Como já escrevi antes, colocando de lado as nossas críticas quanto à sociedade israelense devemos levar em conta que esta apresenta uma série de aspectos positivos.

Uma das características mais surpreendentes é a possibilidade de se formar amizades profundas e verdadeiras, as quais em outras condições seriam muito improváveis.

Robert fez Aliá sozinho aos 32 anos, deixando para trás amigos e família para se tornar um israelense. Ele conheceu Rina, uma israelense de 33 anos, e após alguns poucos encontros resolveram se casar. Durante oito anos de casamento eles tiveram quatro filhos maravilhosos.

Robert, engenheiro mecânico, trabalhava para uma empresa contratada pelas Forças Armadas Israelenses, e Rina era dentista, trabalhando por horas a fio. A família era religiosa e vivia em um assentamento no Shomron.

Após o nascimento do quarto filho do casal Rina começou a apresentar muitos problemas de saúde, mas estava ocupada demais para se consultar com médicos. No entanto a sua condição sofreu uma grave deterioração, a qual não lhe deixou outra alternativa. Em uma breve consulta ao médico e após alguns exames foi diagnosticado um tumor cerebral. As suas chances não eram muito boas e o prognóstico não era otimista.

Rina e Robert eram fortes e procuraram manter sua rotina normal segundo o possível, mas os tratamentos eram muito intensos e eles precisavam de ajuda. Robert não tinha família em Israel, e a família de Rina não podia ajudar porque eram idosos e viviam longe.

Robert faltava ao emprego com frequência; as crianças não podiam ficar sozinhas, a casa estava uma bagunça e Rina podia fazer muito pouco e de forma esporádica, entre os tratamentos altamente estressantes. Eles precisavam desesperadamente de suporte e amigos.

Duas semanas após o primeiro tratamento de Rina, Robert foi procurado pelo seu gerente, que lhe disse para tirar férias nos três meses seguintes. Ele ficou em choque já que precisava do salário, era um excelente funcionário e todos gostavam dele. Seu chefe disse que, apesar de a política da empresa dispôr diferente, ele poderia manter o carro da empresa durante este período. Ele estava confuso e muito triste. Recebeu uma carta de dispensa do seu gerente e deixou o escritório desanimado.

Ao chegar em casa Robert leu a carta. Esta era curta e objetiva, confirmando que ele estaria em “férias forçadas” nos próximos três meses. O que ele não esperava era continuar recebendo seu salário integral, além de poder usar o carro da empresa. Cada um dos colegas de trabalho cedeu dois ou mais dias de seus períodos de férias para Robert, de modo que ele poderia permanecer em casa e cuidar de sua família.

A família esperava alguma ajuda dos vizinhos, mas o que receberam na verdade foi uma nova família. Refeições de qualidade eram entregues semanalmente e o Shabat nunca era em casa quando Rina podia andar até a casa dos vizinhos. Adolescentes de todo o assentamento vinham diariamente levar as crianças ao parquinho, à biblioteca e a outros locais para que elas se divertissem, deixando os pais com algumas horas de privacidade e descanso. A família foi abraçada por toda a comunidade, e passaram a ter com quem contar para tudo o que precisavam.

Rina faleceu um ano após o diagnóstico, deixando Robert viúvo e com 4 filhos para criar.

Ele por sua vez foi adotado pelos vizinhos, companheiros de trabalho, assistentes sociais e pela família de Rina. Ele se sentia agradecido – e honrado – por fazer parte deste belo grupo.

Robert se casou novamente três anos após o falecimento de Rina. A família dela entendia que as crianças precisavam de uma mãe e que Robert precisava reconstruir a sua vida.

Desde então Robert criou um fundo de auxílio aos pacientes de câncer, e fez muitos atos de bondade para sua família e sua comunidade.

Como podem concluir desta narrativa, assim são os israelenses: cheios de espinhos por fora, mas doces e tenros por dentro.