Esse é o primeiro de uma série de artigos onde conto casos verídicos com um mínimo de críticas ou observações, deixando os leitores lerem e chegarem, por si mesmos, às conclusões que acharem corretas.
Não serão artigos pesados – ao contrário, serão hilariantes à primeira vista, porém de imensa tristeza quando chegarmos à conclusão que a realidade nua e crua é simples: Algo está errado no “Reinado Brasileiro” e uma revisão drástica no modo de pensar do brasileiro em geral e os novos imigrantes em particular, é mais do que necessária.
Todos os casos são verídicos, todos são brasileiros (as), e todos são novos imigrantes dos últimos 5 anos, porém omiti qualquer detalhe da identidade real dos personagens para que a privacidade deles fosse respeitada.
Caso 1: Dirigindo em Israel
Maria e João (serão nossos personagens em todos os artigos), ambos com 32 anos, são pais de duas lindas crianças de 10 anos, fizeram Aliyah faz 5 anos, mas ainda não conseguiram dominar o hebraico até agora.
Eles vivem no norte de Israel e apesar das dificuldades e dívidas que conseguiram acumular, não querem voltar para o Brasil – estão bem em Israel obrigado.
Maria me escreve no WhatsApp parecendo um pouco preocupada (a mensagem é integralmente verdadeira) “Bom Dia Eu posso entrar em contato com você? Acho que estou com grandes problemas. Preciso da sua ajuda. Posso te liga?”
O caso: Maria foi levar as crianças ao colégio de automóvel, mas “esqueceu” de colocar o cinto de segurança nas crianças. Uma viatura da polícia que estava atrás percebeu que as crianças não estavam com o cinto e verificou no computador da polícia (que está em presente em todas as viaturas de patrulha) se o carro estava OK. Pois é, não estava e o carro não tinha passado pela inspeção anual (o famosso TEST) e por isso não deveria estar sendo usado.
O policial mandou parar o automóvel e pediu a Maria para apresentar o seguro obrigatório (Bituach Chova) e a licença de motorista (Rishion Nehiga) já sabendo que Test não tinha.
Logo veio a resposta da Maria: “não temos seguro porque não temos como pagar pelo seguro e não tínhamos como pagar pela inspeção e por isso não tenho nenhum dos dois”. O policial deve ter achado a resposta bem interessante e esperou receber da Maria a carteira de habilitação, mas Maria não pensou duas vezes e respondeu que não tinha e que na verdade nunca tirou uma carteira ou até mesmo aprendeu a dirigir oficialmente!
As infrações são: Dirigir sem habilitação (até mesmo cadeia), dirigir sem colocar cinto nos passageiros (mais sério do que o próprio motorista não usar cinto), dirigir sem seguro obrigatório, dirigir um automóvel sem inspeção em dia (Test) e se a promotoria quiser poderia acrescentar, pondo em perigo a vida de menores de idade (100% cadeia).
Uma observação minha. Se esse caso chegar aos ouvidos da assistência social, Maria e João podem ter que responder na vara de família onde o governo pode requerer que os pais perdam a guarda dos menores por estarem pondo a vida dos mesmos em perigo.
Os dois estão passando pela primeira etapa de uma acusação criminal (Ktav Ishum) por uma série de violações sendo que o caso do João é muito mais delicado e sua pena será mais pesada porque permitiu que Maria dirigisse seu carro que pelo menos a metade é dele. João ter impedido a Maria de usa-lo mas em vez disso consentiu, mesmo sabendo que ela não possuía carteira de habilitação, não tinha seguro ou inspeção, etc.
Maria “acha” que tem um problema e o João me disse (estou sendo exato): “Dr. Isso não é tão sério assim, tem crimes muito mais sérios em Israel“.
Até aqui um relato com todos fatos e poucas observações.
Gostaria de perguntar ao público o seguinte: “O que eu não estou entendendo”?
Até a próxima e infelizmente, haverá muitos outros a relatar.
Os próximos casos: Caso 2: Maconha no vaso, Caso 3: Só um tapinha, Caso 4: A muamba não era minha, Caso 5: O banco é culpado, Caso 6: Israel está fora pra mim.

