Às vezes não conseguimos pensar de outra forma:
Quantas vezes você já se perguntou: O que eu fiz? Como causei estes problemas? Como posso consertar isto?
Pois bem, eu sugiro que você responda estas perguntas por meio de uma outra indagação: Você tem certeza que foi sua culpa?
Talvez valha a pena tentar observar os fatos de uma perspectiva diferente, de modo que poderá vir a se surpreender com uma descoberta inesperada.
Fugindo de casa:
David estava à beira de um colapso. Lili desaparecera de casa há dois dias sem ter sido ainda localizada, e ele estava enfrentando muitas dificuldades em lidar com esta situação, culpando a si mesmo. O pai sentia que não fizera o suficiente para evitar este fato, se sentia responsável pelos hábitos da filha de se embebedar, pelo seu “comportamento sexual excessivamente liberal”, e pelo fato de ela estar tendo dificuldades ao lidar com a fase da adolescência.
David chorou lágrimas amargas por dois dias pensando que havia perdido Lili quando a Polícia entrou em contato. Ela foi encontrada em um parque público, semi-consciente, após o consumo excessivo de bebida alcoólica.
Como vocês devem imaginar, os assistentes sociais passaram a responsabilizar David, um pai viúvo que lutava para criar seus três filhos adolescentes, sozinho. Ele estava agora arrasado pelas acusações de negligência formuladas pelos assistentes sociais.
Talvez nunca tenha ouvido estas palavras dirigidas a você (“você é um pai negligente”), mas ninguém está imune a receber uma porção de más notícias em algum ponto de sua vida. Para David isto era chocante e doloroso, e agora ele estava quase certo de que isto era verdade.
O sentimento de culpa:
Quase um mês decorreu desde o fato. David mudou muito desde o falecimento da esposa, gerenciando a casa e tomando conta dos filhos, como se poderia esperar de um bom pai. Mas após as acusações dos assistentes sociais, os quais pretendiam interferir na sua vida particular, ele podia passar algumas horas fora de casa, embora sempre voltasse para servir o jantar e ajudá-los como pudesse. Ele estava se sentindo culpado!
Quando o atormentado pai entrou pela primeira vez em um consultório psiquiátrico, não sabia bem que esperar. Felizmente ele encontrou um profissional competente, e após três meses pôde interromper o tratamento e passar a ver a realidade de uma perspectiva diferente.
Então, como podemos digerir tudo o que precisamos para passar a lidar com a questão que se apresenta diante de nós? Como podemos nos certificar de não permitir que um mal julgamento alheio venha a definir a nossa vida?
Permaneça no presente, embora seja válido manter a consciência de como o passado pode estar influindo nas suas atuais reações. Procure lembrar a si mesmo como conseguiu, anteriormente, lidar tão bem com seus filhos adolescentes diante de algum tipo de dificuldade. Lembre-se que você já foi bem sucedido em tantas ocasiões, ainda que uma ou outra destas oportunidades possa lhe escapar da memória no momento.
Adolescentes podem ser instáveis e imprudentes:
Apenas nos EUA, a Rede Nacional para a Juventude sugere que aproximadamente 1 entre 1.3 milhão de jovens fogem de casa todos os anos, sendo que os números podem ser ainda mais elevados se levarmos em conta outras fontes.
Já em Israel, obviamente, não existe uma informação oficial disponível sobre o assunto. Ainda que se possa apontar alguma estatística, é muito provável que não possamos lhe atribuir uma confiabilidade.
É preciso considerar que nós não podemos prevenir ou evitar, de forma absoluta, que os jovens venham a fugir de casa. Eles tentarão “escapar”, não porque fomos negligentes, mas sim devido à sua própria dificuldade ou falta de compreensão do mundo em que vivemos.
Os principais motivos pelos quais os jovens fogem de casa em Israel são:
Conflitos com os pais, abuso sexual por parte de um membro familiar, drogas, álcool e problemas escolares. Talvez você não saiba que existem diversas empresas especializadas em localizar e devolver estas crianças à sua residência. Você poderá encontrar mais detalhes sobre elas na Internet.
Caminhando para um final feliz:
Lili está cursando atualmente uma boa universidade em Israel. Por algum tempo ela ainda tentou fazer com que seu pai se sentisse responsável pelos seus atos impensados, mas David permaneceu forte; ele conseguiu superar o poderoso “sentimento de culpa” que o acometia, após receber muito apoio de amigos e do seu psiquiatra.
Agora eles tentam reconstruir a família e restabelecer uma confiança mútua, deixando para trás os sentimentos negativos que anteriormente dominaram a mente do pai.
Mas nem todos os casos acabam desta forma…
Infelizmente a maioria dos jovens não acabam em uma sala de aula, em casa ou como cidadãos livres; qualquer um que tenha estado presente no Tribunal Juvenil, em uma das grandes cidades, poderia concluir isto. No entanto, a maioria de nós não terá a possibilidade de assistir a nenhuma destas audiências porque elas sempre ocorrem a portas fechadas, devido ao fato de se tratar de menores de idade, aos quais se concede o direito ao sigilo.
Crianças são crianças, mas elas ainda podem cometer crimes contra a sociedade. Freqüentemente isto não se dá pelo fato de elas pretenderem seguir uma carreira criminosa, mas sim por estarem às voltas com os amigos inadequados, por escolherem o caminho errado ou porque não conseguem encarar a realidade. Outros se comportam desta forma por serem mimados, acreditando que, se forem pegos, poderão vir a ser eximidos de uma penalidade.
Sejamos sensatos:
Seja qual fôr o motivo do desencadeamento dos fatos, você deve sempre pensar no futuro e como lidar com os problemas sem que o sentimento de culpa influencie no seu comportamento. Tenha em mente que este sentimento é um dos fatores mais prejudiciais na vida de uma pessoa, e que tem um potencial destrutivo bastante considerável.

