Já me perguntaram “Como posso saber se o meu advogado é um bom profissional? Como posso ter a certeza de que ele está me representando bem?” Minha resposta é simples: “Você não pode ter esta certeza, mas pode usar seus instintos, bom senso e também se pautar em recomendações.”

Como um bom advogado deve ser:

O mais importante é encontrar um advogado que se importa com você e seu caso, com quem tenha uma boa química.

Pode ser difícil para você identificar se ele é um bom especialista ou não no seu ramo de atuação, de modo que não terá alternativa a não ser confiar que ele saiba bem o que está fazendo.

O seu advogado deve compreender claramente o seu problema, inclusive o que o coloca na posição de cliente, como Autor ou Réu (principalmente se você tiver sido indiciado criminalmente). É possível que você mesmo não seja capaz de identificar o problema real no qual está envolvido, de modo que alguém terá que fazer isto.

Um bom advogado deve ser capaz de ouvir o seu cliente (e ler nas entrelinhas), mas também deve dar ouvidos a todas as outras pessoas que de alguma forma se relacionem ao caso. Assim sendo, ele deverá ser um detetive-advogado, bom investigador e com uma boa capacidade intuitiva.

Seu advogado deve ser corajoso o suficiente para falar com você sobre as fraquezas de seu caso, sem dizer a você apenas o que deseja ouvir. Ele deve ser honesto e dizer a verdade, quando um caso é bom ou recomendar que o deixe de lado, devido ao fato de não se justificar por variados motivos. Há que se considerar que ele conhece melhor o sistema do que você, podendo apontar com mais sucesso as reais possibilidades do seu caso.

Um advogado duro demais, que sempre esteja atacando sem respeito os seus oponentes poderá na maioria dos casos ameaçar qualquer chance de negociação justa e bem sucedida, criando ainda um desenvolvimento de trabalho negativo com todos os oponentes.

Por outro lado, um advogado bonzinho demais, extremamente flexível ou que ignora as fraquezas pode ser perigoso, já que provavelmente terá efeitos colaterais decorrentes da mensagem de fraqueza enviada aos oponentes, e portanto dando a impressão que será fácil de manipular você e seu advogado.

Leve em conta que o fato de querer contratar um advogado que escreve uma carta muito longa e agressiva não implicará necessariamente em um efeito positivo. Ao contrário, fazendo isto você poderá estar se colocando em uma situação mais complexa no futuro. Procure alguém que possa refrear  o seu entusiasmo e controlar suas emoções, principalmente quando funcionários, assistentes sociais ou advogados do governo estiverem envolvidos. Um bom advogado deve ter uma compreensão psicológica da natureza humana, o que chamo de “bom sistema de navegação”.

Posso afirmar que não existe nenhum caso no qual um Autor e um Réu estejam digladiando entre si (cada qual com o seu advogado) no qual alguma psicologia não se faça necessária para se facilitar o andamento do mesmo. Em muitos casos, disto dependerá uma vitória ou um desfecho positivo.

Não faça isto:

Não se deve tentar “monitorar” ou “supervisionar” o seu advogado – deixe que ele faça o trabalho em paz!

Não pressione, dê ao seu advogado o tempo necessário para identificar o problema, verificar os aspectos legais do caso. Ainda que você tenha pressa ou esteja ansioso com tudo, confie que ele não perderá tempo desnecessário e que conhece bem os prazos legais. Desta forma ele poderá encontrar uma solução e trabalhar adequadamente em seu favor. Seja paciente, pode ser que leve algum tempo para que se saiba qual a melhor forma de agir, mas no final das contas tudo reverterá em seu próprio benefício.

Outra coisa importante é não se indispôr ou brigar com seu advogado, mas sim se juntar a ele. Ainda que discorde de alguma coisa, procure convencê-lo do seu ponto de vista, levando em conta que ele o estará representando! Vocês devem ser uma equipe, já que o seu oponente e o advogado dele podem ser considerados como um problema suficientemente grande para você lidar.

O pior advogado que eu já tive:

Há muito tempo atrás eu tive que representar a mim mesmo em um caso extremamente complexo. No final, de alguma forma eu consegui me dar bem, mas o dano que causei com toda a certeza não valeu esta vitória. Com isto descobri que eu tive um mau advogado e um péssimo cliente.

Assim sendo, nunca procure advogar em causa própria, se representar em um caso – nunca mesmo! Não vale a pena.