Eu não posso evitar que você tenha problemas em Israel, nem tenho como prever cada dificuldade que virá a aparecer, mas se você realmente quiser ser bem sucedido nesta missão, na sua Aliá, terá que aprender a se adaptar bem – e rápido.
Aqueles que vêm sem dinheiro e sem habilidades para o mercado de trabalho esperando que o governo (ou seja, os impostos que nós pagamos no nosso árduo trabalho) venha a garantir um suporte financeiro ilimitado, ficarão extremamente decepcionados ao se depararem com uma realidade completamente diferente. Você se dará conta que não receberá nenhum auxílio.
Alguns dos desafios que muitos imigrantes precisam enfrentar são:
- 1. O preenchimento de formulários sem saber ler Hebraico e sem poder compreender plenamente o que se espera deles – além das consequências de erros cometidos. Por exemplo, o Sr. Doe seguiu o formato que seu contador israelense lhe deu para preencher um formulário do Ma’am. Na verdade ele não devia nenhum imposto, por ter comprado um micro computador durante aquele período, além de já ter pago mais impostos pelos rendimentos recebidos. Seguindo as instruções de seu contador o Sr. Doe recebeu 5 notificações de penalidades do Ma’am (sendo que não pôde entender nenhuma delas). Depois disto ele procurou outro profissional indicado por um amigo, que finalmente mostrou que o preenchimento do documento estava equivocado – o contador anterior fez com que Sr. Doe incluísse os seus dados nos campos incorretos.
- 2. Sanções aduaneiras e cobrança de impostos sobre importações. Eu nunca deixo de me surpreender com a capacidade da Alfândega de irritar e causar inconvenientes aos cidadãos que recebem pacotes do exterior. Se houvesse uma maneira de avisar previamente que se está esperando pela entrega de algo do exterior com uma explicação, e pagando-se a fatura de forma eletrônica antecipadamente, você não teria que perder um dia inteiro indo ao escritório responsável sendo ainda acusado de fazer importações com fins comerciais (principalmente se fôr autônomo) – e isto sem dúvida seria ótimo. Mas na vida real esta eficiência não existe. O meu conselho aos imigrantes, neste assunto – além de nunca importar nada – é que, quando adquirir uma mercadoria da loja (online) peça que esta seja entregue à sua família no exterior. É preferível que eles mandem a você do que o envio direto por parte do vendedor. Eu gostaria de poder esclarecer às pessoas tudo o que se refere à forma como tudo isto funciona, e por que, mas não acho que alguém realmente saiba os motivos que movem as autoridades fiscais e os políticos que aprovaram as regulamentações concernentes a esta legislação.
- 3. Obtendo uma licença de motorista – as pessoas frequentemente me perguntam sobre o procedimento, onde ir, os custos, etc. Eu já escrevi alguns artigos sobre isto, mas as coisas mudam rapidamente e não tenho como averiguar se está tudo atualizado. Eu sugiro apenas que você me escreva se tiver alguma dúvida, e lembre-se que a melhor forma de receber respostas atualizadas é telefonando para o Departamento de Veículos Automotores, cujo número é: *5678, ou se estiver ligando de fora de Israel: 97235086905 (o serviço é oferecido em Árabe, Russo e Hebraico – o Inglês é um problema porque não se trata de um requisito para contratação dos atendentes, de modo que tudo dependerá se a pessoa que o atender souber falar Inglês).
- 4. Brigando na Prefeitura / A Iriá – novos imigrantes têm uma tendência (porque estão acostumados com um sistema muito diferente, o qual respeita seus direitos mais do que em Israel) a brigar na Prefeitura quando não gostam do que ouvem, porém isto não significa que se obterá êxito em Israel. Ao invés de lutar contra o sistema eu aconselharia a “bombardear” o sistema com cartas e requerimentos até que receba uma resposta. Eu não posso prometer que isto acontecerá de forma satisfatória, mas pelo menos você terá uma resposta para começar a trabalhar com ela. E quando me refiro a uma resposta, quero dizer algo por escrito, levando-se em conta que algo que não foi devidamente registrado não existe ou jamais foi dito ou mesmo prometido!
Além do mais, caso mude de residência sem tomar o cuidado de atualizar seu endereço junto ao Ministério do Interior, e uma advertência vier a ser enviada ao seu antigo endereço, esta ainda será considerada como recebida. Não há como escapar por tentar ser “esperto”.
- 5. Dívidas não quitadas em tempo ou ignoradas – sem dúvida este é o problema mais agudo e doloroso para muitos Olim. Existe uma grande lacuna entre o sistema legal israelense e todos os outros sistemas. Como já escrevi antes em outros artigos, caso seja processado pelo Otsa’a LaFoal (o meio governamental mais efetivo de se cobrar dívidas), não lhe será dado o direito de resposta/defesa de forma automática. Pode-se pedir uma permissão especial para fazê-lo caso se possa apresentar uma defesa razoável. Se isto fôr possível, o pedido de defesa será deferido. O problema é que o preenchimento deste pedido traz consigo uma taxa elevada; não se pode consegui-lo a título gratuito. Se você perder no final, o juiz decidirá a compensação a ser paga à outra parte devido aos prejuízos decorrentes da defesa do caso.
Cabe ressaltar que, quando você receber a carta de um advogado referente a qualquer dívida, isto já lhe trará mais despesas porque este profissional não estará trabalhando de graça. Se continuar ignorando ou adiando, como muitas pessoas infelizmente fazem, você acabará recebendo a “notificação verde” (ou “Azará” em hebraico) do Otsa’a LaFoal, e desta etapa em diante, as coisas serão muito mais difíceis. Do dia em que receber a notificação serão contados 21 dias para o pagamento.
Há que se atentar que, caso você não receba a notificação (assinando no Correio que a recebeu), e esta tiver sido enviada ao seu endereço, não importa se você assinou ou não. Por lei considera-se que ela foi entregue, portanto, tome cuidado.
Uma abordagem positiva e mais efetiva
Ao invés de ficar deprimido, desapontado e/ou combatendo as normas do sistema, procure um aconselhamento profissional porque, para navegar pelo sistema israelense você deverá conhecê-lo bem, ou rapidamente estará perdido.
Não fique inerte: ouça, aprenda das respostas dadas pelas autoridades, tente compreender e se não puder concordar ou entender a resposta ou decisão tomada, busque um auxílio profissional.
Abstenha-se de tentar desviar do sistema ou alterá-lo, trabalhe com as ferramentas existentes para conseguir o que quer e nunca compare o sistema israelense com o sistema originário de seu país, já que estamos falando de outra nação. Todos aqueles que insistem em se agarrar ao pensamento de que Israel deve mudar em prol deles acabarão profundamente frustrados, com raiva e decepcionados. Israel é um país composto de muitos imigrantes provenientes de todo o mundo – imagine judeus de dúzias de países exigindo que Israel mude para adaptar as leis e práticas de seus países de origem (o que poderia justificar o comportamento dos prestadores de serviço que os imigrantes têm a tendência de criticar!).
Procure agir com sabedoria e “pé no chão”, sempre tendo em mente que os problemas não desaparecem se não forem devidamente solucionados.


