Como já escrevi antes sobre este assunto: “Eu sei que este artigo fará com que muitas pessoas se irritem, mas a verdade é que Israel é um dos países mais corruptos do mundo desenvolvido hoje em dia.”

Desde então muitos comentários me foram enviados, sendo que alguns elogiam e outros criticam. Desde então, se alguém tinha alguma dúvida, ficou bem claro que chegou o momento de se tomar uma atitude, e o mais rápido possível.

Seguem alguns fatos:

O Supremo Tribunal

O Supremo Tribunal ou “O Supremo arrogante Tribunal”, como Michael Freund escreveu na semana passada: “Não é saudável, é inaceitável e imperdoável, e chegou o tempo de deter a selvageria do Supremo Tribunal. Com a ponta de uma caneta o Supremo Tribunal desferiu um golpe decisivo para a democracia israelense na semana passada, que deveria dar um arrepio na espinha de cada um que preze os princípios básicos como a separação de poderes e a liberdade individual. Pela segunda vez no ano os juízes invalidaram uma lei aprovada no Knesset no que se refere à detenção de imigrantes ilegais, usurpando para si um poder que eles não têm e uma autoridade que está fora de seu alcance. De fato, o tribunal flexionou seus músculos institucionais, empurrando para o lado os órgãos Executivo e Legislativo do Governo, e passando por cima dos representantes eleitos pela nação.”

Estes tipos de decisões judiciais são uma clara infração do princípio democrático da “Separação de poderes”. Até então nada foi feito para protestar contra este ato, e provavelmente isto não acontecerá porque “pactos são feitos pelas nossas costas”.

A Polícia:

Seis agentes da Polícia no ano passado foram investigados. Os motivos são os mesmos de sempre: envolvimento em atividades ilegais, suspeita de crimes, etc. Diante deste dado, o que nós, cidadãos israelenses, devemos pensar sobre a função do poder encarregado de implementar as regras do Legislativo?

Ministros, Forças Armadas, Prefeitos:

Mais um Ministro está sob investigação por ter aceito subornos durante o seu mandato. Outro prefeito foi considerado culpado pela mesma atividade ilegal. Nos últimos anos alguns prefeitos foram investigados, uns foram condenados, outros fizeram acordos e simplesmente saíram. Alguns ministros foram envolvidos em investigações pela mesma Polícia.

Quantos Primeiro Ministros, Generais, Chefes das Forças Armadas, Comissários de Polícia, Rabinos chefes, Ministros e Presidentes já se envolveram em algum tipo de crime ou foram no mínimo suspeitos disto? (na maioria dos casos chegou-se à conclusão de que tinham participação em crimes e foram sentenciados). Apenas alguns exemplos (fora de ordem cronológica): Ezer Weitzman, Ariel Sharon, Moshe Katsav, Itzhak Rabin, Shimon Peres, Bibi Netaniahu, Binyamin Ben Eliezer, Gonen Seguev, Yaakov Neeman, Ehud Barak, Itzhak Cohen, Gabi Ashkenazi, Shlomi Lahiani, Yona Metzger, Nisso Saham, Arve Deri, Haim Ramon, Stas Misezhnikov, entre outros. E este é uma lista parcial!

A situação ainda pode piorar?

Mais e mais pessoas vêm exigindo (novamente) um livre acesso a todos os documentos e descobertas da “Comissão Agranat” de Novembro de 1973. Esta foi uma Comissão Nacional de Inquérito criada para investigar as falhas das Forças Armadas durante a Guerra do Yom Kipur. A comissão também apontou o chefe de equipe Dado Elazar como responsável, sendo que ele faleceu ao 51 anos sem ter seu nome limpo.

O fato é que a publicação do relatório desta comissão provavelmente abrirá uma Caixa de Pandora – assim sendo chegou o momento de acabar com isto de vez e permitir que as pessoas saibam o que de fato aconteceu e quem foram os responsáveis pelo erro estúpido da Guerra do Yom Kippur.

Transparência e coragem

Como já afirmei antes, e volto a repetir “Em Israel nós temos uma carência de transparência básica e nos falta a coragem de dizer e de admitir a verdade.”

O tempo está se esgotando

Nós temos alternativas a não ser lidar com este gritante desrespeito à ética, no qual o nosso país está baseado? Sinto informar que não. Ainda que seja doloroso, é preciso operar mudanças! Se não o fizermos agora, estaremos estimulando que mais e mais ocorrências de corrupção e negligência aconteçam. Isto seria uma grande vergonha e nenhum judeu, em Israel ou em qualquer lugar do mundo, deveria aceitar este golpe aos princípios democráticos.