Neste artigo estaremos lidando com o ato de se reescrever uma história no caso de um Divórcio.

Definição:

No site de Definições, o conceito de “reescrever histórias” é definido pelos termos a seguir: “Se você reescreve uma história, você troca a sua versão de eventos passados de modo a parecerem melhor do que pareceriam se a verdade fosse dita.”

Reescrevendo a história:

Eu sempre sou surpreendido e fico perplexo com as pessoas que tentam fazê-lo, embora muitas vezes possa saber, pela narrativa dos fatos, que a sua versão é completamente inverossímil e que há algo de errado com ela. Estas pessoas são chamadas de revisionistas ou “reeditoras de histórias”. Alguns revisionistas reescrevem a história de suas próprias vidas, e neste processo eliminam lembranças que não batem com a última versão. Consequentemente, as suas experiências passadas não fazem qualquer sentido.

Como Dan Brown afirmou: “Pela sua própria natureza, a história é sempre uma narrativa unilateral, e o que pode ser mais cômodo do que se ter uma única versão que não pode ser contrariada.”

Algumas pessoas podem afirmar que não há nada de errado com o ato de se reescrever uma história porque esta em geral é uma estória sobre aqueles que perderam, editada pelos vencedores. No final das contas a realidade pode ser equiparada à morte; é uma condição inevitável: isto só pode ser negado, não evitado. Então, por que não negar os fatos e reescrever a história de modo que ela se ajuste aos nossos propósitos?

Seja verdadeiro consigo mesmo:

Evagrius (Um monge egípcio, 399) escreveu sobre o que chamou de “logismos” – pensamentos que confundem e obscurecem a mente de modo que, lentamente, vamos adentrando no mundo de uma fantasia auto-destrutiva.

Ceder aos logismos é escolher ver o mal, o irreal, o que não corresponder à realidade. Os logismos são os arqui-inimigos da alma, os demônios a partir dos quais se constrói uma perspectiva própria no mundo e que impede de nos concentrarmos na nossa realidade de vida, afastando-nos mais e mais da nossa condição atual, fazendo com que tentemos resolver problemas que ainda não surgiram ou talvez jamais existam.

Reescrevendo a história em um divórcio:

Dr. Tom Merril e Geoff Hamilton, Esq, afirmaram em sua pesquisa: “Tipicamente este estágio é aquele no qual o fato de que o relacionamento passa por uma crise não é verbalizado, mas sim é caracterizado por indiretas e comportamentos destrutivos por parte de um ou ambos os cônjuges. Em geral aquele que inicia tudo, conscientemente ou não, começa a reescrever a história do casamento ou a imagem do outro cônjuge com o objetivo de construir um caso que justifique um eventual estouro. Reescrever simplesmente envolve selecionar, colorir e enfatizar os “aspectos negativos”: “feridas” que não cicatrizaram ou condutas que não foram eficazes. Isto também inclui passar por cima e ignorar os “aspectos positivos”, e portanto se chegando à conclusão de que o divórcio é o mais apropriado.

Este processo é apenas uma questão de deliberada e subjetiva escolha, em oposição a um “histórico acurado” ou busca pela verdade, já que a intenção é justificar a escolha que já foi feita. Este é um período no qual se vê o desenvolvimento do que se denomina “caminho conjugal sem volta”. Deste ponto em diante, em não havendo uma intervenção positiva, comportamentos e ações moverão o relacionamento ao inevitável ponto do divórcio.”

Reconstrução negativa da identidade do cônjuge:

Há dois fenômenos intrigantes os quais, em graus variados, podem ocorrer durante o estágio litigioso do divórcio. Um foi denominado a “reconstrução negativa da identidade do cônjuge” (Johnston & Campbell, 1988). Este é caracterizado pela tendência por parte de um cônjuge de atribuir ao outro uma imagem de vilão, por exemplo: “Ele é um fraco e bêbado violento” ou “Ela é uma dissimulada, egoísta e mentirosa patológica que não merece confiança.” Estes adjetivos intensamente negativos que dominam os conflitos entre casais que estão se divorciando se tornam imutáveis com o passar do tempo. O cônjuge, basicamente reescreve a história conjugal e seletivamente admite apenas os eventos ocorridos durantes os anos que se ajustam à nova caracterização negativa. Assim sendo, é como se o cônjuge criasse uma profunda impressão (embora distorcida) a qual é racionalizada e admitida como verdadeira.

