Este artigo tem o potencial de se tornar uma questão explosiva, e tenho certeza que surgirão comentários; portanto, ele está aberto a qualquer observação que se queira fazer.
Aqui estarei tentando me ater apenas ao “abuso verbal”, mas de qualquer forma seremos obrigados a abordar algumas outras formas de abuso também.
O que é o abuso verbal? (Por Dr. Jay Grady, Ph.D.)
“Podemos definir o abuso verbal como palavras que atacam ou ofendem um indivíduo, que possam ocasionar a crença de alguém em algo inverídico ou palavras que falam falsamente de uma pessoa. O abuso verbal constitui uma forma de violência psicológica. Ele tem um potencial de dano ao espírito. Ele retira a alegria e a vitalidade da vida. Embora seja impossível estimar o número de pessoas em relacionamentos com abuso verbal, podemos supôr que milhões de pessoas ao redor do mundo estão limitadas na sua alegria. Por que? Porque a baixa auto-estima e a falta de confiança podem ser um resultado direto ao se ter sido minado pelo abuso verbal.”
A definição de conformidade com a Lei Americana
“Abuso verbal é o uso de palavras para causar danos à pessoa a quem se está dirigindo. Isto é difícil de ser definido, e pode tomar algumas formas. Similarmente, o dano causado em geral é muito difícil de ser mensurado. A forma mais comum são os “xingamentos”. O abuso verbal pode consistir em gritar, insultar, intimidar, ameaçar, envergonhar, humilhar ou usar uma linguagem depreciativa, entre outras formas de comunicação.”
A definição segundo a Lei Israelense:
É a definição mais simples e liberal. Abuso é considerado tudo aquilo que o juiz assim entender! Suponho que vocês compreendem os desdobramentos disto, mas a importância do assunto exige uma atenção redobrada.
É comum no cotidiano de hoje incluir acusações de “abuso verbal” ou qualquer tipo de excesso que de fato não pode ser comprovado. Como resultado destas alegações, uma ordem restritiva pode ser requerida na maioria dos casos.
Pelo fato de o juiz não poder saber se uma acusação é verídica ou não, uma ordem restritiva é emitida quase que automaticamente pelo Juízo, e frequentemente se dá contra o marido. Esta é a situação atual que vemos nos Tribunais de Família, mas não apenas lá.
Esta medida por ser determinada por qualquer tribunal, no que se refere a uma ampla gama de assuntos, como: violência, calúnia, conflitos entre vizinhos, etc.
Em Israel não existe o abuso verbal, mas sim se utiliza a terminologia “Violência verbal” (Alimut Milulit). Venhamos e convenhamos que o simples uso da palavra “violência” torna as coisas mais graves desde o início, dando uma conotação muito negativa e forte ao ato de se abusar de outrem verbalmente.
Abuso verbal no Brasil – o dano moral
No Brasil podemos encontrar uma figura bem conhecida: o dano moral.
Este se dá quando a personalidade (moral e/ou dignidade) são afetadas de alguma forma pela conduta de outro indivíduo. Obviamente, para que se determine uma indenização a ser paga a título de dano moral resultante de um “uso inadequado das palavras”, há que se levar em conta uma série de fatores.
Atualmente é possível verificar uma certa banalização deste conceito, de modo que há que se ter muita cautela na aplicação dos dispositivos legais referentes a ele.
O que está incluído na lista de abuso verbal?
Estão incluídos os atos de reprimir, intimidar, difamar, degradar, banalizar, assediar, “zombar” dos outros, interrogar, acusar, culpar, bloquear, contrariar, enganar, repreender, expressões de escárnio, rebaixar, o abuso disfarçado de piada, ameaçar, xingar, gritar e atos de fúria, e mais.
O abuso verbal e os “inflexíveis” ou O Abusador Silencioso
Nem todos os abusos emocionais envolvem gritos ou críticas. As formas mais comuns são “Abstração ou Afastamento” – o cônjuge distraído ou apreensivo – ou “Inflexibilidade” – o cônjuge que se recusa a aceitar uma perspectiva diferente vida de qualquer outra pessoa.
Enquanto que o abuso verbal e outras formas de abuso emocional podem ser rudemente semelhantes entre homens e mulheres, a inflexibilidade atinge de forma quase absoluta o gênero masculino. Neste caso, o cônjuge que age desta forma pode não rebaixar o outro de maneira evidente, porém punirá a outra parte pelo fato de esta discordar de seu ponto de vista recusando-se ao menos a considerar a sua opinião.
O que é o abuso doméstico/Violência?
Também conhecido como maus-tratos, isto ocorre quando uma pessoa que está em uma relação íntima ou casamento tenta dominar e controlar a outra parte. O abuso doméstico que também inclui agressões físicas é denominada “Violência Doméstica”.
Tanto a violência quanto o abuso são utilizados com apenas um propósito: tomar e manter o controle sobre você. Um abusador não “joga limpo”, mas sim usa o medo, a culpa, a vergonha e a intimidação para humilhá-lo e mantê-lo em suas mãos. Não se exclui ainda a possibilidade de ameaças; magoá-lo, e até mesmo aos que estiverem ao seu redor ou às pessoas que lhe forem queridas.
