“Boas pessoas” podem ser encontradas em qualquer lugar – portanto seja cauteloso ao escolher suas amizades.

Uma de minhas ex-clientes e uma boa amiga escreveu esta mensagem pedindo a minha opinião: deveria ela ter mandado isto ao seu ex-marido?

Olá Fulano,

Me disseram (sim, há quem me ligue) que você mencionou a minha pessoa, … mencionando a sua ex-mulher e seus filhos em uma conversa que teve com Beltrano online!

Eu achei que isto foi uma atitude totalmente inapropriada e encarei como uma violação de minha privacidade e dos meus filhos, especialmente em um forum público.

Eu gostaria de pedir que você não faça isto novamente. Se em algum momento no futuro … mencionando a sua ex-mulher, seus filhos ou o seu relacionamento eu vou consultar um advogado para tomar medidas contra difamação e questões de privacidade.

Obrigada,

Leah.

Depois de ter ouvido o que foi dito pelo Fulano nas palavras destas “boas pessoas”, e ter lido a resposta a seguir, me convenci de que a melhor forma de lidar com esta situação seria desconsiderá-la.

Esta foi a resposta recebida:

Prezada Leah,

Eu entendo como você e outras pessoas que conhece podem eventualmente encontrar semelhanças na nossa situação, baseando-se em uma conversação qualquer que tive relativamente ao Divórcio, no entanto, como você já sabe, eu mantenho muitas conversações na minha linha de trabalho.

A verdade é que provavelmente existem uma dúzia de histórias que se aplicam a milhares de casos conduzidos por advogados, tribunais, assistentes sociais, funcionários públicos, etc, em Israel e nos EUA.

O motivo pelo qual mantenho estas conversações online sobre Divórcio e a dinâmica familiar é porque estou tentando ajudar outras pessoas a evitar problemas e adverti-los quanto às possíveis consequências de seu comportamento. Eu pretendo que eles procurem ajuda por meio da mediação e que evitem um Divórcio – tal como esperava que acontecesse conosco.

Não tive a intenção de magoá-la de qualquer forma. Se puder me dizer as frases específicas que considerou ofensivas e a sua localização procurarei um meio de amenizar as suas preocupações.

Desejo-lhe alegria e paz,

Fulano.

Depois desta simples resposta Leah não conseguiu indicar alguma frase específica que a ofendesse.

A primeira pergunta que fiz a Leah foi: “Você pode me dizer que tipo de ‘amigos’ são estes que estão interferindo na sua vida?”

Se estes são os amigos dela prefiro não pensar quem são os inimigos. Estas “boas pessoas” não passam de párias da sociedade procurando uma satisfação pessoal – eles só querem discussões e conflitos. Sem dúvida o interesse de Leah não estava na cabeça destes “amigos” mas sim uma intenção diversa – talvez uma campanha pessoal contra Fulano ou algum desejo de causar prejuízos alheios por meio do uso da arma mais eficiente conhecida da Humanidade, a “Lashon Hará”!

Eu aconselhei Leah a economizar seu tempo e dinheiro. Nós vivemos em uma democracia e mencionar outra pessoa, a natureza de seu relacionamento passado ou mesmo alguns detalhes do Divórcio não constitui um crime, nem aqui nem em qualquer outro país que eu conheça!

O que se proíbe é mencionar detalhes pessoais da vida de outra pessoa ou qualquer detalhe de um menor de idade, mas neste caso estava bem claro que Fulano só estava falando da aflição e dos erros cometidos por ele e Leah no passado. Não houve qualquer agressão pessoal ou mesmo revelação de detalhes pessoais.

É preciso se levar em conta que os tribunais não são um local agradável de se frequentar como parte de uma lide, e devem ser o último lugar no qual se pretenda resolver uma disputa envolvendo um caso de difamação. Isto apenas trará mais ódio e sentimentos negativos, acrescentando-se mais combustível ao incêndio e possivelmente mais ofensas.

Um Divórcio ou uma disputa entre amigos já é suficientemente dolorosa, portanto, o acréscimo da “lashon hará” apenas piorará a situação.

Assim sendo, ainda que você se sinta “incomodado” ou “responsável” por um amigo, não faça nada! Segure a sua língua e abstenha-se de tentar “ajudar”.