Atenção seletiva (by Cathy Meyer)

Existe um fenômeno psicológico humano chamado Atenção Seletiva.

Os seres humanos têm uma tendência natural de prestar atenção apenas aos dados que apóiam seu ponto de vista pré-existente ou seu desejo. Uma informação que contradiz suas crenças ou desejos é filtrada para fora de sua mente. Obviamente esta prática pode levar a noções distorcidas de pessoas e eventos, e a escolhas e decisões ruins.

Eu vejo isto com muitos clientes divorciados com os quais trabalho. Uma vez que se decide por um divórcio, um ou outro dos cônjuges começará a reescrever a história do casamento e especialmente a biografia da pessoa com quem esteve casado.

O ex se torna um vilão e este tipo de pensamento é mais comum naquele que opta pelo divórcio. Por que? Culpa, uma procura para justificar as suas ações. Nós nos sentimos melhor se o ex fôr um vilão de modo que não tenhamos alternativa a não ser deixá-lo.

Qual é o problema de se pensar desta forma? Isto anula qualquer possibilidade de um divórcio civilizado. Isto prejudica qualquer criança que esteja envolvida e D`s o livre, um envolvimento do advogado adversário com aquele que manipula a história toda. Nesta hipótese você poderá se despedir de boa parte do seu patrimônio.

Eu lembro do meu ex como uma pessoa gentil e amorosa. Ele era um excelente pai e todo momento que estava conosco não podíamos desejar mais nada além disto. Ele tinha seus problemas assim como eu. Ele podia me magoar, mas de forma alguma era cruel. Lembrar dele desta forma me permite vê-lo como um ser humano… uma pessoa que comete erros, mas não é um vilão.

Isto me ajuda a continuar uma relação civilizada com ele, algo que devemos nos esforçar para ter com um ex-cônjuge.

Ele, por outro lado, lembra de mim como a causadora de suas desgraças. Uma pessoa abusiva que o impediu que viver como queria. Esta imagem do que eu fui no casamento e o que eu sou como pessoa, impede de me ver como ser humano. Eu sou vista como uma vilã para que ele possa se sentir bem com ele mesmo e as decisões destrutivas que tomou desde que o casamento chegou ao fim.

Por este motivo ele nunca poderá ter uma relação civilizada comigo.

Assim como o nosso casamento falhou, o mesmo se deu com o nosso divórcio. A chave para um divórcio bem sucedido é a habilidade de ambos os cônjuges de vê-los como seres humanos falíveis, e não como maldosos.”

Não faça isto:

Após o Divórcio você terá que encarar alguns anos de relacionamento com seu ex-cônjuge e mais ainda com os seus filhos. Se a sua mensagem aos filhos fôr a de que o seu pai é um vilão, você estará prejudicando seriamente o futuro deles – não faça isto!

Assim sendo, procure afastar as mágoas e tente lembrar que tudo acabou, que é passado e não retornará mais.

Um toque pessoal:

Eu já trabalhei com divórcios e casais que se divorciam por muitos anos. A minha vasta experiência diz que, apesar de toda a raiva que estas pessoas nutrem e demonstram durante e após todo o processo, eles não acreditam completamente nas versões da história que criam. No fundo eles sabem que houve bons e maus momentos, e que seus ex-cônjuges têm qualidades e defeitos.

Eu acho que é uma pena que a nossa sociedade ainda não tenha encontrado um modo de trazer boas pessoas em relações conjugais problemáticas a procurar e receber ajuda profissional, no sentido de salvar o relacionamento, o casamento e evitar anos e anos de conflitos legais e emocionais que são praticamente inevitáveis em um caso de divórcio.

Em 2010 em Israel houve 42,000 casamentos e mais de 14,000 divórcios. Considerando-se o apoio geral que o Estado dá às mães divorciadas, bem como quanto a outras despesas, o ônus financeiro do Estado devido ao divórcio foi muito superior ao que teria sido o custo de um programa nacional de fornecimento de auxílio profissional a casais que requerem o divórcio.

A unidade familiar é essencial ao nosso país, bem como a segurança e a  força das Forças Armadas. A triste realidade é que a unidade familiar vem se deteriorando, e o nosso futuro não parece muito promissor. Podemos portanto afirmar que chegou o momento de se interromper o enorme fluxo de divórcios desnecessários no país, e começar a se trabalhar por um plano nacional que possa salvar ao menos parte das famílias.