Muitas vezes como advogado, como simples cidadão e como marido me perguntei: Será que tentei de tudo? Dei tudo de mim para evitar isto? Será que fiz tudo o que podia? Então por que os resultados foram tão ruins? Por que não consegui consertar meus erros? Como poderia ter evitado o meu próprio divórcio? Como poderia impedir uma decisão tão errada ou a pior opção na vida?
Eu não tenho todas as respostas, mas reconhecer e assumir a nossa responsabilidade pelos erros que cometemos no passado é o primeiro passo para que eles não sejam repetidos.
Como advogado eu sei que não sou o único que faz estas perguntas sobre várias experiências de vida; cada um de nós encara ao menos uma vez na vida uma situação que não pode ser contornada apesar de todos os esforços. Eu tenho certeza que muitos de nós cometemos erros os quais tentamos consertar sem obter sucesso, causando uma grande decepção. Cometer erros é algo perfeitamente humano e inevitável, mas isto também pode trazer uma boa lição sobre como podemos aprimorar a nossa vida.
Você não pode vencer sempre nem superar toda e qualquer dificuldade que se encontra na vida – por este motivo eu sempre recomendo que se escolha sabiamente as prioridades pessoais.
Eu não sou um santo nem posso fazer milagres, ainda que muitos dos que procuram ajuda e até mesmo alguns dos meus clientes regulares, esperam que eu possa sugerir soluções miraculosas para os problemas que eles mesmos criaram. Infelizmente, muito frequentemente o que estes clientes em geral estão procurando é uma forma fácil de se livrar do problema sem se tirar alguma lição dos erros que se cometeu.
A estes clientes a minha mensagem é simples e clara: apesar da minha boa vontade em ajudar, eu simplesmente não posso fazê-lo antes que eles dêem o primeiro passo para consertar seu erro. As pessoas devem assumir toda a responsabilidade pelos seus atos, parar de culpar os outros e estar prontas para pagar o preço quando necessário – levando em conta que algumas vezes não há outra saída a não ser pagar um determinado preço.
O preço de um erro não é pago apenas por você
Como podemos concluir deste caso verídico que lhes apresento a seguir, a ser decidido no tribunal, os erros que cometemos podem ter uma repercussão por toda a vida, não apenas quanto àqueles que estão envolvidos no caso, mas também quanto a toda a família e até mesmo aos amigos.
Lora, uma argentina que vivia nos EUA, conheceu Morris, um agradável e atraente israelense. Pouco depois de terem se conhecido ela se viu apaixonada por ele, esperando ser correspondida pelos sentimentos do seu amado. Ela tinha mais de 40 anos, nunca se casou e queria não apenas uma companhia e amigo, mas também um filho.
Juntos eles tomaram a decisão e depois de um ano de sua união nasceu Ilana, que hoje tem 4 anos de idade. O casal teve alguns altos e baixos no relacionamento mas conseguiam “sobreviver” aos tempos difíceis, principalmente no que se referia às dificuldades decorrentes do vício de Morris em drogas leves e da sua instabilidade comercial.
Há seis meses atrás Morris disse a Lora que ele teria que deixar o solo americano porque estava lá ilegalmente, há muitos anos, e que as autoridades o haviam localizado naquele dia. Ele pediu que a mulher o acompanhasse ao menos por um curto período de tempo até que conseguissem encontrar uma forma de voltar aos EUA, e ela atendeu ao pedido.
Em poucos dias eles mandaram um container a Israel com quase todos os seus pertences e chegaram a Israel em uma situação ameaçadora e estressanre para uma mulher. Lora não tinha família ou amigos em Israel, mas ele podia contar com uma grande família. Lora não falava Hebraico e ele era nativo israelense. Todos os pertences dela estavam no container, e Morris tinha mais do que suficiente para começar sua vida em Israel. Ela não era nem uma nova imigrante regular com benefícios padrões devido à ausência de aviso prévio quanto à imigração.
O fato foi que, duas semanas depois de sua chegada a Israel, Morris já havia arrumado outra mulher, estava usando drogas novamente (após a reabilitação nos EUA) e portanto, já não precisava mais de Lora, de modo que ela podia ser descartada, o que de fato aconteceu.
Certa noite quando eles tiveram uma discussão sobre a incapacidade dele de sustentar a família enquanto gastava dinheiro em supérfluos e coisas desnecessárias (naquele momento ela não sabia que ele estava gastando dinheiro com a amante), Morris chamou a Polícia alegando que Lora havia se comportado de forma violenta, tendo o ameaçado. Lora foi presa e liberada após algumas horas depois de ter sido interrogada pela Polícia, e de ter seu DNA, fotos e impressões digitais tomadas. No final das contas as acusações foram arquivadas e o caso fechado por falta de provas de ato criminal.
No dia em que ela foi liberada foi emitida uma ordem restritiva de aproximação de Morris, mas a guarda da filha lhe foi dada no mesmo dia. Morris deu uma mala com algumas roupas e a expulsou do apartamento que haviam alugado.
Lora estava sozinha, não tinha rendimentos nem emptrego, não sabia Hebraico e aprendeu da pior forma os perigos de ser extremamente dependente de outra pessoa, como aconteceu no seu caso.
Morris a processou pela custódia da filha, mas de alguma forma, com ajuda da família, Lora saiu de Israel dois dias antes de ser expedida a ordem de proibição de saída de Israel pelo Tribunal. Agora ela está a salvo na Argentina, tentando se recuperar da terrível experiência que vivenciou.
As consequências:
Ilana agora está separada de seu pai porque Lora não permitirá que ele se aproxime da menina. Ilana terá que se adaptar a outro país que nunca conheceu, sem um pai e sendo “superprotegida” por Lora, que teme que Morris possa encontrá-las e prejudicá-la de alguma forma.
Os avós paternos, que tinham um bom relacionamento com a neta, provavelmente não a verão mais.
Os amigos de Lora fizeram um grande empréstimo de dinheiro quando o casal chegou a Israel, mas agora Morris se recusa a pagar alegando que eles a ajudaram a deixar Israel. Como se trata de uma disputa civil é provável que se passem muitos anos até que estas boas pessoas possam ver a cor do dinheiro emprestado.
Decisões impensadas:
Lora deveria ter pensado melhor, sem ter concordado em se tornar dependente de um homem que desde o primeiro dia se declarou um marido “não comprometido”, o qual nunca assumiu a responsabilidade pelos seus atos, inclusive negócios ilícitos, drogas e outras coisas.
Sejamos sensatos:
Fazer uma mudança tão drástica, vir a um novo país sem uma preparação prévia é um convite aos obstáculos; mas vir a Israel como um novo imigrante totalmente dependente de outra pessoa, seja ela quem fôr, é uma insanidade total.
Não faça isto nem permita que alguém aja desta forma, tentando pelo menos adverti-los do perigo iminente ao qual estarão se expondo.


