A VOLEH é a única organização no mundo que ajuda na parte jurídica aos brasileiros no exterior e a aqueles que pretendem fazer imigração para Israel. Essa ajuda é completamente voluntária.
No próximo ano estaremos comemorando dez anos da criação da organização VOLEH e me pergunto se valeu a pena todo o trabalho e todo o tempo gasto com a manutenção dessa ONG. A princípio a resposta é positiva, porém confesso que não foram somente sucessos e não podemos ignorar os fracassos, pois com a vivência e aprendizado, o fracasso de hoje pode se tornar no sucesso de amanhã.
No decorrer destes anos e principalmente nos últimos dois, conheci muitas pessoas novas, gente maravilhosa com disposição de ferro para ajudar os outros sem esperar nada em troca, conheci gente humilde, mas que com sua humildade provaram ser pessoas de índole e caráter de gigantes.
Descobri aqueles que no momento em que necessitei da ajuda deles, provaram ser seres humanos maravilhosos que não hesitaram em ajudar imediatamente, deixando atrás qualquer mal-entendido (e houveram mal-entendidos).
Outros, descobri terem uma imensa coragem e muita garra para continuar lutando e enfrentando as dificuldades em Israel. De outros aprendi como é possível tornar cada dificuldade em uma oportunidade.
Resumindo, encontrei seres humanos que no dia a dia tornam a nossa sociedade em uma comunidade melhor e mais humana.
Quantos soldados conseguimos encaixar nesta ou em outra unidade, e quantos outros conseguiram se alistar apesar das dificuldades que estavam enfrentando perante as autoridades militares?
Não, nem tudo é ou foi positivo e eu ainda me pergunto de onde achamos as forças necessárias para trabalhar com o público em geral. O público não perdoa. O público não vê muito além de seus próprios interesses estreitos e principalmente, o público não dá muito valor ao que vem com facilidade e ao que é dado gratuitamente.
Muitos, quando não recebem a resposta que querem ou na exata “dose de simpatia” que esperam ou acham terem direito, saem batendo portas, com raiva, reclamando e o pior de tudo, alguns começam uma espécie de “cruzada de difamação”, porque o tom de voz não os agradou ou qualquer outra delicadeza que fora negada a eles.
Para essas pessoas não existem consequências e para elas se a organização existir ou não, não lhes interessam porque eles já não vão desfrutar dos serviços da ONG. E os outros? Os outros não interessam a eles.
São quase dez anos em que “quase nada mudou”. São as mesmas críticas negativas, sempre aquela forma de tentar dar um “jeitinho” em não seguir as regras, em não preencher o formulário tão simples da VOLEH, em fazer “só uma suposta perguntinha rapidinha pelo telefone” ou o mesmo inconformismo eterno do brasileiro em não aceitar o fato que as regras em Israel são diferentes e que em “Roma se comporte como romano”.
São quase dez anos de decepções com pessoas que estavam a um pequeno passo da solução dos seus problemas, mas optaram a virar as costas e ir embora, deixando quase sempre um mar de problemas e dívidas para trás, o que torna uma possível volta deles a Israel no futuro em “uma missão quase impossível”.
São quase dez anos em que apesar de todo o trabalho e esforços dedicados, ainda temos os mesmos hábitos que não morrem com facilidade. As mesmas características em pessoas diferentes: não querem tomar responsabilidades pelos seus atos e continuam a acreditar que culpando terceiros vão resolver algo. Outros ainda acreditam que Israel deve-lhes isso ou aquilo, alguns acreditam e se comportam de acordo com a crença que “estão fazendo um favor em vir morar em Israel”, muitos outros (demais) ainda chegam a Israel e a primeira pergunta é “o que mais posso receber e quais são meus direitos”.
São quase dez anos e nunca ouvi uma vez só alguém perguntar dos deveres para com o Estado em que os acolhe.
Pessoalmente eu saí mais beneficiado do que prejudicado depois desses anos todos e foram essas pessoas maravilhosas que no decorrer dos anos que me ensinaram que apesar das dificuldades valeu a pena e não vou retrair e nem fechar a organização só por causa de uma minoria barulhenta.
A esses, eu deixo aqui o meu eterno agradecimento e creio que são a vocês que é o público brasileiro em geral que procura a organização VOLEH fica devendo um imenso TODA RABA e ISHAR KOACH.
Pessoalmente, como dizem os Americanos, continuo: Counting my blessings.

