Pela primeira vez na história: Rabinatos Europeu e Israelense farão em conjunto um registro internacional de “Sarvanei Get”

Sarvanei Get é o termo em hebraico utilizado para definir homens que se recusam a entregar o Get ao cônjuge (ato religioso que constituí o divórcio). Conforme a lei judaica, uma mulher que se separa não poderá se casar com outro homem enquanto não receber de seu marido, o Get. Dessa forma, quando o marido se recusa a entregar o Get, a mulher torna-se Aguná.

Para evitar essa situação a lei permite ao Beit Din (tribunal rabínico) a imposição de uma série de penalidades, sansões e medidas que visam a coagir o marido a dar o Get.

Nos últimos dias, os tribunais rabínicos de Israel e da Europa uniram-se para criar, em conjunto, um registro de todos os Sarvanei Guet com o objetivo de facilitar a aplicação de sansões e medidas coercitivas, bem como a identificação daqueles que se escondem em países estrangeiros.

Entre as sanções, as comunidades locais serão orientadas a não receber estas pessoas e a negar-lhes qualquer tipo de serviço religioso. O Rabinato Central Europeu solicitará a colaboração das autoridades rabínicas da União Europeia e de Israel em vista a realizar um levantamento das informações contendo nome e foto de maridos Sarvanei Get, na tentativa de acabar com o fenômeno da recusa à entrega do Get. O objetivo deste levantamento é aplicar as devidas sanções aos maridos que fugiram de seu país de origem e identificá-los onde quer que estejam escondidos.

O rabinato Central Europeu esclareceu que as diferentes comunidades judaicas deverão recusar aos Sarvanei Get qualquer tipo de serviço religioso, como por exemplo – não os contar para “Minyan” e os rabinos deverão proibir que membros da comunidade recebam estas pessoas em suas residências.

A ação tem por objetivo pressionar e coagir estes homens a dar o Get. A realização do levantamento e registro foi decidida na Conferência de juízes rabínicos realizada em Bruxelas, na Bélgica, nos últimos dias.

Na conferência, em que participaram dezenas de juízes de vários países da Europa, foram debatidos inúmeros assuntos que abrangem o cotidiano judaico no continente. Com o auxílio da União Europeia, a questão da colaboração entre os “Batei Hadin” espalhados pelo mundo e o departamento das Agunot, órgão integrante do Beit Din israelense – teve papel de destaque na conferência. O Rabino Eliahu Maimon, diretor do departamento, descreveu perante os rabinos e juízes ali presentes a luta que tem enfrentado em face dos Sarvanei Get e seu esforço dedicado à identificação e localização dos mesmos.

A despeito de suas palavras, desenvolveu-se um intenso debate entre os juízes ali presentes em que se discutiu as melhores formas de identificar estes cidadãos e concluiu-se pela realização do levantamento e do registro no qual constarão as informações relevantes de homens que até agora recusam-se a dar o get.

O diretor do Rabinato Central, Rabino Menachem Margolin propôs que as autoridades do órgão, cuja sede encontra-se no mesmo prédio da União Europeia em Bruxelas, utilizem dos laços com a UE, para reforçar a posição dos tribunais rabínicos, de forma a aplicar, com maior eficiência, as sanções mencionadas. Conforme o planejado, os juízes solicitarão às autoridades que apliquem as penalidades, inclusive pena de prisão, como ocorre hoje em israel.

Um toque pessoal:

Eu me pergunto porque demoramos dezenas de anos até chegar a essa conclusão e finalmente atuar contra essa espécie de crime que na verdade não passa de uma covardia baixa de maridos que usam uma excelente regra judaica como o Get para estorcer e punir a esposa.

A pergunta mais aguda é porquê a necessidade dessas regras? Onde está a moralidade individual de cada membro da comunidade que aceitam esse tipo de criminosos como “parceiro” ou “amigo” ignorando o fato de que esses indivíduos deixaram atrás de si famílias destruídas e sofrimento só por ganância própria ou como ato “punitivo”?

É pura responsabilidade da liderança rabínica a evitar que esses criminosos sejam partes de sua comunidade assim sendo, é essencial que a liderança e toda a comunidade evitem a continuação desse ato cruel.