O Rabino de Lelov disse aos seus seguidores:

“Um homem não pode ser perdoado até que reconheça as falhas de sua alma e procure corrigi-las. Uma nação não pode ser redimida até que reconheça as leis de sua essência e procure emendá-las. A todo aquele que se recusa a admitir suas falhas, seja ele um homem ou uma nação, não será permitida a redenção. Todos podemos ser perdoados na extensão de reconhecermos a si mesmos.”

“Quando os filhos de Jacob disseram a Yossef: ‘Nós somos pessoas justas’, ele respondeu: ‘Por isto eu afirmei que você eram espiões’. Mas mais tarde, quando confessaram a verdade com seus lábios e seus corações, disseram uns aos outros ‘Nós nos sentimos verdadeiramente culpados quanto ao nosso irmão’, apresentou-se o primeiro sinal de sua redenção. Tomado de compaixão, Yossef se virou e chorou.”

Nem todos podem ser perdoados

Quantas vezes já ouvimos a expressão “um Divórcio desnecessário”? Na qualidade de advogado e com base na minha experiência pessoal posso afirmar, com certa dose de certeza, que a maioria dos Divórcios são completamente dispensáveis, e poderiam ter sido evitados caso as partes apenas tivessem mais paciência e procurassem por um auxílio antes do fim.

Nós raramente vemos uma das partes contendoras de um Divórcio tomando para si toda a responsabilidade do que quer que tenha dado errado entre o casal. Trata-se um ato de muita coragem e humildade para que se possa fazer isto. Apesar da coragem de uma das partes em assumir a responsabilidade, não há garantias de que a outra parte será capaz de entender, assimilar e aceitar o que foi dito. São necessárias duas pessoas para superar os obstáculos decorrentes de um casamento.

Assumindo uma responsabilidade total, e não parcial

Quando uma das partes assume a responsabilidade pelo que não deu certo isto deve ser feito de forma ilimitada e incondicional, sob pena de o argumento não ser aceito pela outra parte. No entanto isto foge das possibilidades reais, porque é impossível se culpar apenas um dos lados pelo fracasso, salvo raríssimas exceções as quais não vale a pena mencionar neste breve artigo.

É preciso saber quando abrir mão

Você já comprou uma entrada para um evento? Suponho que sim. Imagine que você esperou muito tempo para ver aquele show maravilhoso, finalmente tendo comprado as entradas alguns dias antes. Você então decide jantar fora antes de o show começar.

Meia hora antes do show você deveria começar a se dirigir ao teatro, põe a mão nos bolsos e… a entrada não está lá. Sem desespero porque você é sensato, esvazia seus bolsos procurando pela entrada, mas você não a encontra. Você se dá conta que não faz sentido olhar em volta para procurá-la. O problema é que você não tem dinheiro para adquirir uma nova entrada, e ainda que o tivesse, de nada adiantaria porque as entradas foram todas vendidas.

Agora você tem tomar uma decisão: está ficando tarde, você está decepcionado, triste e não tem mais idéias criativas. Você portanto tem a possibilidade de ir para casa, tomar um drink ou café, ou comprar um ingresso para um cinema ou algo mais que possa pagar; mas o que não deve fazer é se tornar um prisioneiro da situação ocasionada pela perda da entrada – ela está definitivamente perdida.

Quando desistir dentro de um caso de Divórcio?

Não existe uma resposta real para esta questão, mas os nossos sábios trouzeram algumas boas sugestões.

A primeira coisa são as Hilchot Teshuvá, quando aprendemos a pedir perdão de uma pessoa que magoamos. Pedir 3 vezes e ser recusado é o suficiente, você será considerado “perdoado”. Obviamente este “perdão” não será de grande ajuda para pôr fim à situação criada entre você e o ofendido, mas nos céus você estará tudo resolvido.

Um outro exemplo se refere à Hashevat Aveda. Quando se encontra dinheiro sem uma identificação sobre seu dono, presume-se que a pessoa que o perdeu “desistiu dele”, portanto, vige o princípio “Kol Hakodem Zoche” – quem encontrou pode se apossar dele.

O que podemos aprender destas Halachot (regras judaicas)?

Quando perder uma entrada não desista dela com tanta facilidade, tente de tudo, volte aos lugares onde esteve, pergunte em volta porque talvez alguém a tenha encontrado, faça o que fôr necessário mas sempre estando ciente do fato de que poderá não obter êxito!

Eu não tenho como lhes dizer quando desistir e quando ir adiante, nem posso aconselhar a lutar para salvar um barco que está afundando, mas tenha em mente que desistir não é necessariamente a melhor coisa a se fazer.

Pode chegar uma hora na qual você terá que tomar uma difícil decisão e “abandonar o barco”. O estado de negação de um Divórcio é um dos mais difíceis, que causa uma grande dor, mas terá que ser enfrentado. Querendo ou não.

Uma alma gêmea, um parceiro, não é apenas uma entrada e sem dúvida você deve procurar se relacionar com ele como a coisa mais importante que já lhe aconteceu na vida. Lute por isto, não desista, seja humilde, peça por ajuda, não economize dinheiro, faça o que fôr mas…

Até mesmo antes de o Divórcio se concretizar ainda existe uma esperança, mas você terá que reconstruir a sua vida apesar do sofrimento – algumas vezes a entrada se perde para sempre.