Maturidade e Imigração
Parte da maturidade necessária à nossa vida é o fato de se assumir responsabilidades e aceitar a realidade. Se uma pessoa não puder aceitar a vida como ela é, estará permanentemente em guerra consigo mesma, e com o mundo inteiro. Quantas vezes você já se viu impotente? Você não pode mudar a realidade? Neste caso terá que aceitar os fatos como eles se apresentam – como a REALIDADE.
Lidar com a realidade e aceitar as limitações se tornou um grande problema na nossa geração, e como já comentei nos artigos anteriores, como educadores não estamos fazendo um bom trabalho ensinando a nova geração uma ferramenta importantíssima: lidar com decepções e ser realista, para que se possa enfrentar a vida real.
Se você fôr um novo imigrante as coisas podem ser ainda mais complexas porque, além do idioma e da barreira da mentalidade diferente, você estará agora em um local desconhecido no que se refere a questões diversas, sobre as quais você tinha maior controle em seu país. Consequentemente, a frustração e as decepções acabam sendo fatores comuns de uma pressão crescente.
Você pode reclamar, ficar desapontado ou mesmo frustrado, mas no final das contas terá que levar em conta que está em um novo país, uma sociedade diferente, um diferente estilo de vida e especialmente submetendo-se a outros padrões de vida! Sim, aqui você encontrará diferentes modelos que nem sempre se adequam às suas necessidades e estarão aquém das suas expectativas. Ainda assim, isto não o eximirá de se adaptar a isto até que eventualmente consiga alterar estes padrões
Não é porque você está insatisfeito com o serviço recebido no Ministério do Interior (por exemplo) que as regras serão modificadas em seu favor, ainda que você tenha 100% de razão e acredite que tenha o direito de ser tratado de forma melhor ou diferente. Aceite os fatos como eles são e lide com a realidade encontrada, caso contrário não receberá o serviço – como acontece muitas vezes.
Se as adaptações não se derem em tempo razoável por parte do novo imigrante, o final acabará sendo sempre o mesmo: as pessoas juntarão as suas coisas e voltarão ao país de origem, ao invés de permanecerem em Israel se sentindo miseráveis.
Maturidade e casamento:
A história a seguir é uma das mais tristes e verdadeiras, na qual existe a possibilidade de um final feliz, mas devido a tamanha deficiência de maturidade o Divórcio se transforma em um desdobramento inevitável
Harry e Sally eram como duas crianças que brincavam constantemente em um pátio com areia, brigando por esta ou aquela ferramenta e empurrando um ao outro. Quando não conseguiam lidar com as frustrações que eles mesmos criavam se comportavam como crianças pequenas – eles brigavam. Mas no final retomavam a amizade. No entanto eles jamais conseguiram lidar com as frustrações porque “crianças são imaturas e não sabem lidar com decepções”.
Eles finalmente se divorciaram e passaram a frequentar sessões de psicoterapia separadamente, onde algo começou a mudar em suas personalidades.
Harry aprendeu a forma mais árdua de enxergar a si mesmo com maturidade e passou a assumir a responsabilidade pelo seu comportamento e seus erros. Ele não estava em desespero nem se sentiu culpado por considerar a culpa como um sentimento pejorativo que deveria evitar a qualquer custo. Ao invés de ficar arrasado ele decidiu reconstruir sua vida.
Ele tentou abordar Sally, esperando que pudesse reconstituir a confiança e dar ao seu relacionamento uma segunda chance após tantos anos de casamento. Sally não cedia em nada. Não porque era vingativa, mas sim devido à sua deficiência de ferramentas emocionais e principalmente por continuar a pessoa imatura que era, lutando para crescer.
Ela era uma prisioneira da “realidade” que criou para si, estava vivendo em uma fantasia que chamava de realidade, e portanto era incapaz de assumir a responsabilidade total por seus atos e a sua falta de habilidade em lidar com seu parceiro. Para ela foi muito fácil culpar Harry e permanecer em “um local seguro” criado por ela desde a infância. Ela era a mesma criança agora – uma bela menina em um corpo de mulher.
Foi Ernesto Guevara (Che), que afirmou certa vez: “Por grandes causas a coragem e a audácia são imprescindíveis.” E de fato é necessária muita coragem para se alcançar a maturidade, especialmente quando já está “velho”.
Para se evitar um Divórcio uma pessoa deve ter levar em conta uma série de condutas; uma pequena porém muito real “revolução”. Entre outras coisas são necessárias algumas boas e novas mudanças, conforme enumeramos a seguir:
a) A coragem de aceitar a vida como ela é, a coragem de admitir “Eu cometi erros – também foi minha culpa.”
b) A responsabilidade é mais um fator essencial porque, se você não se responsabiliza integralmente pelos seus atos, estará preso ao seu comportamento antigo de culpar a outra parte pelos seus atos.
c) A perseverança é a chave do sucesso porque com ela se pode ousar e tentar. É preciso se consertar os erros e se atrever a acreditar que isto é factível.
d) A audácia de pedir uma nova chance, juntamente com a coragem de aceitar um NÃO como resposta.
Voltando à nossa história, Harry finalmente se casou novamente e está feliz, mas Sally optou por permanecer na mesma “zona segura”, evitando um novo e sério relacionamento porque o seu pátio de areia ainda é muito restrito e ainda não está preparado para ser compartilhada com outra pessoa.
Sejamos sensatos:
Como mediador de família e advogado especializado em Divórcios eu já pude testemunhar muitos casos semelhantes a este que descrevi a vocês, e o meu conselho a qualquer um que esteja enfrentando este desafio é:
Lembre-se que você só pode mudar a si mesmo, e não à outra pessoa.


