Introdução positiva

Nossos sábios nos ensinam que devemos começar sempre com algo positivo e por isso quero ressaltar o fato de que existem em Israel muitos brasileiros bem sucedidos que amam Israel, e se integram totalmente na sociedade. Porém não existe nem mesmo um que tenha conseguido esse sucesso sem dominar plenamente a língua hebraica.

O artigo e as críticas

Em 2017 escrevi o artigo nesse LINK e republiquei o mesmo na data de 25/6/2020 no facebook.

O artigo republicado teve uma “grande repercussão”. Recebi uma verdadeira avalanche de críticas e comentários, tanto em mensagens particulares como publicamente, o que na verdade é nada mas que o exercício democrático do uso do teclado por parte dos nobres críticos internautas.

Entre os diversos comentários, percebi que muitos leitores não entenderam a mensagem inerente (no artigo original) e outros nem leram o artigo original até sua última linha e por isso achei pertinente explicar melhor alguns fatos.

A “VOLEH”

Em 2008 eu criei uma organização, uma ONG sem fins lucrativos que chamei de VOLEH. No decorrer desses 12 anos, atendemos pessoalmente ou digitalmente a milhares de novos imigrantes brasileiros que necessitavam de ajuda. Para que fique bem claro permitam a esse humilde escritor ressaltar que não aceitamos e não pedimos ajuda do governo ou de outras organizações assim como não recebemos doações de qualquer espécie (nunca competimos com outras entidades que sempre fazem um bom trabalho em prol do novo imigrante) e quando decidimos prestar auxílio, (que nem sempre é o caso), este é gratuito ou perante a uma soma simbólica.

A minha experiência com os imigrantes

A experiência que adquiri nesses anos na minha prática como advogado (essencialmente na ONG), está fundamentada nos diversos erros cometidos pelos brasileiros de toda natureza no decorrer de sua vida em Israel, inclusive erros irreparáveis que levaram o novo imigrante a retornar para o Brasil, alguns deixando atrás de si um verdadeiro caos.

Sim, aprendemos algumas lições com os erros alheios, mas principalmente com a impertinência daqueles que vieram para Israel com a intenção de só exigir, receber, não dar nada em troca e ainda criticar o sistema israelense.

Para esses que chegaram em Israel de livre e espontânea vontade e foram recebidos de braços abertos às custas dos cofres do contribuinte israelense eu gostaria de lembrar as palavras do falecido presidente John F. Kennedy:

“Ask not what your country can do for you – ask what you can do for your country,”

Uma imigração bem-sucedida

Aqui não escreverei sobre aqueles tantos, eu creio ser a maioria, que foram bem-sucedidos porque eles não precisam ser agraciados por já serem vencedores. Estou me referindo aqueles que por vários motivos não conseguiram se adaptar ao modo de vida israelense e voltaram para o Brasil ou continuam vivendo aqui, mas reclamando de tudo e de todos.

As causas do fracasso

Eu, particularmente não acredito e não concordo que a situação financeira do imigrante seja como muitos acreditam, “o maior obstáculo para uma boa imigração”. Tampouco acredito que a falta de trabalho, a pandemia, a falta de moradia adequada, a falta da família ou qualquer outra escassez material sejam a razão de uma imigração malsucedida.

A verdade é que, através de estudos e, da praticidade jurídica secular, constatei que fatores preponderantes, a obstaculizar a boa imigração do brasileiro em Israel são, a falta do domínio total da língua hebraica e, não distante deste conhecimento, a resistência a adaptação ao maneirismo da sociedade israelense.

Entendo que, estes são fatores preponderantes ao êxito ou não do processo de imigração em Israel.

A imigração de modo geral, objeto de muitos outros estudos, aponta centenas de casos de pessoas que se recusaram a aceitar a realidade de que morar em um país diferente, com mentalidade distinta, é sem dúvida objeto de grandes dificuldades.

O novo imigrante deve e precisa se adaptar a sociedade israelense e não lutar contra ela.

Eu optei

Para mim, imigrar para Israel foi uma opção pessoal e não foi por necessidade e muito menos por uma fuga. Eu vivo em Israel não por ser melhor que outro país e nem por nenhuma outra razão, mas sim por ser o Estado de Israel o lar do povo judeu!

Eu escolhi morar em Israel e ser israelense. Enfrentei inúmeros obstáculos sozinho. Sem ajuda, subi a montanha e com muita determinação eu cheguei exatamente onde planejei chegar.

