Esse artigo foi escrito originalmente em outubro de 2019, mas lendo em retrospectiva, nada mudou. Lei a e confira
Qual a relação entre a festa de Sukót e uma Aliá bem sucedida?
Você conhece os ARBAAT HAMINIM (quatro espécies): Lulav, Hadass, Aravá e Etrog? Diversas explicações são oferecidas como motivo para que estas espécies em particular tenham sido escolhidas para a mitzvá de Sukót. O Midrash nota que a associação das quatro espécies simboliza o nosso desejo de unir os quatro “tipos” de judeus que compõem este povo.
Uma alusão é feita se as espécies (ou seus frutos) possuem sabor e/ou cheiro, o que corresponde à Torá e às boas ações.
O simbolismo é o seguinte: O lulav tem sabor mas não tem cheiro, simbolizando aqueles que estudam Torá mas não fazem boas ações. A hadass tem um cheiro agradável mas não possui sabor, simbolizando aqueles que fazem boas ações, mas não estudam Torá. A aravá não possui cheiro ou sabor, simbolizando aqueles que não estudam Torá nem praticam boas ações. O etrog tem sabor e cheiro agradável, simbolizando as pessoas que tem estudam a Torá e também praticam boas ações.
O ato de segurar estas quatro espécies juntas representa a unificação que consiste no objetivo do Todo Poderoso para o povo judeu. O elo representa a conversão de um conjunto de indivíduos em um único povo, mais significativo do que cada elemento, tanto no que se refere à Torá quanto às boas ações; e muito mais merecedor das bênçãos do que cada um por si.
Como estas quatro espécies, a população israelense se compõe de muitas “espécies”. Aqui você poderá encontrar pessoas de todas as esquinas do globo, de todas as tradições, culturas e níveis de educação, sendo que todos coexistem em uma espécie de “semi-harmonia”.
Onde mais você pode comprar uma Pizza Americana vendida por um imigrante da Etiopia? Na Rua King George, em Jerusalém, perto do Falafel Yemenita e não distante daquele restaurante chique francês.
Pessoas diferentes, mentalidades distintas, comportamentos diversos, mas ainda assim um só povo – um só país. É melhor se adaptar a ele, e não procurar criar uma nova realidade para você mesmo. Não procure educár os israelenses e no máximo, mostre o melhor caminho que puder:
Quantas vezes você já tentou “educar” um israelense? A seguir menciono um exemplo que pode ajudar: Você vê aquele(a) homem/mulher furando a fila na sua frente e isto realmente não deveria acontecer, você então renuncia ao seu lugar? Ao invés de iniciar uma discussão, entre na frente dele(a), dizendo: “Desculpe, você estava certo(a), eu não estava suficientemente perto do próximo cliente, então você pensou que eu não estava na fila”. O que quer que faça está ok, mas não tente educar ninguém – é uma tremenda perda de tempo.
Você deve entender que aqui em Israel será minoria até finalmente se adaptar, se acomodar e sentir que pertence a este país. As pessoas sentem isto; elas saberão que agora você é um deles. Você está sempre se projetando aos outros, ao mesmo tempo que eles procuram entender “quem está diante deles”. Não deixe que pensem que eles são superiores a você ou que assumam o comando, mantenha o controle e não perca a cabeça porque, no momento em que isto acontecer, você terá fracassado!
Fique atento ao que lhe dizem e não à forma como estão falando com você:
Os israelenses podem ser rudes e dizer o que vem à cabeça. Isto não significa que sejam más pessoas, mas sim mostra uma falta de compreensão, parcas habilidades sociais, e nada além disto. Você deve se conformar que assim as coisas funcionam em Israel.
Assim sendo, ao invés de dizer àquele(a) funcionário(a) que ele(a) é rude e mal educado(a), ou jogar alguma frase do tipo “assim um funcionário civil deveria se comportar”, mostre-se chateado e magoado e diga em uma voz calma e lenta: “Estou realmente chateado por sua causa.” E daquele momento em diante até que o interlocutor diga algo, permaneça em silêncio. Garanto que existe uma grande possibilidade de bons resultados.
Pedidindo informações a Israelense pode ser algo bem difrente. Os israelenses se dividem em dois grupos distintos:
O primeiro é o grupo DMI (dou muitas informações ou em Inglês TMI “Too much information”). Você faz uma simples pergunta como: “Onde você mora” e a resposta é: “Eu moro em um lindo apartamento na Rua Herzl 28, em Raanana, terceiro andar com vista para o parque…”
O segundo grupo eu chamo de NFP (não faça perguntas), responderiam algo do tipo “Por que? Você trabalha para a KGB? Por que se importa? Por que precisa saber?”
Os novos imigrantes em geral se enquadram em algo similar ao primeiro grupo. Aconselho a todos que parem com este hábito, a resposta mais adequada a esta simples pergunta é se limitar a dizer o nome da cidade onde vive.
Conclusão:
Não procure ser uma pessoa diferente do que realmente é apenas com o intuito de agradar ou ser aceito. Ao invés disto, seja você mesmo na adaptação à nova vida e à nova realidade.
Uma pérola de sabedoria:
Pra quem sabe Hebraico eu quero deixar uma passagem do livro do Simha Raz “Setentas Faces da Torah”
כל שירה יש בה מזיגה של קולות שונים ונפרדים, שבהתחברם יחד הם יוצרים חטיבה שלמה מלאה חן ויופי. במקהלה יש מקום לכל מיטיב שיר ויודע נגן – זקן, בחור וילד, ובלבד שכל אחד יכוון דעתו אל השירה, לא יחרוג מן המסגרת אלא יכיר את מקומו ואת שעתו, כדי להשמיע את הקול היפה בזמנו.


