Nós podemos ajudá-lo bastante, fazer a diferença no seu processo de imigração, mas não podemos dar soluções fantasiosas ou fazer mágicas.
Um caso verídico
Rachel foi um caso difícil, não devido aos fatos mas sim devido à teimosia da cliente. Ela era muito inflexível e mais de uma vez tive que pedir que ela que se retirasse do escritório e retornasse quando estivesse mais tranquila.
Aos 18 anos ela deixou Israel embora soubesse que não deveria fazê-lo pelo fato de ter que servir nas Forças Armadas em poucas semanas. Ela me contatou e perguntou sobre as consequências. Eu avisei a ela que não seria uma boa idéia agir desta forma e que ela deveria tentar falar com as Forças Armadas para ver o que seria possível fazer.
Mesmo assim ela viajou, alegando que tinha que voltar aos EUA porque sua mãe estava doente e precisava de ajuda. Seu pai (divorciado de sua mãe) não tinha dinheiro para ajudar, de modo que Rachel teria não apenas que ajudar sua mãe mas também se sustentar. Tudo isto era verdade, já que sua mãe de fato estava muito doente e sofrendo um grave crise financeira, por não ter trabalhado por bastante tempo. Não havia nenhum exagero na história.
Passaram-se dois anos até que Rachel novamente entrasse em contato comigo novamente. Ela estava pensando em voltar a Israel e deixar a mãe com sua irmã. Eu a aconselhei a ir à Embaixada Israelense e começar a regularizar a sua pendência, seu “problema” com as Forças Armadas, mas ela “sabia melhor o que deveria fazer.” Rachel tinha “amigos” que a aconselharam a vir a Israel e procurar as Forças Armadas daqui mesmo. Como disseram a ela “provavelmente vão te liberar depois de uma punição leve”.
Eu fui visitar Rachel na Prisão Militar, onde ela está sendo mantida presa nos últimos dois meses, como desertora – que é um crime muito sério contra o Estado.
É verdade que nós somos uma sociedade muito humanitária, e até mesmo os nossos militares podem ser bastante compreensivos. No entanto, como um Comandante Oficial das Forças Armadas, posso dizer que boa parte dos soldados “têm determinadas circunstâncias especiais” de modo que o sistema legal militar encara cada caso como único, numa tentativa de encontrar um equilíbrio entre medidas disciplinares contra infratores da lei e necessidades especiais, como no caso de Rachel.
De qualquer forma nós não podemos vencer um caso de deserção das Forças Armadas sem que um soldado receba alguma “penalidade”, o que não corresponde à realidade.
Sejamos sensatos:
Quando buscar orientação jurídica e aconselhamento você deve confiar no profissional que procurou, mas nunca espere que ele faça algo impossível ou que tenha pena de você. Tudo o que poderá e deverá fazer é esperar que ele compreenda a sua situação e que faça de tudo para ajudá-lo no que fôr possível, levando em conta as reais possibilidades, ainda que elas não correspondam exatamente às suas convicções e seus desejos.


