absorção e por isso assim que chegar em Israel levante as mangas, prepare os cotovelos e se lembre que você faz parte do clube dos SABRAS – cheio de espinhos por fora e muito doce por dentro.