
O primeiro tópico que eu não entendo:
Faz pouco tempo que eu publiquei um anúncio procurando por um tradutor. Muitos responderam ao anúncio e nem vou revelar a quantidade e acabei contratando uma pessoa que fez um excelente trabalho de tradução.
Eu paguei 35 shekels(neto/líquido) por hora para esse tradutor. O trabalho foi feito em “home office” e no horário que lhe fosse mais conveniente. Essa tradução não era para mim, mas sim para uma grande companhia de seguros. Eu apenas fui o intermediário e fiquei encarregado de fazer as revisões e adaptações.
Quando anunciei essa oferta de trabalho, notei alguns comentários pejorativos que me incomodaram: “está procurando escravo para pagar 35 shekels por hora?” ou “acha que somos bobos?” – o que obviamente não se trata de comentários inteligentes e construtivos.
Essa semana eu vi vários anúncios procurando pessoas para: lavar louça por 33 shekels a hora, limpeza em geral 35 shekels, trabalho no aeroporto (trabalho físico) 33 shekels, trabalho de vendedora 32 shekels, trabalhar em jardim de infância 30 shekels entre tantos outros e com salários “bruto”. Todos os trabalhos árduos com presença física e em horários fixos. Entretanto, para esses trabalhos eu não vi nenhum comentário do tipo “Escravidão”!
Para os comentaristas de plantão, eu quero sinalizar um dos comentários que me marcou (não lembro o nome da pessoa) onde dizia: “Não sou filho de escravos. Sou filho de seres humanos que foram forçados a escravidão”…
Na minha humilde filosofia e na minha linha de moralidade não existe trabalho que envergonha o trabalhador, mas sim trabalho que sustenta as nossas famílias!
Tenho certeza de que os “comentaristas de plantão” poderiam pensar duas vezes antes de usar o teclado para tentar destruir o que outros tentam construir.
O segundo tópico que eu não entendo:
Inúmeras vezes vejo pessoas pedindo referência de um bom profissional em diversas áreas e me deparo com respostas do tipo: “aquela profissional é a melhor”, “eu acho que aquele é sem dúvida o mais competente”, “eu utilizei os serviços daquela profissional e não tem melhor.”
Eu sinceramente espero que nunca ninguém me descreva dessa forma quando for me recomendar!
O mais absurdo ainda é quando comentam: “esse (a) profissional, eu recomendo” quando se sabe que infelizmente ele (a) não domina o assunto ou pior ainda, nem tem licença para atuar nessa área! Mas o blogueiro não pensa duas vezes…escreve logo o que lhe vem na cabeça.
Somos profissionais e não é preciso desmoralizar um para engrandecer o outro e, apesar de não ser algo que o público em geral saiba, eu respeito e tenho boas relações com outros profissionais brasileiros no campo da advocacia.
O terceiro tópico que eu não entendo:
Por muitos anos acostumei muita gente a não cobrar pelos meus honorários advocatícios (eu pago pelos meus erros e não culpo ninguém). O que está acontecendo é que após 14 anos deste tipo de serviço me dei conta que quase a metade do meu tempo está tomado por serviços gratuitos – sim, acreditem, quase a metade do meu tempo.
Não é mais possível trabalhar com essas condições, sem cobrar nada, pois assim estaria prejudicando aos clientes que requerem a minha total atenção.
Ultimamente, alguns “clientes” não gostaram de serem cobrados por serviços advocatícios, mas tenho certeza de que entendem que estarão recebendo excelente retorno pelos honorários pagos.

