Algo deu errado e não sei explicar o que aconteceu. Talvez escrevendo aqui, possa encontrar as respostas.

Imigrei para Israel, acreditava que era a coisa certa a fazer e estava cheio de esperanças que ia ser uma Aliyah bem sucedida. Para ter certeza, eu aprendi o básico do Hebraico e até mesmo comecei a escutar rádio de Israel antes de sair do Brasil mesmo sem entender muito, eu me acostumei com a língua.

Assim que cheguei comecei a procurar trabalho e mesmo tendo feito Aliyah com boas reservas, eu peguei o primeiro emprego que me ofereceram, mas aqui começaram as decepções.

No trabalho me tratavam como se eu fosse “estrangeiro”, mas ninguém me dava “desconto” e esperam de mim o que esperavam dos outros empregados o que obviamente vocês entendem ser um absurdo. Eu não estava acostumado ou preparado para isso e não podia aceitar de maneira alguma a grosseria desse pessoal Israelense.

Troquei de emprego e vieram mais decepções porque esse pessoal é muito estúpido e nem chegam perto da simpatia do brasileiro, daquela gentileza da gente aqui. Saí do emprego e assim fui procurando um lugar onde eu me sentisse em casa, onde fosse tratado como no Brasil porque não vim para Israel para ser mal tratado por ninguém.

A noite eu voltava para meus amigos brasileiros e tudo ficava mais tranquilo “mais em casa”. Éramos 10 a 15 brasileiros e o tempo todo estávamos juntos, comíamos juntos aquela feijoada e é claro que música, só brasileira. Conseguimos até mesmo ver as mesmas novelas gravadas por amigos.

Pois é, o Israelense é mesmo muito diferente, mas felizmente eu podia comparar porque saí do Brasil com experiência de empresário e tinha muito a oferecer de minha experiência. Infelizmente, apesar de eu insistir, ninguém estava interessado a me escutar – dane-se eu disse, a perda é toda deles.

Os feriados Israelenses eu comemorava, mas nunca entendia nada e desisti de entender, porém não suportei aquele negócio de SHABAT em Israel. No Brasil não tem disso e somos livres para fazer seja lá o que for 7 dias por semana sem restrições religiosas. Não aceito isso de maneira alguma.

Felizmente minha namorada era brasileira e estávamos muito bem juntos – Isso ajuda muito.

Quase todos os dias da semana falava com meus pais, meus amigos no Brasil e nunca perdia a oportunidade de ler jornais e ver noticiário da Globo. Evidentemente que eu lia muito, mas só livros em Português que a turma de amigos trocava entre si os livros. Hebraico para ler eu não tinha suficiente e não vi vantagem de gastar tempo aprendendo porque não falta livro em Português.

Depois de um tempo, tudo deteriorou e entendi que Israel não tem futuro com esse povinho mal educado, não podia mais aguentar a burocracia, no trabalho era insuportável e não ia abrir mãos de meus direitos. SIM, eu tenho direitos e não vou abrir mãos dos meus direitos.

Várias vezes entrei com reclamações em vários departamentos, mas nada ajudou, eu saía sempre errado. O governo parou de pagar meu aluguel e não recebi ajuda suficiente. Eu pergunto a vocês como eu poderia continuar dessa maneira, sem ajuda financeira, sem trabalho, com o povo difícil?

Fiz tudo certinho, mas de alguma maneira minha Aliyah foi um fracasso total. Voltando para o Brasil decidi ser porta voz daqueles que não foram bem recebidos e não se adaptaram a Israel.

É muito difícil se adaptar a Israel e por isso a gente tem mesmo que ser brasileiro em Israel. Ser membro de todos os sites de brasileiros, frequentar bares de brasileiros, viver somente em cidades ou bairros Abrasileirados, comer comidas do Brasil e música brasileira sempre ajuda a levantar a moral. Essa é a única maneira de sobreviver.

Porque não fui bem sucedido não entendo, mas se formos comparar, com certeza o Israelense tem muito a aprender com os brasileiros.

Vai entender esse povinho Israelense!!!!

O artigo foi escrito por mim, baseado em inúmeros casos verídicos e obviamente não é a minha opinião pessoal, mas sim uma espécie de paródia.