O que é o abuso psicológico?
Também chamado de “abuso emocional ou mental”, é uma forma de abuso caracterizada por uma pessoa que sujeita ou expõe a outra a um comportamento que pode resultar em um trauma psicológico, incluindo-se a ansiedade, depressão crônica ou stress pós-traumático.
Existem três categorias principais de “Agressão psicológica”, mas cabe ressaltar que não existe uma lista taxativa:
- Agressão verbal: Dizer algo que perturba ou irrita outra pessoa;
- Comportamentos autoritários: Impedir outrem de ter contato com a sua família;
- Ciúmes: Acusar o outro de estar mantendo relacionamentos em paralelo.
Abuso emocional de acordo com o Departamento de Justiça Americano
Este órgão define a conduta como algo que inclui medo por intimidação, ameaça de danos físicos a si mesmo, ao parceiro, filhos, ou à família e amigos do parceiro, destruição de animais de estimação e de propriedade, a imposição de um isolamento da família, amigos, escola ou trabalho.
Abuso emocional de acordo com o sistema canadense:
Este é motivado pelo “poder e descontrole”, incluindo-se: rejeição, degradação, o ato de aterrorizar, de isolar, corromper/explorar, e “negação de uma resposta emocional”, como características de abuso emocional.
A necessidade de uma continuidade ou padrão:
Estudos diversos e diferentes teorias têm afirmado que, diferentemente de maus tratos de ordem física ou sexual, um incidente isolado deste tipo não tipifica a sua ocorrência. O “Abuso Emocional” se caracteriza por uma atmosfera ou padrão de comportamentos que se verificam ao longo de um certo período.
Portanto, a continuação e repetição são componentes cruciais para qualquer definição de abuso emocional. Isto pode ser intencional ou não (ou ambos), mas sempre se trata de ocorrências múltiplas, e não apenas um fato isolado.
Efeitos colaterais do abuso verbal:
Podem consistir em estresse, depressão, doenças físicas e outros danos. O Divórcio não deve ser considerado como dano se, e apenas na hipótese de ambos os lados terem tentado um tratamento terapêutico que não teve resultados positivos.
Israel e o abuso verbal, nos dias atuais
Posso afirmar sem medo de errar que, de acordo com as definições acima, todos somos criminosos neste país, inclusive os quase oito milhões de habitantes de Israel. Nós de fato temos um problema ao falarmos uns com os outros, parecemos agressivos, impacientes e até mesmo manipuladores.
Eu já vi muitos Juízes de Direito em seus Tribunais se dirigindo de forma desrespeitosa a advogados e partes litigantes, e até mesmo aos funcionários, além de outros magistrados do Supremo Tribunal!
Os servidores públicos em geral se comportam de forma abusiva devido ao poder que acumulam, e os médicos neste país são especialmente abusivos no que se refere ao enorme poder que detém nas mãos: o seu conhecimento.
A lista é interminável e tenho certeza que cada um de vocês poderá complementá-la com uma exemplo adicional.
Porém sempre há exceções, e não estou afirmando que todos neste país são más pessoas devido ao seu comportamento “abusivo”, ao levarmos em conta as definições supra citadas. Estou apenas dizendo que devemos ser mais flexíveis quando colocamos os rótulos nas nossas atitudes.
Os israelenses podem ser rudes, mas não necessariamente abusivos, são simplesmente exigentes.
O abuso e o Divórcio
Uma das causas mais comuns de Divórcios em Israel é a falta da habilidade de comunicação entre os cônjuges. Infelizmente, muito pouco tem sido feito para preparar jovens casais para o matrimônio.
Há que se encontrar um meio para se ensinar às pessoas alguns conceitos básicos de comunicação, e dar a eles as ferramentas e a acessibilidade para aprimorar suas possibilidades no sentido de se promover uma comunicação efetiva.
Eu acho que os recém-casados deveriam ser obrigados a passar por um breve curso de habilidade de comunicação. Como resultado disto, talvez a taxa de Divórcios pudesse ser reduzida, e tantos lares deixariam de ser desfeitos devido a esta deficiência.
Sejamos sensatos:
O vasto uso da expressão “Abuso Verbal” na nossa sociedade terá o efeito oposto desejado. Ao invés de se levar a sério as acusações de abuso verbal, nós podemos, gradualmente – tal como os tribunais – nos acostumar à idéia de ter esta acusação embutida na maioria das ações judiciais.
Nem todos os conflitos entre os cônjuges se enquadram neste conceito, no calor do momento quando as palavras erradas são ditas, isto não significará, necessariamente que está havendo um abuso.
Conclusão:
Devemos nos abster de utilizar a expressão “abuso” como uma expressão cotidiana, até mesmo entre os amigos.
O abuso é uma acusação muito séria, mas de alguma forma acabamos nos acostumando a rotular qualquer desentendimento como abuso, e chegou a hora de reprimir esta conduta.
Se você puder fazer parte de uma equipe para reduzir a taxa de Divórcios, pense nisto. Todos juntos podemos formar um poderoso time para trazer ao Estado de Israel a obrigação de se submeter os jovens casais a algum tipo de “aprendizado” antes do casamento.