Poderia ter optado por ser um “juiz de teclado”, criticando o sistema, mas preferi ver o lado positivo, tentando ajudar a construir uma sociedade melhor e mais sadia.

Nem tudo é perfeito e não existe sociedade perfeita, mas essa é o tipo de sociedade que escolhi viver. Estou aqui por escolha e não vou cuspir no prato que comi e nem jogar fora o bebê junto com a água do banho.

Um conselho israelense.

Antes de responder aos difamadores internautas frases como: “se não gosta vai embora, sai de Israel, volte para o Brasil…”! Por favor não falem por mim porque eu penso de outra maneira.

Nós trazemos esses novos imigrantes para Israel e muitos não se encaixam na sociedade, porque não querem abrir mão “de ser brasileiro vivendo em Israel” ou por outra razão impertinente.

Quando eles chegam aqui, somos nós os contribuintes, que pagamos as contas através de nossos impostos, por todas as regalias que eles recebem em Israel, inclusive passagens aéreas, planos de saúde, ulpan e muito mais.

Exatamente por isso eu tento ajudar o maior número desses imigrantes para evitar que retornem para o Brasil, deixando para trás dívidas, prejuízos, rancor e danos de todos os tipos.

 Uma “pitada” pessoal

 Eu nasci no Brasil e me tornei israelense e assim me considero depois de morar 43 anos em Israel.

Meus filhos são israelenses, tenho bons e grandes amigos israelenses, eu sonho, leio, penso em hebraico, mas falo português (apesar de precisar de editor para escrever esses artigos). Conheço o Brasil e os brasileiros porque nasci lá; não deixei de ser brasileiro.

Cheguei em Israel aos 19 anos de idade sem dinheiro, sem apoio da família, sem saber a língua hebraica, não entendia bem a língua Inglesa, não tinha absolutamente nada nem ninguém para me ajudar, mas eu decidi que nada ia me impedir de me adaptar e vencer aqui em Israel. Tenho minha própria firma de advocacia que é muito bem sucedida e uma bela família.

Quando vou a trabalho ao Brasil, tento me comportar “brasileiramente”, especialmente quando palestrando para militares, ou em encontros com “dignitários” e políticos, mas eu estou ciente do meu fracasso constante nesse aspecto – as vezes me comporto “Sabramente“.

Em Israel terminei duas universidades, aprendi 2 línguas, terminei o serviço militar como oficial combatente, dei anos ao voluntariado e a organizações como Magen David e hospitais, tentei o serviço diplomático (um fracasso total nessa área), aqui enterrei meus pais e meu sobrinho que foi morto na guerra, não dormia quando meu filho participava em operações militares como soldado em força de elite do exército, visitei meus soldados feridos em batalhas ou em exercícios e ainda dou boas risadas ouvindo HaGashashim pela milésima vez.

Enfim, minhas raízes estão aqui e eu sou um israelense.

Nunca achei que alguém ou que o Estado de Israel me devesse algo que não fosse meu direito pelo meu trabalho e meu esforço, eu estou extremamente grato por fazer parte da sociedade israelense e por tudo que me foi dado nesse país.

Não foi fácil chegar onde me encontro hoje e eu agradeço a Deu-s pelas dificuldades que encontrei no caminho porque eu aprendi transformar cada uma delas em um novo desafio.

Esses Israelenses

Para vocês que me escreveram: “os israelenses são grossos, eles são mal-educados, eles não nos respeitam, eles são bonzinhos, eles me ajudaram, eles são espinhentos por fora, mas doces por dentro, e muitos outros adjetivos”.

Saibam que nossos sábios comentam sobre essa atitude errônea na Hagadá de Pessach:: O perverso o que diz ele? “O que significa este serviço para vós? “Para vós” (ele diz) mas não para ele! E já que ele se exclui da comunidade, renegou o principal (fundamento da nossa fé).

“רָשָׁע מָה הוּא אוֹמֵר? מָה הָעֲבֹדָה הַזֹּאת לָכֶם? לָכֶם – וְלֹא לוֹ. וּלְפִי שֶׁהוֹצִיא אֶת עַצְמוֹ מִן הַכְּלָל כָּפַר בְּעִקָּר“

Você só será parte do clube quando passar a dizer NÓS os israelenses!

A forma correta

Tem uma coisa que fiz muito acertadamente. Chegando em Israel, pendurei as chuteiras de brasileiro e decidi naquele momento que eu passaria a jogar no time israelense, custasse o que custasse.

Foi um jogo muito árduo, mas foi e continua sendo um show de bola.