Quando um casal finalmente consegue um acordo de Divórcio de forma relativamente pacífica, e é atingido pela ganância, esta experiência será desastrosa e poderá custar muito caro. Quando a ganância está envolvida, ninguém sai vencedor, a não ser os advogados e suas contas bancárias.
Harry e Sally:
O casal ficou junto por 15 anos. Eles tinham 3 filhos e saíram dos EUA para viver em Israel após o nascimento do primeiro filho. Um detalhe: antes de se casarem Sally vinha de uma família abastada, e Harry de uma família com poucos recursos.
Em algum momento durante os anos em que viveram em Israel, Sally se tornou mais liberal no que se referia à religião, enquanto que Harry via as coisas de forma mais restrita. Consequentemente houve conflitos e uma série de problemas que a terapia de casal não pôde resolver, de modo que ambos decidiram amigavelmente dissolver a união. Eles concordaram verbalmente com os termos de um acordo de Divórcio, que incluía uma custódia integralmente compartilhada dos 3 filhos e uma divisão igualitária do imóvel de habitação.
Após apenas 3 reuniões, sem ao menos terem comparecido ao tribunal, os advogados elaboraram uma tentativa de acordo, e todos concordaram em agendar uma reunião final para finalizar e assinar o acordo, no entanto, antes da data marcada o advogado de Sally telefonou para o advogado de Harry para remarcar a reunião.
Era o momento no qual a mãe se Sally havia entrado na história. Ela decidiu que Harry não deveria receber nenhuma parcela do imóvel que o casal havia adquirido. Na semana que seguiu Sally processou Harry no Tribunal de Família exigindo toda a propriedade do seu apartamento. Ela sentia que Harry não merecia receber nada pelo fato de esta ter sido inicialmente paga pelo dinheiro de sua família. Se isto não bastasse, foi ajuizada mais uma ação judicial, na qual Sally exigia a custódia integral dos filhos e uma quantia absurda a título de pensão alimentícia, baseando-se no fato de seu marido ter sido um pai ausente e abusivo durante os últimos dez anos do casamento.
Aqui abro um parêntese, e posso lhes dizer que este tipo de afirmação não é incomum em casos de Divórcio, e o fato é que os juízes estão cientes destes exageros e falsas alegações em Divórcios turbulentos. Durante a audiência o juiz perguntou a Sally se, caso recebesse a propriedade integral do imóvel, estaria disposta a assinar um acordo de guarda compartilhada dos filhos; e sem surpreendê-lo ela imediatamente respondeu afirmativamente, antes mesmo de o juiz poder dizer alguma coisa. Era por isto que o juiz esperava, tendo a certeza de que ela estava mais interessada no dinheiro do que no bem estar das crianças, e ordenou que eles saíssem da sala e tentassem chegar a um acordo.
Eles não tiveram êxito, então determinou-se uma extensão de 15 dias para permitir que as partes tentassem uma negociação.
O acordo:
Foram necessários poucos dias para que finalmente chegassem a um consenso:
A propriedade seria dividida desigualmente, na proporção de 60% para Sally e 40% para Harry. Para isto, ela seria vendida e cada um receberia a sua parte.
Uma pensão alimentícia simbólica de $350 por mês seria paga por Harry e ambos concordaram com a guarda compartilhada dos filhos.
O juiz aceitou isto alegando que era o melhor para as 3 crianças, mas de fato acabou sendo a melhor solução para os advogados, e não para seus clientes.
Vamos aos números:
A mãe de Sally deu à sua filha o valor de $100,00 como presente, para que o casal pudesse dar entrada em um imóvel avaliado no valor de $600,000. O casal pegou um empréstimo no valor de $500,000, e pagou durante 12 anos, utilizando os frutos de seus rendimentos conjuntos. O apartamento foi vendido por $720,000.
Tendo os advogados sido nomeados como liquidantes do patrimônio, eles receberam 1.5% do valor do imóvel, cada um. Acrescentou-se ao valor o imposto incidente sobre a transação (um total de $26,000).
Sally pagou um valor adicional de $8,000 como honorários advocatícios pelas duas ações judiciais.
A conta ficou da seguinte forma:
$720,000 (venda do apartamento) – $300,000 (o que restava do empréstimo) – $13,000 (metade dos honorários dos liquidantes) – $8,000 (honorários advocatícios adicionais) = $399,000 x 60%
Sally recebeu no final das contas $239,000.
Se a mãe de Sally não tivesse se intrometido:
$720,000 (venda do apartamento) – $300,000 (restante do empréstimo) – $2,000 (valor original de honorários advocatícios) = 418,000 x 50%
Sally teria recebido $209,000.
Um total de $30,000 a menos do que o atual acordo. Isto pode nos levar a pensar que ela fez a coisa certa, mas se levarmos em consideração o que aconteceu depois, veremos que não foi bem assim.
Sally rapidamente torrou os $239,000 e sua mãe se recusou a ajudá-la dando mais dinheiro. Depois de ter sido forçada a vender seu apartamento, ela teve que alugar um imóvel por $1000 mensais. Ela estava recebendo $350 para as crianças, de Harry, mas não conseguia acabar o mês positivamente.
O relacionamento com os filhos se deteriorou com todo o problema, e elas se rebelaram contra os pais. Obviamente um atribuiu ao outro a culpa por isto.
Consequentemente ela decidiu reabrir o caso da custódia e pedir custódia exclusiva, o que lhe custou uma pequena fortuna e a afundou em dívidas.
Resultados como estes são bem típicos: Bom para os advogados, ruim para os clientes e péssimo para as crianças!
Moral da história:
A natureza humana não tem limites para sua ganância. Parece que quanto mais temos, mais desejamos.
Mas se você fôr uma pessoa razoável, boas coisas lhe acontecerão, já que boas ações sempre geram mais boas ações.
Pensem nisto!


