Na qualidade de um advogado e cidadão leal ao Estado de Israel me sinto responsável e sem receio de abordar qualquer assunto, inclusive a questão polêmica do Juiz de Direito acusado de agredir fisicamente os seus filhos.
Posso imaginar que as declarações a seguir possam soar impopulares, mas o farei de qualquer maneira. Penso que chegou a hora de mais pessoas de dentro do sistema legal expressarem opiniões divergentes, ainda que nem sempre sejam muito bem recebidas pelo público em geral.
Em geral eu não me oponho ao direito dos pais de usar algum tipo de punição para disciplinar seus filhos. No entanto, quero deixar bem claro que não considero admissível o uso da violência contra as crianças como método educativo. É preciso encontrar um meio termo.
Na sociedade israelense de hoje milhares de pais são indiciados todos os anos. Crianças de até cinco anos chamam a Polícia para denunciar seus pais, e um simples tapa pode ruir toda uma vida familiar. Isto tem que acabar!
Estou ciente do uso da violência contra crianças, que como já disse antes não se justifica, mas chegou a hora de parar, reorganizar e repensar os nossos valores como sociedade. Nós perdemos a autoridade de pais, e este ciclo é perpetuado devido ao fato de violência gerar violência.
O problema é o equilíbrio entre as necessidades dos pais na qualidade de educadores e, com as crescentes limitações atuais, a escassez de ferramentas educacionais. A sociedade está criando uma nova geração que não nutre qualquer respeito pelos idosos e as crianças não estão prontas para a fase adulta porque mal conhecem os limites que deveriam ser impostos a eles.
Os pais estão desesperados por ter “paz” em casa de modo que não se vejam obrigados a “confrontar” seus filhos, o que é altamente frustrante porque mais e mais crianças estão aprendendo que elas podem (ou acham que podem) “fazer as coisas à sua maneira”, apenas para crescer e descobrir que a vida real é bem diferente do que imaginavam. Além de estarem despreparadas e imaturas, as crianças são criadas por pais que dão a elas tudo o que exigem, o que faz com que elas vivam em negação e permaneçam ignorantes quanto aos desafios da vida adulta.
As dimensões deste desastre social poderão ser sentidos na próxima geração. Nós estamos criando uma sociedade de competidores; não uma sociedade em busca de uma excelência. Acabamos aprofundando as diferenças entre o rico e o pobre, entre as grandes cidades e as periferias; e ainda aspiramos a altos índices de QI ao invés de Quocientes de Inteligência Emocional mais elevados. Desta forma acabaremos tendo como resultado um grande número de gênios incapazes de se casarem ou mesmo de se socializarem.
A seguir estaremos apresentando um projeto de lei datado de 2000, de autoria do Rabino Avraham Ravitz (1934 – 2009), que atuou em cinco governos (do 12º. ao 16º.). O projeto não foi aprovado, mas ainda poderia fornecer uma boa solução ao problema da deterioração da autoridade dos pais.
Projeto de lei
Parlamento no. 15
Projeto de Lei de autoria do Parlamentar Rabino Avraham Ravitz – פ/1468
Projeto de lei permitindo a punição educacional dos filhos, 2000
A obrigatoriedade da educação: os pais são obrigados a educar seus filhos; sob determinadas circunstâncias decorrentes da obrigação de educar, os pais podem bater de leve de modo que não prejudiquem o corpo ou a alma dos seus filhos, desde que o ato seja razoável, tendo como objetivo a educação.
A defesa: Observado o disposto na cláusula anterior, esta não será considerada como lesão indefesa no que se referir a uma ordem de avaliação de prejuízos ou a qualquer julgamento.
Detalhamento do projeto:
Os filhos não são propriedade dos pais, porém cabe a estes uma obrigação ética de primeiro grau em educar os primeiros. Se para se alcançar este objetivo se fizer necessária uma punição inofensiva, a qual portanto não traz danos ao não se enquadrar no conceito de “violência”, já que isto não será considerado como uma lesão indefesa, poderão os pais empregar estes meios tendo em mente o pensamento educacional, e de forma proporcional.
Proposta ao líder do Parlamento e vices, e submetida ao Parlamento na data de 06/03/2000.
Conclusão:
Finalmente, devemos estar cientes dos perigos oferecidos a longo termo à nossa sociedade como resultado da prevalência das crenças no que se refere aos direitos das crianças. Devemos lembrar que, antes de exigirmos o direito de uma criança comer, somos obrigados a alimentá-la.
Por mais complexo que isto tudo possa soar o direito de uma criança de expressar a sua opinião ao se recusar a obedecer seus pais deve acabar, tendo os pais a obrigação de educá-la e prepará-la para a realidade da vida adulta.


