Este artigo não se refere apenas ao julgamento que fazemos dos outros, mas também à hipótese de isto ocorrer por parte dos demais indivíduos, quanto a nós. Ele foi redigido em termos gerais e não tem a intenção de ofender quem quer que seja, mas sim pretende mostrar alguns traços peculiares dos israelenses em geral

 

Suponho que a maioria de nós não gostaria de ser visto como um julgador rigoroso, e que certamente não gostamos quando os demais nos julgam ou tecem comentários desagradáveis. Julgar as pessoas pode levar à criação de estereótipos, rumores, ódio, e até mesmo a um eventual fracasso do processo de Aliá.

 

Cabe ressaltar que julgar os demais não significa, necessariamente, que nos referimos apenas às ações, ao comportamento ou à aparência física, mas sim inclui a forma de falar, se vestir, se alimentar, etc.

 

Para algumas pessoas até mesmo uma singela crítica construtiva pode ferir seu ego, e para outros, a crítica pode ser algo muito doloroso, que causa muita angústia.

 

Por mais difícil que possa parecer nós devemos admitir que os israelenses frequentemente julgam os outros indivíduos, obviamente sem poupar os novos imigrantes. A pior parte são os comentários estúpidos no que se refere a qualquer assunto porque “eles sabem melhor”, concedendo a si mesmos o direito de julgar os demais com alguma propriedade.

 

Nem todos os “julgadores” têm a possibilidade de financiar uma terapia de longo prazo ou está ciente de ter algum problema psicológico; como resultado disto, muitos de nós agimos de forma a ignorar, involuntariamente, o dano causado a nós mesmos, às pessoas que nos amam e ao nosso círculo de amizades.

 

Neste ponto eu gostaria de enfatizar que este artigo não possui meios de abordar o problema de um ponto de vista profissional e nem pretende fazê-lo. No entanto ouso afirmar que os israelenses deveriam tentar pensar em aspectos mais positivos sobre as pessoas, principalmente os novos imigrantes, ao invés de priorizarem o pessimismo com tanta frequência.

 

Talvez, se eles pensassem sobre a origem dos novos imigrantes, pudessem se conscientizar da sua vantagem, apesar dos problemas que se enfrenta diariamente na vida israelense. Deveriam levar em consideração que os novos imigrantes chegam a um país estranho, passam por dificuldades para se adaptar à nova sociedade e vivem em constante estado de alerta e até mesmo de guerra; isto sem esquecer que os novos imigrantes precisam se esforçar bastante para enfrentar os obstáculos, aprender um novo idioma e encarar uma nova mentalidade, acrescentando-se a isto privações de necessidades básicas em alguns casos.

 

Todos devemos procurar ser gentis com as pessoas no que se refere às nossas palavras, ações e pensamentos, mas não temos meios de obrigar ninguém a consentir com este conceito, já que a decisão deve partir de cada indivíduo.

 

Os novos imigrantes são o que são, “novos no jogo”, e como bem sabemos os recém-chegados em geral trazem consigo suspeitas. Você não precisa concordar ou aceitar um tratamento desrespeitoso, mas saiba que se tentar educar estas pessoas ou assumir a postura de “julgador rigoroso” apenas causará uma tensão ainda maior e sem resultados aproveitáveis.

 

Como podemos ser menos rigorosos?

 

Há algumas maneiras, e como eu disse, não sou um profissional da área, mas penso ter encontrado uma solução boa e simples, a qual estarei descrevendo a seguir:

 

Procure entender as pessoas ao invés de julgar alguém pelo que fez ou pela aparência, coloque-se no lugar delas. Procure imaginar de onde vêm, e se possível, fale com elas.

 

No momento em que pensar que começou a compreender, procure aceitar. Aceite aquela pessoa pelo que ela é, sem tentar modificá-la. Aceite que ela agirá da forma que achar melhor, sem desejar que haja uma mudança. Caso não aja desta forma terá grandes chances de viver em um mundo dominado pela frustração.

 

Você pode ser perspicaz e sem um rigor excessivo na sua análise. A diferença entre estes dois conceitos é a capacidade de reconhecer diferenças objetivas entre as atividades, pessoas, objetos, etc, levando em conta os aspectos relevantes.

 

Por exemplo: uma pessoa com discernimento reconhecerá diferenças no talento musical de cantores, enquanto que uma pessoa menos habilidosa não terá esta possibilidade. Para uma pessoa mais rigorosa em seus julgamentos, um cantor menos competente parecerá inferior não apenas no que se refere à sua atuação na interpretação da canção, mas também na mais básica dimensão de ser humano.

 

Sejamos sensatos:

 

Há que se ter em mente que nós vivemos sob os mesmos privilégios e aborrecimentos ao compartilhar esta terra dada pelo Todo Poderoso. Os israelenses de hoje são o que você pode vir a se tornar daqui a alguns anos, esperando-se porém que você possa “aprimorar” a parte do rigor no julgamento obviamente.

 

Preocupe-se sempre que a sua vida e sua carreira estejam caminhando na direção correta, tratando-se de uma preocupação quanto a você e sua família, e não quanto aos outros.

 

Julgar os outros é bobagem já que você só pode ter a certeza de estar ciente de uma parte muito limitada e restrita dos fatos em comparação ao seu semelhante, que vive a sua própria realidade. Lembre-se: além de você, quem se importa com a sua opinião afinal?

 

Finalmente, aconselho a todos evitar o ato de enaltecer a si mesmo ao pensar: “Fico feliz de não ser rigoroso como esta gente severa e hipócrita ao meu redor.”