Este é um artigo bem diferente dos anteriores que escrevi e em primeiro lugar eu destaco a necessidade de lê-lo até o fim para poderem entender do que se trata.

Como muitos de vocês devem saber, há cerca de 3 anos atrás sofri um sério acidente de motocicleta que em termos médicos significou um trauma múltiplo. Consequentemente tive que me submeter a uma série de cirurgias, tive uma perda de audição, um olho ferido e duas pernas comprometidas, as quais mesmo depois de exercícios de fisioterapia me deixaram com uma certa falta de habilidade em uma delas.

Apesar de tudo, graças a D’s ainda posso andar e ter uma vida muito normal trabalhando ininterruptamente

Há alguns dias, fui diagnosticado com um linfoma tipo 3 (cancer), de modo que estarei iniciando essa semana tratamento quimioterápico para erradicá-lo.

Isto parece pessoal demais, mas qual a relevância para todos vocês?

Nos últimos 10 anos estive à frente da Voleh, e apesar de todo o “drama” que circundou minha vida em nunhum momento me recusei a ajudar a quem me pediu alguma ajuda, embora em épocas mais conturbadas tenha demorado um pouco mais a atendê-los. Sempre  me esforcei ao máximo para poder ajudar, e mantive em mente que cada um que se dirigia a mim tinha uma questão única e precisava de auxílio, e minhas dificuldades não seriam as responsáveis por deixar de fazê-lo.

Permitam-me observar, da experiência de participar nas últimas semanas de variadas discussões, que muitas pessoas que teoricamente estariam dispostas a “ajudar” os novos imigrantes, na verdade acabam por desencorajá-los ao invés de dar o suporte do qual estes imigrantes tanto precisam!

Vamos fazer um exercício: quando se olham no espelho e se perguntarem “o que estou vendo no espelho?”, que resposta vocês obtém? Suponho que para cada um esta resposta se difere, mas na minha opinião esta é: a imagem que cada um de nós opta por enxergar. Caso veja naquele espelho uma pessoa fracassada de forma permanente, este será o seu destino –  a não ser que mude de atitude!

Diante dos fatos que aqui expus, vocês devem imaginar que a minha imagem do espelho seja bastante pessimista, mas saibam que estão enganados: eu vejo na minha imagem em frente ao espelho nada menos do que um vencedor, não uma pessoa triste ou azarada.

Não me preocupa o que posso receber hoje, mas sim o que posso dar hoje e no futuro.

O que isto tem a ver com vocês? Simplesmente que, quando uma pessoa decide vir morar em Israel, deve se ver como alguém capaz de enfrentar as dificuldades, diariamente repetindo e acreditando que pode e vai vencê-las.

O problema é que já de início a grande preocupação é “quem vai me ajudar”, “o que o país poderá me fornecer”, “o que poderei obter dos outros no futuro”. Este comportamento em si já traz um grande potencial de fracasso de todo o processo de imigração e assimilação à sociedade israelense.

Nos últimos anos foram realizadas diversas pesquisas sobre a satisfação humana, e a conclusão foi que justamente a realização de alguns atos de caridade/bondade para com outras pessoas, por dia, aumentaram significativamente a alegria das pessoas. Nada de dinheiro, saúde ou a tão cobiçada liberdade. E bem… receber favores, pedir, se comportar como um bebê chorão e etc não são considerados atos de caridade, ok?

Caso você pretenda ser feliz, comece por abolir toda e qualquer expectativa quanto aos outros, já que apenas você tem a capacidade, se assim quiser, de encher sua vida de significado. Caso contrário, prepare-se para um tormento constante.

Ao chegar ao final deste texto você já deve ter entendido que o assunto é pessoal mas não somente. Seja como fôr, enfrentar a realidade com otimismo e vencer, exigindo apenas de mim mesmo este esforço e não acreditando que alguém me deva alguma coisa seja o que for.

De fato como qualquer ser humano tenho minhas recaídas, mas estas ainda são bem menos significativas do que o amor à vida.

Jamais ignorarei as bênçãos com as quais fui contemplado.

Saibam que podem continuar a contar comigo.