Esse artigo foi escrito e publicado há alguns anos atrás. Desde então nada mudou, exceto a quantidade de novos imigrantes mal orientados ou alugando uma propriedade que eles jamais teriam alugado se soubessem que tipo de contrato estavam assinando.
Diferenças Culturais é o Maior Problema
Portanto esse é o motivo pelo qual tentamos resolver o problema através da conversação com as partes opostas (Locador e Locatário), e não só enviando cartas de ameaça por exemplo. Lembre se que temos mais de 70 mil advogados nesse país – acredite em mim quando digo que muitas cartas desnecessárias são enviadas todos os dias conseguindo realizar absolutamente nada.
Nós tentamos diminuir a diferença cultural, mas sua cooperação é muito necessária. Você tem que se comprometer e entender um ponto muito importante relativo a relação cliente-advogado.
As vezes o cliente quer se sentir “protegido e bem representado”. Eu já ouvi frases como: “Eu quero que você de a eles uma lição” ou “por favor me explique cada pedaço do seu trabalho” e até “Eu não ligo se tiver que chegar a Suprema Corte de Israel”. Se eu fosse seguir essas recomendações eu não alcançaria resultados positivos e não resolveria nenhum problema. Eu faço o melhor para não lutar uma guerra a “lá Dom Quixote”, mas sim para resolver problemas! Estamos em Israel, não em “La Mancha”.
Eu entendo que para muitos novos imigrantes é muito difícil lidar com um sistema jurídico completamente novo. Adicione ao fato uma nova e estranha mentalidade (especialmente a mentalidade israelense!) e o fato de novos imigrantes se sentirem sob grande pressão, e você tem uma receita perfeita para um desastre!
O jeito Americano de fazer negócios em contraste com o jeito Israelense
Em Israel um “costume” (Minhag) ainda não é lei (Hok), mas o costume pode vir a ser lei (Din), portanto todos devemos achar uma forma de se conectar com as leis e costumes israelenses. Pode parecer complicado, mas não é tão ruim – você se acostuma.
Na América não se usa cheques pós datados – em Israel isso é pratica usual em negócios.
Na América cheques de depósito de segurança não são pós-datados, eles são sacados por um terceiro, o agente depositário (firma de advocacia ou imobiliária), que fica com o dinheiro até 15 dias após o contrato, permitindo então que o Locador possa alegar contra o locatário necessidade de reparos – ou permitir que o locador receba o dinheiro de volta. Você pode não entender, mas em Israel o depósito de segurança pode (e deve ser assim, na minha opinião) ser pós-datado para o fim do contrato, mas nem sempre é feita dessa forma! E o depósito fica em mãos do próprio Locador.
Na América um período razoável de resposta a graves deficiências exigindo reparos seria de no máximo 48 horas. E em um caso em que, por exemplo, há água infiltrada e escorrendo na parede, seria razoável esperar um reparo em somente algumas horas. Em Israel, onde a água e escassa, isso deveria receber prioridade máxima, mas nem sempre acontece, pois, “ninguém está com pressa” (exceto o locatário vivendo sob condições extremas)
Na América, as leis em geral protegem o locatário, e o responsabilizado é o locador. Em Israel, as coisas parecem bem mais relaxadas nesse sentido e é por isso que existem tantos Locadores Deploráveis se safando com a locação de casas inabitáveis! Alguns novos imigrantes sofreram perdas materiais pois tiveram seus pertences arruinadas – enquanto os locadores continuam se recusando a consertar o problema. Outros tiveram que se mudar de seus apartamentos medonhos para um lugar melhor pois não conseguiriam passar nem mais um mês em um apartamento desses.
E pelo fato de muitos desses novos imigrantes terem sido previamente donos de casas/apartamentos, e não conseguirem nem comprar uma pequena casa no preço israelense, o fato de lidar com locadores problemáticos e antiéticos faz com que muitos até considerem voltar para a América pois dessa forma a Aliá parece insuportável a eles.
E aqui que nós entramos e agimos, não importa se você é americano ou brasileiro, mas você deve confiar em nós e deixar que lidemos com o problema para que possamos resolver de forma mais correta e rápida possível.
Há uma pegadinha, porém. As vezes devido a pressão ou o que pode aparentar uma falta de empatia, podemos parecer não muito solidários a sua causa. Por favor nos perdoe! Estamos cientes do problema de comunicação, e damos nosso melhor, mas nem sempre é possível agradar a todos.
Um pedaço de Sabedoria:
Assim como em um caso de divórcio, emoções são sempre um inimigo ao seu melhor interesse. Em uma disputa contratual você deve usar suas melhores ferramentas: Seu cérebro, o bom senso e o seu advogado.
Tente não “suar sobre as coisas pequenas” (Don’t Sweat the Small Stuff ) e pensar racionalmente – se objetivando em resolver o problema o mais rápido possível com o menor gasto de carga emocional.
Pode parecer confuso ou frustrante, mas nós temos de fato o seu maior interesse em mente, e faremos o nosso máximo para que se alcance o melhor para você.


