Verão, inverno, ou qualquer estação do ano são boas épocas para se tirar férias em Israel, mas existem algumas precauções e fatos dos quais se deve estar ciente para um melhor aproveitamento.
Entre expectativas e decepções:
O problema começa quando esperamos nos divertir muito – e pior ainda é quando, ao invés de férias maravilhosas, recebemos muito pouco em troca do nosso investimento. Isto ainda pode se tornar um problema legal sério quando somos prejudicados devido à negligência de outra pessoa.
Como prevenir problemas:
Nem sempre é possível evitar que férias as quais esperamos que sejam boas se tornem uma experiência ruim ou apenas um desperdício de dinheiro, mas certamente há medidas que podemos tomar para evitar determinados problemas. Se formos espertos e cautelosos podemos evitar problemas em potencial, mas devemos levar em conta que nem tudo depende da nossa atitude.
Seja cauteloso e fique atento:
O uso da internet, com todas as informações e fotografias disponíveis na rede, pode ser uma ótima ferramenta para se encontrar o melhor local para se possibilitar as férias que sonhamos, mas saiba que as fotos que se encontra na internet em geral são postadas pelo “vendedor” ou seu “agente” para efeitos de vendas. Uma realidade pode vir a ser “omitida” já que o Photoshop pode mudar toda e qualquer imagem, e câmeras inteligentes podem usar os ângulos mais convenientes para tornar qualquer local mais amplo. Assim como nós fazemos uso da tecnologia em nosso favor também os “vilões” têm esta possibilidade, às custas de consumidores ingênuos.
As opiniões de outros consumidores podem também ser uma ferramenta confiável, e atualmente há muitas delas nos sites onde as pessoas podem falar de suas experiências e dar conceitos quanto aos hotéis e serviços oferecidos – mas tenha em mente que nem sempre eles são completamente verdadeiros, já que podem ser “encomendados” por amigos dos interessados nos lucros.
Por estes motivos é recomendável usar uma variedade de fontes para se ter uma perspectiva mais realista. A opinião de amigos de confiança que já estiveram nos locais que se pretende visitar poderá ser a melhor fonte de informação, além do seu bom senso.
Outros recursos como rótulos do tipo Extra, Deluxe, Super Deluxe, aprimorado, vista superior, superior, etc são usados com frequência, e qualquer um pode cair na armadilha de um deles, pagando no final de contas um valor desproporcional ao que efetivamente foi oferecido.
Comendo em restaurantes/lanchonetes:
A ousadia em determinados lugares pode chegar a níveis absurdos. Imagine que você peça uma pizza de cogumelos – obviamente pagando um extra por este complemento – mas quando a recebe encontra um pequeno pedaço de cogumelo. Você pergunta então ao garçom onde estão os cogumelos que pediu e pelos quais pagou, e poderá receber a seguinte resposta: “Sinto muito, tivemos um dia cheio – todos os cogumelos acabaram.” Bem, você esperaria que eles ajustassem o preço ou dessem algo grátis em troca, mas ao invés disto se verá obrigado a pagar por algo que não recebeu de fato. Neste caso o que se deve fazer é se recusar a pagar – exatamente, dizer “não” e não concordar em pagar pelo extra que não foi fornecido.
A lei em Israel
As leis do consumidor e regulamentos em Israel não são adequados. Nós ainda temos que aprovar muitas leis e pôr em prática aquelas que já existem para que se comece a ver um aprimoramento da situação. De fato, em alguns lugares o nível do serviço ao cliente está muito distante do que se encontra em outros países desenvolvidos, e por este motivo devemos sempre exigir os nossos direitos. Os consumidores em geral têm mais poder do que pensam para conseguir alguma coisa – então, se você sentir que alguém está tendo tirar vantagem de você, deve dizer isto e exigir o recebimento do que você estiver pagando.
Reclamações:
Escrever cartas para o Ministério do Turismo (http://www.tourism.gov.il/GOVHeb/Pages/default.aspx) e do Trabalho (http://www.moital.gov.il/cmsTamat/SendMail.aspx) ou qualquer outro órgão governamental poderá ajudar a criar uma maior consciência, e precisamos de muito disto para que se faça mudanças.
Algumas vezes cartas de reclamações escritas por um advogado surtem mais efeito, mas em muitos casos apenas uma ação judicial poderá ajudar. Esteja preparado para o fato de que, mesmo com uma carta muito clara, e estando completamente certo sobre seus direitos, poderá não atingir os resultados pretendidos. A pior parte é que mesmo após uma ação judicial você pode conseguir um acordo tão insignificante que mal cobrirá suas despesas. Sendo assim, escolha bem pelo que vai lutar.
Quando renunciar aos seus direitos:
Quando devemos renunciar a alguma coisa? Na minha opinião a resposta é quando sabemos que nossos esforços não vão dar em nada; e infelizmente na atual conjuntura isto pode acontecer na maioria dos casos.
O tribunal de pequenas causas é um bom meio mas não pode dar uma solução perfeita. A solução do tribunal é sempre: compensação/dinheiro e nada mais. Por exemplo, se você teve uma experiência muito ruim em um determinado hotel e tudo o que lhe oferecem é mais um final de semana no mesmo lugar, você aceitaria isto? Provavelmente você não se divertiria e ficaria ainda mais decepcionado.
O que esperar de uma ação judicial:
Sejam quais forem as suas expectativas de um julgamento – baixe-as mais e mais porque os tribunais em Israel não são (ainda) suficientemente “punitivas” no sentido de mandar uma “mensagem rígida” para aquele que infringe o direito do consumidor. O fato é que, para muitos fornecedores de serviços, vale a pena em termos financeiros ter um mau serviço ainda que o resultado seja a perda de alguns clientes, ou que tenham que pagar algumas “penalidades” no tribunal. Fazer mudanças pode ser complicado e caro, portanto os fornecedores de serviços resistem fortemente a elas.
Os israelenses são pessoas que fazem muitas queixas mas de algum modo acabam voltando aos mesmos lugares que prestaram um serviço ruim! Além do mais, raramente investem seu tempo em escrever cartas de reclamações ou em processos por danos. Consequentemente, as empresas podem chegar à conclusão de que “é uma boa prática” não melhorar os serviços ao saberem que o israelense comum é um conformista, e que a penalidade em geral tem um valor muito baixo se comparado às despesas de um aprimoramento dos serviços.
Até então tudo o que eu mencionei está correto, com uma única exceção – dano pessoal. Se você sofrer algum dano durante as férias e este tiver se dado como consequência da negligência do hotel ou de outro local de divertimento ao qual tenha ido, consulte seu advogado imediatamente – o quanto antes. Um advogado especialista neste assunto poderá guiá-lo no processo para juntar as evidências e evitar erros cruciais que boa parte das pessoas comete.
Sejamos sensatos:
Eu não estou dizendo que você deve renunciar aos seus direitos sem ponderar bem quais as suas chances, mas sim que deve escolher os desafios a serem enfrentados; e quando o fizer, faça-o com a devida orientação legal, tendo em mente que tudo deverá incluir um advogado e o pagamento de taxas dos tribunais. Lembre-se que, muitas vezes, “o barato sai caro”.


