Quantas vezes já lhe disseram: “Eu não vou lhe contar determinada coisa porque você não vai entender”? Você não se sentiu mal? Pode ser que as chances de você entender o que o outro tem a dizer sejam de 50%, mas se não lhe dizem nada as chances se reduzem a zero. Esta é uma boa forma de não se comunicar e nada se atingir na vida, mas muitas vezes esta é a forma escolhida pelas pessoas de agir.
Em um casamento:
Eu posso contar e recontar as vezes nas quais ouvi casais em meu escritório dizendo um ao outro esta forte frase: “você nunca vai entender, ainda que eu tente explicar”. É verdade que algumas pessoas precisam de mais ajuda para entender determinadas emoções, outras terão dificuldades em aceitar um novo conceito e outras tantas não poderão entender devido aos conflitos que se desdobram entre os dois, mas apesar da probabilidade de o outro lado não poder compreender é preciso tentar se comunicar, e não menosprezar o outro lado.
Trabalhando como mediador já vi casamentos salvos pela simples abertura de um dos cônjuges. É sempre uma boa experiência ver como pode ser simples restringir as diferenças entre duas pessoas, e o quão simples pode ser restituir a união e a proximidade.
Em uma relação cliente-advogado:
Muitas pessoas (principalmente americanos) “omitem” informações quando procuram a minha ajuda. Muitas se comportam até mesmo de forma rude ao sentirem a sua privacidade sendo invadida, ou ao identificarem uma exposição de sua vida particular. Como consequência de deter apenas dados parciais eu me vejo incapaz de tomar uma decisão no que se refere aos seus problemas, ou mesmo incapaz de ajudá-los de qualquer forma que seja.
Eu sempre pergunto a idade da pessoa, já que as minhas respostas à mesma questão podem ser diferentes levando-se em conta este dado. Eu posso querer ver alguém pessoalmente se perceber que ele/ela é muito emocional ou jovem para aceitar uma resposta que provavelmente não agradará, ou com quem possa vir a ter dificuldades de falar apenas ao telefone.
Anos de experiência com algumas centenas de casos me ensinaram que um encontro pessoal e uma boa quantidade de informações podem fazer a diferença entre um final feliz e um final desfavorável para um caso trazido a mim.
Posso garantir que tenho bons motivos para não ceder às pessoas que insistem em uma resposta curta por telefone sem aceitar uma entrevista pessoal, já que, no final das contas, o que está em jogo é não somente a minha reputação mas principalmente o futuro destas pessoas, diante da impossibilidade de um bom encaminhamento do caso em questão.
Em um caso de Divórcio:
O nosso “slogan” no escritório é: “Nunca minta para o seu advogado ou para o seu médico.”
Vocês não imaginam como é frustrante descobrir em um tribunal, graças à parte contrária, que você conhece apenas um lado da história, parte da verdade, ou pior ainda: que o seu cliente mentiu para você! É quase impossível vencer um caso quando há mentiras por parte do próprio cliente. Nós podemos tentar reparar qualquer deslize de um cliente quando sabemos o que ele fez antecipadamente, mas precisamos estar preparados e não sermos pegos de surpresa pelo outro contendor.
Em um caso criminal:
Não importa a gravidade do que você tenha feito, o seu advogado precisa saber a verdade. Se você omitir dados certamente correrá o risco de perder no tribunal. Lembre-se que a Promotoria, a Polícia e qualquer outro órgão governamental envolvido no caso (como autoridades fiscais, por exemplo) trarão muitas informações do seu caso, mas o seu defensor dependerá do que você disser a ele.
Quanto mais informações você prestar e detalhes puder dar ao seu advogado maiores serão as chances de se encontrar lacunas no caso em seu favor. Assim sendo, suas chances serão melhores caso você se confidencie com seu advogado e não restrinja a confiança nele depositada.
Lembre-se que o seu advogado faz parte de sua equipe, jogando com você e em seu favor.


